Igreja

Igreja
A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

segunda-feira, 23 de abril de 2018

Sendo crianças, não tereis penas

Sendo crianças, não tereis penas: os miúdos esquecem depressa os desgostos para voltar aos seus divertimentos habituais. – Por isso, com o "abandono", não tereis de vos preocupar, pois descansareis no Pai.  (Caminho, 864)

Por volta dos primeiros anos da década de 40, eu ia muito a Valência. Não tinha então nenhum meio humano e, com os que – como vocês agora – se reuniam com este pobre sacerdote, fazia oração onde podíamos, algumas tardes numa praia solitária. (...)

Pois um dia, ao fim da tarde, durante um daqueles pores do Sol maravilhosos vimos que uma barca se aproximava da beira-mar e que saltaram para terra uns homens morenos, fortes como rochas, molhados, de tronco nu, tão queimados pela brisa que pareciam de bronze. Começaram a tirar da água a rede que traziam arrastada pela barca, repleta de peixes brilhantes como a prata. Puxavam com muito brio, os pés metidos na areia, com uma energia prodigiosa. De repente veio uma criança, muito queimada também, aproximou-se da corda, agarrou-a com as mãozinhas e começou a puxar com evidente falta de habilidade. Aqueles pescadores rudes, nada refinados, devem ter sentido o coração estremecer e permitiram que aquele pequeno colaborasse; não o afastaram, apesar de ele estorvar em vez de ajudar.

Pensei em vocês e em mim; em vocês, que ainda não conhecia e em mim; nesse puxar pela corda todos os dias, em tantas coisas. Se nos apresentarmos diante de Deus Nosso Senhor como esse pequeno, convencidos da nossa debilidade mas dispostos a cumprir os seus desígnios, alcançaremos a meta mais facilmente: arrastaremos a rede até à beira-mar, repleta de frutos abundantes, porque onde as nossas forças falham, chega o poder de Deus. (Amigos de Deus, 14)

São Josemaría Escrivá

Tradição

«A tradição consiste na atribuição do direito de voto à mais obscura de todas as classes, a classe dos nossos antepassados. A tradição é a democracia dos mortos.

A tradição recusa submeter-se à pequena e arrogante oligarquia daqueles que, por acaso, ainda circulam pelas ruas. Os democratas opõem-se à exclusão das pessoas devido aos acasos do nascimento; pois a tradição opõe-se à sua exclusão devido aos acasos da morte.

A democracia sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja o criado lá de casa; pois a tradição sugere-nos que não ignoremos a opinião de um homem bom, mesmo que seja nosso pai. (...)

Os mortos devem ter assento nos nossos conselhos. Na Grécia Antiga, votava-se por meio de pedrinhas; os nossos mortos votam por meio de pedras tumulares. É um processo perfeitamente razoável e oficial, dado que a maioria das pedras tumulares, tal como a maioria dos boletins de voto, é assinalada com uma cruz.»

G. K. Chesterton, Ortodoxia, Alétheia Ed., p. 65

Deus «quer que todos os homens se salvem e cheguem ao conhecimento da verdade» (1 Tim 2, 4), quer dizer, de Cristo Jesus. Por isso, é preciso que Cristo seja anunciado a todos os povos e a todos os homens, e que assim a Revelação chegue aos confins do mundo. [...] «Cristo Senhor, em quem toda a revelação do Deus altíssimo se consuma, tendo cumprido e promulgado pessoalmente o Evangelho antes prometido pelos profetas, mandou aos Apóstolos que o pregassem a todos, como fonte de toda a verdade salutar e de toda a disciplina de costumes, comunicando-lhes assim os dons divinos» (Dei Verbum, 7).

A transmissão do Evangelho, segundo a ordem do Senhor, fez-se de duas maneiras: oralmente, «pelos Apóstolos, que, na sua pregação oral, nos exemplos e nas instituições, transmitiram aquilo que tinham recebido dos lábios, do trato e das obras de Cristo, e o que tinham aprendido por inspiração do Espírito Santo» (ibidem); por escrito, «por aqueles apóstolos e varões apostólicos que, sob a inspiração do mesmo Espírito Santo, escreveram a mensagem da salvação» (ibidem).

«Para que o Evangelho fosse perenemente conservado íntegro e vivo na Igreja, os Apóstolos deixaram os bispos como seus sucessores, "entregando-lhes o seu próprio ofício de magistério"» (ibidem). Com efeito, «a pregação apostólica, que se exprime de modo especial nos livros inspirados, devia conservar-se, por uma sucessão ininterrupta, até à consumação dos tempos» (Dei Verbum, 8).

Esta transmissão viva, realizada no Espírito Santo, denomina-se Tradição, enquanto distinta da Sagrada Escritura, embora estreitamente a ela ligada. Pela Tradição, «a Igreja, na sua doutrina, na sua vida e no seu culto, perpetua e transmite a todas as gerações tudo aquilo que ela é e tudo aquilo em que acredita» (ibidem). «Afirmações dos santos Padres testemunham a presença vivificadora desta Tradição, cujas riquezas entram na prática e na vida da Igreja crente e orante» (ibidem). Assim, a comunicação que o Pai fez de Si próprio, pelo seu Verbo, no Espírito Santo, continua presente e activa na Igreja.

Catecismo da Igreja Católica §§ 74-79

São Jorge, mártir, †303

Devem ter sido espetaculares as circunstâncias da sua morte para que os orientais lhe tenham sempre chamado "o grande mártir" e para que a sua pessoa se tenha tornado bem depressa, lendária. Não há culto mais antigo nem mais espalhado. Já no séc. IV Constantino lhe levantava uma igreja. Em Inglaterra, principalmente, o seu culto tornou-se, ainda e é, mais popular. Em 1222 o concílio nacional de Oxónia ou Oxford estabeleceu uma festa de preceito em sua honra. Nos primeiros anos do séc. XV o arcebispo de Cantuária ordenou que tal festa fosse celebrada com tanta solenidade como o Natal. Antes disso o rei Eduardo III tinha fundado, em 1330, a célebre Ordem dos Cavaleiros de São Jorge, conhecidos também pelo nome de Cavaleiros da Jarreteira. Vários artistas: Rafael, Donatello e Carpaccio representaram São Jorge. No lugar onde esteve içada a bandeira de Portugal por ocasião da batalha de Aljubarrota foi construída, em 1388, uma ermida dedicada a São Jorge. Em 1387 começou a incorporar-se na procissão do Corpo de Deus, por ordem de D. João I, a imagem deste Santo, a cavalo.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 23 de abril de 2018

«Em verdade, em verdade vos digo que quem não entra pela porta no redil das ovelhas, mas sobe por outra parte, é ladrão e salteador. Aquele que entra pela porta é pastor das ovelhas. A este o porteiro abre e as ovelhas ouvem a sua voz, ele as chama pelo seu nome e as tira para fora. Quando as tirou para fora, vai à frente delas e as ovelhas seguem-no, porque conhecem a sua voz. Mas não seguem o estranho, antes fogem dele, porque não conhecem a voz dos estranhos». Jesus disse-lhes esta alegoria, mas eles não compreenderam o que lhes dizia. Tornou, pois, Jesus a dizer-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo que Eu sou a porta das ovelhas. Todos os que vieram antes de Mim são ladrões e salteadores; mas as ovelhas não os ouviram. Eu sou a porta; se alguém entrar por Mim, será salvo, entrará e sairá e encontrará pastagens. O ladrão não vem senão para roubar, matar e destruir. Eu vim para que elas tenham vida e a tenham abundantemente.

Jo 10, 1-10

domingo, 22 de abril de 2018

Veio revelar-nos o amor

Cristo, que subiu à Cruz com os braços abertos de par em par, com gesto de Sacerdote Eterno, quer contar connosco - que não somos nada! - para levar a "todos" os homens os frutos da sua Redenção. (Forja, 4)

 Porque a vida corrente e ordinária, a vida de cada homem entre os seus concidadãos e seus iguais, não é coisa baixa e sem relevo; é precisamente nessas circunstâncias que o Senhor quer que se santifique a imensa maioria dos seus filhos. É necessário repetir uma e mais vezes que Jesus não se dirigiu a um grupo de privilegiados, mas veio revelar-nos o amor universal de Deus. Todos os homens são amados por Deus; de todos eles espera amor, de todos, quaisquer que sejam a sua condição, a sua posição social, a sua profissão ou oficio. A vida corrente e ordinária não é coisa de pouco valor; todos os caminhos da Terra podem ser uma ocasião de encontro com Cristo, que nos chama a identificar-nos com Ele, para realizarmos - no lugar onde estamos - a sua missão divina. Deus chama-nos através dos incidentes da vida de cada dia, no sofrimento e na alegria das pessoas com quem convivemos, nas preocupações dos nossos companheiros, nas pequenas coisas da vida familiar. Deus também nos chama através dos grandes problemas, conflitos e ideais que definem cada época histórica, atraindo o esforço e o entusiasmo de grande parte da Humanidade. (Cristo que passa, 110)

São Josemaria Escrivá

Bom Domingo do Senhor!

Saibamos também nós reconhecer a voz do Senhor, como nos fala Ele no Evangelho de hoje (Jo 10, 11-18), escutemo-lo no silêncio da oração e ajudemo-lo a trazer mais ovelhas para o seu redil.

Senhor Jesus faz de nós cães de guarda do Teu rebanho e da Tua Palavra!

O mundo das pedras vulcânicas

A recente Exortação apostólica do Papa Francisco, dedicada à santidade, evoca o curioso romance de Joseph Malègue intitulado «Pierres noires: Les Classes moyennes du Salut» (em português, significa «Pedras Negras: as Classes Médias da Salvação»).

As pedras negras são as pedras vulcânicas que marcam a paisagem e as povoações do Auvergne e do Cantal, regiões da França onde a acção decorre. O tema do livro é a decadência de uma sociedade fechada, um mundo tradicionalista em que a referência ao cristianismo justificava rendas e privilégios de épocas passadas. Para uma certa classe social, a queda da monarquia e o advento da república tinham coincidido com a perda dessa estabilidade económica e social, de modo que o cristianismo e a política lhes pareciam aliados. Pairava nesses ambientes uma nostalgia, simultaneamente espiritual e mundana, porque, ao mesmo tempo que a sociedade se descristianizava, perdiam-se os benefícios de outrora.

As páginas de Malègue descrevem, com pormenor e elegância literária, o olhar sensual sobre a beleza feminina, as divisões sociais implacáveis, as fortunas destruídas, os casamentos fracassados, a angústia e mesmo o suicídio dos católicos das famílias com tradição. Na verdade, não eram bem católicos, eram apenas gente razoável, que estaria disposta a uma certa decência, se isso lhes garantisse a felicidade familiar e a prosperidade material. O problema é que a vida ia destruindo as diferenças sociais que suportavam os seus rendimentos e, perdido o conforto, decaía a fé. Num primeiro momento, suspiravam pelo passado, pelo regresso da monarquia, por uma economia assente em heranças inesgotáveis. Com o desfazer do sonho, traíam a família, abandonavam a Igreja e, nos casos extremos, punham fim à vida. Este é o drama da «classe média da salvação». Não pediam muito, não queriam ser santos, bastava-lhes uma vida fácil e conseguir escapar do Inferno.

O Papa Francisco pegou na expressão de Malègue e deu-lhe um sentido completamente novo. Trocou «salvação» por «santidade» e propô-la como ideal para toda a Igreja. Deus «quer-nos santos e espera que não nos resignemos com uma vida medíocre, superficial e indecisa» (nº 1).

Em que sentido, então, o Papa fala de «classe média»?

«Deixemo-nos estimular pelos sinais de santidade que o Senhor nos apresenta através dos membros mais humildes deste povo. (...) Pensemos que é através de muitos deles que se constrói a verdadeira história (...). Certamente, os eventos decisivos da história do mundo foram essencialmente influenciados por almas sobre as quais nada se diz nos livros de história, (...) almas, a quem devemos agradecer os acontecimentos decisivos da nossa vida pessoal, que só conheceremos no dia em que tudo o que está oculto for revelado» (nº 8).

Trata-se de uma «classe média» porque a santidade verdadeira – maravilhosa aos olhos de Deus – não tem de ser espalhafatosa. «Gosto de ver a santidade no povo paciente de Deus: nos pais que criam os filhos com tanto amor, nos homens e mulheres que trabalham a fim de trazer o pão para casa, nos doentes, nas consagradas idosas que continuam a sorrir. (...) Esta é muitas vezes a santidade “ao pé da porta”, daqueles que vivem perto de nós e são um reflexo da presença de Deus, ou, por outras palavras, da “classe média da santidade”» (nº 7).

Paradoxalmente, os personagens de Malègue, os cristãos das famílias tradicionais em amarga crise de fé, os cristãos que gostariam de se salvar a baixo preço, não são os heróis de Francisco. Os verdadeiros heróis são o povo anónimo, que vive, no meio das dificuldades, a alegria das bem-aventuranças e, ainda que o mundo os despreze e considere irrelevantes, são imensamente felizes e fazem a alegria de Deus. As primeiras palavras da Exortação apostólica ecoam ao longo de todo o texto com este contraponto paradoxal: «Alegrai-vos e exultai!», a bênção de Jesus a todos os que seguem as bem-aventuranças.

«Os profetas anunciavam o tempo de Jesus, que estamos a viver, como uma revelação da alegria: “Exultai de alegria!” (...), “Exulta de alegria, ó terra! Rompei em exclamações ó montes!” (...) “Exulta de alegria, filha de Sião! Solta gritos de júbilo, filha de Jerusalém!” (...) E não esqueçamos Neemias: “não entristeçais, porque a alegria do Senhor é que é a vossa força”» (nº 123).

Se me é permitido resumir numa palavra a Exortação do Papa, eu diria: «Deus não Se deixa vencer em generosidade».
José Maria C.S. André
22-IV-2018
Spe Deus

Exigência de “conversão”

«Disse isto, e, perturbado pelo parto para uma nova vida, voltou de novo os olhos para aquelas páginas: e lia, e transformava-se interiormente, onde Tu o vias, e a sua alma despojava-se do mundo, como logo em seguida foi manifesto. Pois, enquanto lia e revolvia os turbilhões do seu coração, de vez em quando gemia, e viu claramente o que era melhor e optou por isso, e, já Teu, disse ao amigo: “Eu já rompi com aquela nossa esperança, e decidi servir a Deus, e começo desde já nesse lugar”. (…)»

(Confissões, Livro VIII, VI, 15 - Santo Agostinho)

«As Bem-Aventuranças opõem-se – é verdade – ao nosso gosto espontâneo pela vida, à nossa fome e sede de vida; exigem “conversão”, inversão de marcha interior relativamente à direção que tomaríamos espontaneamente. Mas esta conversão traz à luz o que é puro, o que é mais elevado; a nossa existência ordena-se retamente».

(“Jesus de Nazaré” - Joseph Ratzinger / Bento XVI)

Uma demonstração de amor

«Não é nada fácil, hoje em dia, encontrar alguém que saiba escutar. Muitos ouvem, mas são poucos os que escutam. Já o diferencia o dicionário da nossa amada língua portuguesa: “ouvir” é ter o sentido da audição; “escutar” é ouvir prestando atenção. Prestar atenção não é um detalhe de pouca importância ― faz toda a diferença! Sobretudo, quando experimentamos a necessidade vital de que alguém nos compreenda.

«Nesse caso, agradecemos que a pessoa com quem falamos não somente nos ouça, mas pedimos-lhe encarecidamente que também nos escute. Que procure sintonizar com aquilo que lhe estamos a tentar dizer. Só assim, sentimos de verdade paz na alma e alívio no coração».

Sábias palavras! De se lhe tirar o chapéu, sim senhor! É verdade: actualmente são poucos os que realmente escutam os outros com interesse. E é certo e sabido que, se as pessoas não se escutam umas às outras, a sociedade deixa de existir.

E se a “sociedade” é a lá de casa, deixa de haver família. No lugar dos familiares que convivem no mesmo lar, surge um conjunto de indivíduos que, por pura coincidência, vivem na mesma casa. E, evidentemente, não desejam ser aborrecidos com problemas que não são os seus. “Está alguém metido numa alhada? Que se desenvencilhe sozinho! O que é que eu tenho a ver com isso?”.

É uma descrição ― talvez um pouco exagerada ― daquilo que conhecemos como isolamento. E o isolamento, por muito atraente e simplificador que possa parecer à primeira vista, acaba por gerar apatia. E a apatia, se não for contrariada, mais cedo ou mais tarde leva ao desespero, por muito dissimulado que ele esteja.

É relativamente fácil constatar que, na vida de um casal, quando há problemas no relacionamento mútuo, geralmente esses problemas começaram quando se deixou de escutar o outro. Escutar às vezes pode ser sinónimo de sofrer, como diz A. Polaino. E o sofrimento leva à infelicidade ― quando não se aceita como uma demonstração de amor. Sem sentido cristão, o sofrimento no convívio com os familiares pesa muito, fecha o horizonte de felicidade e torna-se uma tragédia. Se não for “curado” a tempo, pode gerar cinismo com o passar dos anos.

Escutar é, naturalmente, uma demonstração de amor. Uma demonstração de genuíno interesse pela pessoa amada. Deixar de escutar é, simplificando, começar a deixar de amar. Porque ainda que possa parecer exagerado, quando marido e mulher não se escutam, estão a começar a perder o respeito um pelo outro. E sem respeito, não há amor ― excepto nas sociedades da caverna onde a marretada era uma demonstração de carinho.

Aprender a escutar com interesse. Escutar é, entre outras coisas, saber colocarmo-nos nas circunstâncias dos outros. Assim, veremos os acontecimentos com serenidade e compreensão. E mais facilmente desculparemos, quando isso for necessário. Mas sobretudo, como dizia S. Josemaria, encheremos este nosso mundo de caridade, que é aquilo que ele tem mais necessidade.

Pe. Rodrigo Lynce de Faria

«O bom pastor dá a sua vida pelas ovelhas»

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, Doutor da Igreja

«Eu sou o bom pastor». Cristo pode dizer com propriedade «Eu sou». Para Ele nada pertence ao passado nem ao futuro: tudo Nele é presente. É o que Ele diz de Si mesmo no Apocalipse: «Eu sou o Alfa e o Ómega, Aquele que é, que era e que há-de vir, o Todo-Poderoso» (Ap 1, 8). E no Êxodo: «Eu sou Aquele que sou. Assim dirás aos filhos de Israel: «'Eu sou' enviou-me a vós»» (Ex 3, 14).

«Eu sou o bom pastor». A palavra «pastor» vem do termo «pastar». Cristo serve-nos o repasto da Sua carne e do Seu sangue, em cada dia, no sacramento do altar. Jessé, pai de David, disse a Samuel: «Resta ainda o [filho] mais novo, que anda a apascentar as ovelhas» (1Sam 16, 11). Também o nosso David, pequeno e humilde como um bom pastor, apascenta as suas ovelhas. [...]

Lemos ainda em Isaías: «É como um pastor que apascenta o rebanho [...], leva os cordeiros ao colo e faz repousar as ovelhas que têm crias» (Is 40, 11). [...] Com efeito, ao conduzir o seu rebanho à pastagem, ou ao regressar de lá, o bom pastor reúne todos os cordeirinhos que ainda não conseguem andar; toma-os nos braços e leva-os junto ao peito; leva também as ovelhas que vão dar à luz e as que acabaram de ter os filhos. Assim faz Jesus Cristo: dia após dia alimenta-nos com os ensinamentos do Evangelho e os sacramentos da Igreja. Reúne-nos nos Seus braços, estendidos sobre a cruz, «para congregar na unidade os filhos de Deus que estavam dispersos» (Jo 11, 52). Aconchega-nos no seio da Sua misericórdia, como uma mãe aconchega o seu filho.