N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

A FÉ É UMA CASA

Ser cristão não é ir à igreja todos os domingos. Ser cristão é saber que numa missa encontro mais uma casa. Com uma história, uma família, uma voz em comum, um código moral.

É fácil ser-se católico em Portugal, pelas tradições, pela cultura das origens. Somos um Estado laico com uma sociedade de legado judaico-cristão. A melhor roupa dos nossos avós seria a dominical, a minha geração fica de pijama. As nossas revoluções verdadeiramente democráticas nunca foram executadas em princípios religiosos, muito menos os romanos. Em 1910 perseguiram a Igreja. Em 1974 a ideologia era comunista, não havendo, mais uma vez, lugar para a cristandade no reconstruir. Pergunto-me agora se não teriam apresentado resultados menos temerosos se guiados ou, pelo menos, dispostos a ouvir algum conselho mais milenar.

Neste sentido, o preconceito quase geral justifica-se. Um mesmo que também possuía quando entrei pela primeira vez num Colégio de fundamentação jesuíta. Em três anos é evidente que a minha vida mudou e as várias partes que melhoraram se devem ao investimento no colégio, em ter a possibilidade de o frequentar.

Aí encontrei Deus. Comecei a fazer parte de uma paróquia, tive um ano de reuniões de preparação para o Crisma. A maneira inaciana de ensinar é especial. Cada aluno é um potencial. Assim, as dificuldades não são resolvidas em conjunto, existindo uma preocupação com cada indivíduo. Um reconhecimento da positividade dentro da diferença, e da presença de, por isso, sermos iguais. Há a criação de um sentido de respeito. É-me mais fácil respeitar alguém que conheço, não se vendo um ‘fosso’ nas relações entre professor e aluno. Vê-se sim uma amizade. Uma predisposição natural à interajuda entre toda a comunidade e isso é, de facto, um ideal essencialmente cristão. Jesus bem disse que nos devíamos amar a todos.

Torna-se inspirador. Os nossos heróis deixam de ser o Figo ou o Homem-Aranha. Porque houve um homem, chamado Pedro Arrupe, que quando a displicência americana bombardeou Hiroshima e Nagasaki, decidiu ignorar os avisos de perigo devido às radiações e partiu rumo ao desastre. Para ajudar o outro. Porque na sua consciência tão viva de Fé sabia que a sua vida não era mais importante que nenhuma outra. Que se salvasse dez teria valido a pena. E muitos salvou. E viveu para ajudar mais.

Eu encontrei Deus tarde. Ou talvez não. Encontrei-o – ou melhor, quis vê-Lo – quando teve que ser. Naquela altura em que passamos de jovem criança para jovem adulto. Quando começam a crescer liberdades e as correspondentes responsabilidades das mesmas. Quando as escolhas difíceis surgem, as perguntas sem resposta, a morte, o falhanço depois do esforço. A desilusão. O entender que o mundo não se trata, de todo, de um sítio fácil. Muito menos hoje, mas isso já há vinte anos presumo que se dissesse.

E foi numa dessas alturas em que senti algo mais que o ‘costume’. Que, no meio de não fazer ideia do que fazer, achei um aconchego, uma linha de luzes pequeninas a mostrar-me um caminho para aterrar. Penso, todavia, que não tem somente que ver com uma mão amiga, um apoio na tristeza. A Fé transforma-se em algo sempre presente. Se, quando choramos, Ele está sempre lá, também aprendi a celebrar com Ele, a reunir dentro de nós uma gratidão por poder existir. Porque vale a pena.

Deixa de contar apenas se hoje o meu copo está meio cheio ou meio vazio. O vazio deixa de ser uma falta para passar a motivação, uma força para o encher e partilhar. Nem preciso de olhar para o lado para ver que há tantos que nem copo têm.

Sebastião Reis Bugalho texto para a revista 'Caritas' em setembro de 2013

Jaculatória dos Três Pastorinhos de Fátima

Santíssima Trindade eu Vos adoro. Meu Deus, meu Deus eu Vos amo no Santíssimo Sacramento


Amar Jesus Cristo e crer na Santa Madre Igreja

«… Desprezar-me a mim mesmo e amar só a Jesus Cristo; aceitar e crer tudo o que professa e crê a Santa Madre Igreja. É isso que eu aceito e creio firme e verdadeiramente…»

(Da 2ª carta de S. João de Deus a Guterres Lasso)

«Se alguém disser: “Eu amo a Deus”, mas tiver ódio ao seu irmão, esse é um mentiroso; pois aquele que não ama o seu irmão, a quem vê, não pode amar a Deus, a quem não vê».

(1 Jo 4,20)

«Criastes-nos, Senhor para vós, e o nosso coração está inquieto até que descanse em vós»

(Santo Agostinho - Confissões 1,1)

O Evangelho do dia 22 de setembro de 2017

Em seguida Jesus caminhava pelas cidades e aldeias, pregando e anunciando a boa nova do reino de Deus; andavam com Ele os doze e algumas mulheres que tinham sido livradas de espíritos malignos e de doenças: Maria, chamada Madalena, da qual tinham saído sete demónios, Joana, mulher de Cusa, procurador de Herodes, Susana, e outras muitas, que os serviam com os seus bens.

Lc 8, 1-3

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Senhor, a sério que quero ser santo

Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil. – Deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da Terra com o fogo de Cristo que levas no coração. (Caminho, 1)

Procuremos fomentar no fundo do coração um desejo ardente, um empenho grande por alcançar a santidade, apesar de nos vermos cheios de misérias. Não se assustem; à medida que se avança na vida interior, conhecem-se com mais clareza os defeitos pessoais. O que acontece é que a ajuda da graça se transforma como que numa lente de aumentar e o mais pequeno cotão, o grãozinho de areia quase imperceptível aparecem com dimensões gigantescas, porque a alma adquire a finura divina e até a sombra mais pequena incomoda a consciência, que só gosta da limpeza de Deus. Diz-lhe agora, do fundo do coração: Senhor, a sério que quero ser santo, a sério que quero ser um teu discípulo digno e seguir-te sem condições. E depois, hás-de propor a ti próprio a intenção de renovar diariamente os grandes ideais que te animam nestes momentos. (Amigos de Deus, 20)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1958

Na Holanda, durante uma das viagens que realiza pela Europa para preparar o início do trabalho apostólico do Opus Dei nesses países. Mais tarde, escreve aos fiéis do Opus Dei desse país: “Queridos filhos: que Jesus me guarde a todos semprein laetitia! Espero – sei – que haverá muitas e boas coisas nessa fantástica terra das tulipas”.

Os trabalhadores da vinha do Senhor

O Reino dos céus é comparado a um pai de família que contrata trabalhadores para cultivar a vinha. Ora, quem, a não ser o nosso Criador, merecerá com justiça ser comparado a tal pai de família, Ele que governa aqueles que criou, e que exerce neste mundo o direito de propriedade sobre os Seus eleitos como um amo o faz com os servos de sua casa? Possui uma vinha, a Igreja universal, que produziu, por assim dizer, tantos sarmentos quanto santos, desde Abel, o justo, até ao último eleito que nascerá no fim do mundo.

Este Pai de família contrata trabalhadores para cultivar a Sua vinha ao nascer do dia, à terceira hora, à sexta, à nona e à décima primeira, dado que não terminou, do princípio do mundo até ao fim, de reunir pregadores para instruir a multidão dos fiéis. O nascer do dia, para o mundo, era de Adão a Noé; a terceira hora, de Noé a Abraão; a sexta, de Abraão a Moisés; a nona, de Moisés até à vinda do Senhor; e a décima primeira, da vinda do Senhor até ao fim do mundo. Os santos apóstolos foram enviados para pregar nesta última hora e, apesar da sua vinda tardia, receberam o salário por completo.

O Senhor não pára, portanto, em tempo algum, de enviar trabalhadores para cultivar a Sua vinha, isto é, para ensinar o Seu povo. Porque, enquanto fazia frutificar os bons costumes do Seu povo através dos patriarcas, dos doutores da Lei e dos profetas, e finalmente dos apóstolos, Ele procurava, por assim dizer, que a Sua vinha fosse cultivada por intermédio dos Seus trabalhadores. Todos aqueles que, a uma fé justa, acrescentaram boas obras, foram os trabalhadores dessa vinha.

São Gregório Magno (c. 540-604), papa e doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho, nº 19

Dar fruto

São Máximo de Turim (?-c. 420), bispo
Sermão para festa de São Cipriano; CC Sermão 11, p.38; PL 57, 687

«A vinha do Senhor do universo, diz o profeta, é a casa de Israel» (Is 5,7). Ora, tal casa somos nós [...] e como nós somos Israel, somos a vinha. Zelemos pois por que não nos nasçam dos sarmentos, em vez de uvas de doçura, uvas de ira (Ap 14, 19), para que não nos digam [...]: «Porque é que, esperando Eu que desse boas uvas, apenas produziu agraços?» (Is 5,4). Terra ingrata! Ela, que deveria oferecer a seu dono frutos de doçura, trespassou-o com agudos espinhos. De igual forma os Seus inimigos, que deveriam ter acolhido o Salvador com toda a devoção da sua fé, coroaram-n'O com os espinhos da Paixão. Para eles essa coroa significava ultraje e injúria, mas aos olhos do Senhor, era a coroa das virtudes. [...]

Tende cautela, irmãos, para que não seja dito acerca dessa terra que vós sois: «Esperou que lhe desse boas uvas, mas ela só produziu agraços» (Is 5,2) [...]. Tenhamos cautela, para que as nossas más acções não firam, quais espinhos, a cabeça do Senhor. Foram os espinhos do coração que feriram a palavra de Deus, como diz o Senhor no evangelho quando conta que o grão do semeador caiu entre os espinhos, e que estes cresceram e sufocaram o que tinha sido semeado (Mt 13,7). [...] Velai portanto para que a vossa vinha não dê espinhos em vez de uvas; para que a vossa vindima não produza vinagre em vez de vinho. Todo aquele que faz vindima sem dela dar aos pobres recolhe vinagre e não vinho; e aquele que enceleira as suas colheitas de trigo sem delas distribuir aos indigentes, não é o fruto da esmola que põe de reserva, mas os cardos da avareza.

Ser-se chamado

Na realidade ser-se chamado é já uma primeira recompensa: poder trabalhar na vinha do Senhor, colocar-se ao Seu serviço, colaborar na Sua obra, constitui por si só um prémio inestimável, que compensa qualquer dificuldade. Mas isto só é perceptível a quem ama o Senhor e o Seu Reino; aqueles que trabalham apenas pelo soldo, não se aperceberão jamais do valor inestimável deste tesouro. (…).

(Bento XVI ao Angelus de 21.09.2008 com tradução a partir do italiano de JPR)

São Mateus, um dos quatro evangelistas

S. Mateus com Anjo de Guido Reni
Santo Ireneu de Lyon (c. 130-c. 208), bispo, teólogo, mártir
Contra as heresias, III, 11, 8-9

Não pode haver mais nem menos evangelhos. Com efeito, uma vez que são quatro as regiões do mundo no qual nos encontramos, e quatro os ventos principais, e uma vez que, por outro lado, a Igreja está espalhada por toda a terra e tem por «coluna e sustentáculo» (1Tim 3,15) o Evangelho e o Espírito da vida, é natural que haja quatro colunas que sopram a imortalidade de todos os lados e dão vida aos homens. Quando o Verbo, o artesão do universo, que tem o trono sobre os querubins e que sustenta todas as coisas (Sl 79,2; Heb 1,3), Se manifestou aos homens, deu-nos um evangelho com quatro formas, embora mantido por um único Espírito. Implorando a sua vinda, David dizia: «Manifestai-Vos, Vós que tendes o vosso trono sobre os querubins» (Sl, 79,2). Porque os querubins têm quatro figuras (Ez 1,6), que são as imagens da atividade do Filho de Deus.

«O primeiro [destes seres vivos] era semelhante a um leão» (Ap 4,7), e caracteriza o poder, a preeminência e a realeza do Filho de Deus; «o segundo, a um touro», manifestando a sua função de sacrificador e de sacerdote; «o terceiro tinha um rosto como que de homem», evocando claramente a sua face humana; «o quarto era semelhante a uma águia em pleno voo», indicando o dom do Espírito que paira sobre a Igreja. Os evangelhos segundo João, Lucas, Mateus e Marcos estão, pois, de acordo com estes seres vivos sobre os quais Cristo Jesus tem o seu trono. […]

Encontramos estes mesmos traços no próprio Verbo de Deus; aos patriarcas que existiram antes de Moisés, falava Ele segundo a sua divindade e a sua glória; aos homens que viveram sob a Lei, atribuiu uma função sacerdotal e ministerial; em seguida, fez-Se homem por nós; por fim, enviou o dom do Espírito a toda a terra, escondendo-os à sombra das suas asas (Sl 16,8). […] São, pois, fúteis, ignorantes e presunçosos os que rejeitam a forma como se apresenta o evangelho, ou nele introduzem um número de figuras maior ou menor do que as que referimos.

S. Mateus, apóstolo e evangelista

Trata-se de um dos apóstolos, homem decidido e generoso desde o primeiro momento da sua vocação. É também evangelista - o primeiro que, por inspiração divina, pôs por escrito a mensagem messiânica de Jesus.

Foi Judeu. Exercia as funções de cobrador de direitos de portagem, ao serviço de Herodes Antipas. Um dia, Jesus saía de Cafarnaum em direcção ao Lago, olhou para ele com atenção e disse-lhe: "Mateus, segue-me". E Mateus seguiu-o e foi generoso ao seguir o chamamento e agradecido ao mesmo tempo. Acompanhou sempre o Salvador. Foi testemunha da Ressurreição, assistiu à Ascensão e recebeu o Espírito Santo no dia de Pentecostes.

A glória principal de S. Mateus é o seu Evangelho, escrito primeiro em aramaico e traduzido pouco depois para o grego.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 21 de setembro de 2017

Partindo Jesus dali, viu um homem chamado Mateus, que estava sentado na banca das cobranças, e disse-lhe: «Segue-Me». E ele, levantando-se, O seguiu. Aconteceu que, estando Jesus sentado à mesa em casa deste homem, vieram muitos publicanos e pecadores, e se sentaram à mesa com Jesus e com os Seus discípulos. Vendo isto, os fariseus diziam aos Seus discípulos: Por que motivo come o vosso Mestre com os publicanos e pecadores? Jesus, ouvindo isto, disse: «Os sãos não têm necessidade de médico, mas sim os enfermos. Ide, e aprendei o que significa: “Quero misericórdia e não sacrifício”. Porque Eu não vim chamar os justos, mas os pecadores».

Mt 9, 9-13