N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

domingo, 22 de outubro de 2017

Bom Domingo do Senhor!

Tenhamos sempre a humildade de saber que nunca seremos capazes de O surpreender como arrogantemente pensaram os fariseus e os herodianos de que nos fala o Evangelho de hoje (Mt 22, 15-21). Jesus Cristo Nosso Senhor a segunda Pessoa da Santíssima Trindade, sendo Deus tudo sabe e tudo conhece e portanto só um soberbo com uma visão estritamente terrena poderá pensar que O apanha desprevenido.

Louvado seja Jesus Cristo Nosso Senhor!

«Inside information» (acesso a informação qualificada)

Uma esplêndida celebração dos 100 anos do milagre de Fátima foi a iniciativa de Bernardo Motta e da editora Principia de publicarem uma centena e meia de testemunhos de pessoas que assistiram ao milagre do sol, em Fátima, no dia 13 de Outubro de 1917. Estes e muitos outros documentos estão disponíveis em colecções mais completas, mas essas edições são tão extensas que o público tem dificuldade em as consultar e ocupam tantos volumes que não cabem na prateleira lá de casa.

Sem ser exaustivo, o livro de Bernardo Motta é uma síntese essencial sobre o milagre de 13 de Outubro. Não trata propriamente da mensagem nem das aparições, apenas do milagre. Depois de uma pequena introdução, interessante, sucedem-se os textos: cartas à família, descrições de académicos, textos de ortografia rudimentar, depoimentos de crentes e de cépticos, de jornalistas profissionais e de gente muito simples.

Provavelmente, quem lê esta centena e meia de relatos fica melhor informado que as próprias testemunhas oculares, porque cada uma tinha o seu ponto de vista, de local e de circunstâncias, e a imagem global é ainda mais rica e completa que todas as histórias pessoais. Algures na introdução, Bernardo Motta diz que quem quiser saber algo sobre o assunto tem de partir da experiência de quem lá esteve e viu. Este ponto, parece-me essencial.

As estimativas avaliam a multidão em várias dezenas de milhares. As fotografias do judeu Judah Ruah (na altura, a fotografia era uma técnica sofisticada, reservada a poucos) mostram uma massa humana que se estende até onde a fotografia consegue alcançar. Como se sabe, além do público que estava em Fátima, o milagre foi observado por algumas outras pessoas, dispersas num raio de uns 50 quilómetros.

Os pormenores das descrições são variados, mas os factos principais são claros. Com meses de antecedência, três crianças deram a notícia de que Nossa Senhora lhes tinha aparecido. Em Julho, disseram que Nossa Senhora lhes tinha prometido um milagre para o dia 13 de Outubro. Ninguém imaginou o que poderia ser, apenas que seria uma intervenção patente de Deus. No dia 13, chovia intensamente, o terreno estava enlameado e coberto de água. Por volta do meio-dia, uma das crianças pede ao povo que ajoelhe e feche os guarda-chuvas, o milagre está iminente. Corre a mensagem pela multidão e muitos ajoelham e fecham os guarda-chuvas; outros, mais prudentes, preferem manter-se abrigados e não se sujar na lama. Então, de repente, durante uns 8 a 10 minutos, vê-se o sol como um prato luminoso, que se pode fitar sem incómodo, mudar de cor, rodar no espaço, aproximar-se da Terra acompanhado por uma sensação de calor mais intenso. A luz não cegava, mas a radiação era forte, como se o Sol estivesse mais perto da Terra. Três vezes, elevou-se uma pequena coluna de nuvens do local onde estavam as três crianças, mas nada ardeu nem se formaram nuvens noutros locais. Ninguém da multidão viu Nossa Senhora, ou S. José, ou o Menino Jesus. No final, o sol voltou ao normal; os fatos que estavam encharcados ficaram secos e quem se ajoelhou na lama levantou-se com o fato limpo. É curioso que certas pessoas que preferiram não fechar o guarda-chuva e não ajoelhar, no fim estavam ensopadas e salpicadas de lama.

Só encontro umas mil explicações para o que aconteceu. Pode ter sido uma nuvem de insectos que tapou o sol a grande altura e reflectiu a sua luz às cores, em direcções variadas; pode ter sido uma conjunção de massas de ar quente e de massas de ar frio que formaram lentes de dimensão atmosférica e misturaram diversos arco-íris num baile alucinante de luz. Pode ter sido de várias maneiras, mas eu só consigo imaginar umas mil alternativas de explicação.

O que também é verdade é que nada disto acontece habitualmente. E ninguém consegue prever tais coincidências meteorológicas ou bio-meteorológicas, muito menos crianças iletradas. Menos ainda, alguém prevê uma coisa destas com meses de antecedência e anuncia o momento em que o espectáculo vai agora começar, sem haver um indício.

Para mim, é evidente que as crianças tiveram acesso a informação qualificada. Aliás, elas não o esconderam. Reconhecem que não foi dedução científica, foi simplesmente Nossa Senhora que lhe disse que aquilo ia acontecer.
José Maria C.S. André
22-X-2017
Spe Deus

João Paulo II ensinou aos jovens o que significa dizer "amo-Te"

O ex-porta-voz da Santa Sé Joaquín Navarro Valls foi o primeiro a dar seu testemunho na vigília celebrada a 21 de outubro de 2012 no Circo Máximo de Roma e declarou que João Paulo II ensinou aos jovens "o que significa de verdade a expressão “amo-Te".

Ante uma pergunta da apresentadora do evento, a jornalista Safiria Leccese sobre as relações pré-matrimoniais e as exigências do Papa aos jovens, Navarro Valls destacou que João Paulo II "sempre defendeu o carácter transcendente da pessoa" e a importância "do seu corpo".

Para o João Paulo II, o amor era "querer o bem que Deus quer para o outro" algo que "os jovens entendiam sem dúvida", conforme acrescentou Navarro Valls, quem também destacou que aprendeu muito de João Paulo II sobre "o respeito à pessoa humana, em quem via a imagem de Deus".

Resgate do pessimismo

Navarro Valls destacou que Karol Wojtyla "resgatou a pessoa humana do pessimismo" e também percebeu que o homem "necessita da misericórdia de Deus".

Por isso, conforme recordou o ex-porta voz, o Papa "procurava a misericórdia de Deus todas as semanas" através da confissão porque "compreendia que os homens não podem ser bons por si próprios, mas necessitam de Deus para isso".

Conforme destacou o antigo colaborador do Pontífice, João Paulo II "disse sim a tudo o que Deus lhe pedia" e sublinhou que para o Papa polaco, a oração "era uma necessidade, porque estava em completa conversação com Deus".

"Quando talvez havia um jantar importante e o esperavam, ia buscá-lo e o via na capela, ajoelhado, com pequenos molhes de papel que passava um por um, durante muitíssimo tempo", acrescentou.

O ex-porta-voz destacou que esses molhes de papel eram "as milhares de cartas que recebia todos os dias" nas que os fiéis "pediam as orações do Papa". Conforme explicou Navarro Valls, "todos as dores do mundo chegavam a ele e nutria sua oração das necessidades de outros".

Navarro Valls destacou também que ao receber o anúncio da beatificação de João Paulo II, sentiu "os mesmos sentimentos que sentiu apenas faleceu" que foi "um sentimento de agradecimento por essa obra de arte que fez com sua vida". 

Além disso, o ex-porta voz sublinhou que o dia do funeral de João Paulo II, quando os peregrinos "gritaram santo súbito" pensou que "o percebiam tarde" porque a Igreja "não faz Santos, mas os mesmos Santos enquanto estão vivos caso contrário não serão nunca".

A Igreja, conforme destacou Navarro Valls, tão somente "reconhece que a vida desta pessoa era Santa" mas os Santos "já são Santos a priori". Os peregrinos acompanharam o testemunho de Navarro Valls com grandes aplausos, que o obrigaram a parar durante alguns minutos sob as luzes de numerosas velas que iluminaram o Circo Máximo.

(Fonte: ‘ACI Digital’ com adaptação de JPR)

A transparência cristã de João Paulo II

Qual foi o segredo da eficácia evangelizadora deste Papa extraordinário? É evidente que Wojtyla foi um defensor incansável da dignidade humana

Há anos que se ouvem testemunhos de jovens, e menos jovens, que se sentiram atraídos por Cristo graças às palavras, ao exemplo e à proximidade de João Paulo II. Com a ajuda de Deus, alguns empreenderam um caminho de procura da santidade sem mudar de estado, na vida matrimonial ou no celibato, outros, no sacerdócio ou na vida religiosa. São vários milhares e há quem lhes chame "a geração João Paulo II".

Qual foi o segredo da eficácia evangelizadora deste Papa extraordinário? É evidente que Karol Wojtyla foi um defensor incansável da dignidade humana, um pastor solícito, um comunicador credível da verdade e um pai, para crentes e não crentes. Mas o Papa que nos guiou na transição do segundo para o terceiro milénio foi acima de tudo um homem apaixonado por Jesus Cristo e identificado com Ele. 

"Para saber quem é João Paulo II é preciso vê-lo rezar, sobretudo na intimidade da sua capela privada", escreveu um dos biógrafos deste santo pontífice. E assim é, de facto. Uma das últimas fotografias da sua caminhada terrena retrata-o na capela privada acompanhando, pela televisão, a Via-Sacra que decorria no Coliseu. Naquela Sexta-Feira Santa de 2005, João Paulo II não pôde presidir fisicamente ao evento, como fizera nos anos anteriores. Já não conseguia nem falar nem andar, mas essa imagem espelha a intensidade do momento que vivia. Agarrado a um grande crucifixo de madeira, o Papa abraça Jesus na cruz, aproxima o Crucificado do seu coração e beija-O. A imagem de João Paulo II, ancião e doente, unido à Cruz, é um discurso tão eloquente como as suas palavras vigorosas ou as viagens extenuantes.

O novo beato cumpriu com generosidade heróica o mandato de Cristo aos Seus discípulos: "Ide por todo o mundo e pregai o Evangelho a toda a criatura" (Mc 16, 15). Na ânsia de chegar ao último recanto de África, da América, da Ásia, da Europa e da Oceânia, João Paulo II não pensava em si próprio; tinha o ímpeto de gastar a vida em serviço dos outros, o desejo de mostrar a dignidade do ser humano - criado à imagem e semelhança de Deus e redimido por Cristo - e de transmitir a mensagem do Evangelho.

Certa vez, ao fim da tarde, acompanhei D. Álvaro del Portillo - então prelado do Opus Dei - aos aposentos pontifícios. Enquanto esperávamos a chegada do Papa ouvimos os passos cansados, de alguém que arrastava os pés, aproximar-se por um corredor. Era João Paulo II, muito cansado. D. Álvaro del Portillo exclamou: "Santo Padre, está tão cansado!" O Papa olhou para ele e, com voz amável, explicou: "Se por esta altura não estivesse cansado, seria sinal de que não teria cumprido o meu dever." O zelo pelas almas transportou-o ao último canto da Terra para levar a mensagem de Cristo. Há alguém no mundo que tenha estreitado mais mãos na sua vida, ou tenha cruzado o seu olhar com o de tantas pessoas como ele? Esse esforço, também humano, era outro modo de abraçar e de se unir ao Crucificado.

A universalidade do coração de João Paulo II não o conduzia só a uma actividade que poderíamos chamar exterior: também no seu interior agia operativamente este espírito, assumindo as inquietações do mundo inteiro. Diariamente, a partir da capela privada no Vaticano, percorria o globo. Por isso foi natural a resposta a um jornalista que perguntou como rezava: a oração do Papa - respondeu - é uma "peregrinação pelo mundo inteiro rezando com o pensamento e o coração". 

Na sua oração - explicava - emerge "a geografia das comunidades, das igrejas, das sociedades e também dos problemas que angustiam o mundo contemporâneo", e deste modo o Papa "expõe diante de Deus todas as alegrias e esperanças e ao mesmo tempo as tristezas e preocupações que a Igreja partilha com a humanidade contemporânea".

Esse coração universal e esse impulso missionário levaram-no a dialogar com pessoas de todos os tipos. Isso tornou-se patente durante o Jubileu do ano 2000; quis encontrar-se com crianças, jovens, adultos e idosos; com desportistas, artistas, governantes, políticos, polícias e militares; com trabalhadores do campo, universitários, presos e doentes; com famílias, pessoas do mundo do espectáculo, emigrantes e nómadas... 

A biografia de Karol Wojtyla pode também ler-se como um contínuo levar o Evangelho aos mais variados sectores da sociedade humana: às famílias, à escola e à fábrica, ao teatro e à literatura, às cidades de arranha-céus e aos bairros de barracas. A sua história levou-o a perceber com clareza que é possível tornar presente Cristo em todas as circunstâncias, também nos momentos trágicos da guerra mundial e das dominações totalitárias que imperaram na sua terra natal. Nos cenários mais diversos da modernidade, João Paulo II levou a luz de Jesus Cristo à humanidade inteira. Com a sua existência ensina-nos a descobrir Deus nas circunstâncias em que nos toca viver.

Numa das suas obras, S. Josemaría Escrivá de Balaguer, contempla Jesus na cruz como Sacerdote Eterno, que "abre os seus braços à humanidade inteira". Penso que a caminhada terrena de João Paulo II foi uma réplica fiel desse Senhor a acolher no Seu coração todos os homens e mulheres, derramando amor e misericórdia em cada um, com um acento especial para os doentes e os desvalidos.

A vida do cristão é procurar configurar-se com Cristo; e João Paulo II cumpriu-o de modo sublime: por causa da sua heróica correspondência à graça, da sua alegria de filho de Deus, pessoas de todas as raças e condições sociais viram brilhar nele o rosto do Ressuscitado. 

A fotografia que referi no início destas reflexões parece-me uma síntese visual da vida de João Paulo II: um Papa exausto pelo longo tempo de serviço às almas, que conduz o olhar do mundo para Jesus na cruz, para que cada um e cada uma encontre aí respostas para as suas interrogações mais profundas. A vida do novo beato é pois um exemplo de transparência cristã: tornar visível, através da própria vida, o rosto e os sentimentos misericordiosos de Jesus. Penso que é essa a razão e o segredo da sua eficácia evangelizadora. E estou convencido - assim o peço a Deus - de que a sua elevação aos altares induzirá no mundo e na Igreja uma onda de fé e de amor, de desejos de servir os outros e de gratidão ao Senhor.
(...)
Aos que o conhecemos em vida, cabe-nos agora o gostoso dever de o dar a conhecer às gerações vindouras. 

Javier Echevarría

(Fonte: jornal “i” em http://www.ionline.pt/conteudo/119426-a-transparencia-crista-joao-paulo-ii)

Pequenos gestos que significam muito…

Imagem não corresponde ao momento
narrado
Karol Wojtyla, desde que o vi no seu primeiro ato público, na cerimónia oficial na Praça de S. Pedro em que todos os Cardeais lhe prestaram reconhecimento individualmente, ganhou o meu coração.

Tenho gravado na minha memória, o seu gesto no momento em que o Cardeal Stefan Wyszyński se ajoelhou, e João Paulo II se levantou de imediato, para ajudar o seu amigo e mentor espiritual a levantar-se o abraçou protocolar mas fraternalmente (a foto não corresponde a esse momento), num aparente gesto simples, mas que define desde logo uma humildade e humanidade excepcional.

A sua coragem, o seu amor à vida e ao próximo, transformaram-no num excepcional exemplo perante a humanidade e estou convicto que a História lhe reconhecerá o relevante papel que desempenhou na Igreja e no mundo nos finais do séc. XX e início deste novo século.

JPR

Memória Litúrgica de São João Paulo II, †2005

São João Paulo II

João Paulo II, Karol Józef Wojtyła (18 de maio de 1920 -2 de abril de 2005), foi Papa de 16 de Outubro de 1978 até a sua morte. Teve o terceiro maior pontificado documentado da história. Foi o único Papa eslavo e polaco até a sua morte, e o primeiro Papa não-italiano desde o holandês Adriano VI em 1522.

João Paulo II foi aclamado como um dos líderes mais influentes do século XX. Teve um papel fundamental para o fim do comunismo na Polónia e em toda a Europa, bem como importância significante na melhora das relações da Igreja Católica com o judaismo, o islão e as igrejas ortodoxas e protestantes.

Prosseguindo no caminho já iniciado pelo Papa Paulo VI, a nível mundial foi um dos líderes que mais viajou na história, tendo visitado 129 países durante o seu pontificado. Sabia falar muitíssimos idiomas incluindo o português, além da sua língua materna o polaco. Deu um ênfase especial à vocação universal para a santidade; beatificou 1.340 pessoas e canonizou 483 santos, quantidade maior que todos os seus predecessores juntos pelos cinco séculos passados. Ao final da tarde do dia 2 de abril de 2005, faleceu devido a sua saúde débil e o agravamento da doença de Parkinson. Em 19 de dezembro de 2009 João Paulo II foi proclamado "Venerável" pelo seu sucessor, o Papa Bento XVI. Foi proclamado Beato em Roma no dia 1 de maio de 2011. Foi canonizado pelo Papa Francisco e com a presença do Papa emérito no dia 27 de abril de 2014, domingo da Divina Misericórdia.

«Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da tua face!» (Sl 4,7)

Santo António de Lisboa (c. 1195-1231), franciscano, doutor da Igreja
Sermões para o Domingo e as festas dos santos


Do mesmo modo que essa moeda tem a imagem de César, também a nossa alma é feita à imagem da Santíssima Trindade, como diz o salmo: «Resplandeça sobre nós, Senhor, a luz da tua face!» (Sl 4,7). […] Senhor, a luz da tua face, isto é, a luz da tua graça, que estabelece em nós a tua imagem e nos torna semelhantes a Ti, está impressa em nós, ou seja, está impressa na nossa razão, que é a potência mais elevada da nossa alma, e recebe essa luz como a cera recebe a marca de um sinete. A face de Deus é a nossa razão; pois, da mesma maneira que conhecemos cada um pela sua face, assim conhecemos a Deus pelo espelho da razão. Mas essa razão foi deformada pelo pecado do homem, pois o pecado torna o homem oposto a Deus. A graça de Cristo reparou a nossa razão. É por isso que o apóstolo Paulo diz aos Efésios: «Renovai o vosso espírito» (cf 4,23). O tema da luz, mencionado neste salmo, é, pois, a graça que restaura a imagem de Deus, impressa na nossa natureza. […]

Toda a Trindade marcou o homem à sua semelhança: pela memória, ele parece-se com o Pai; pela inteligência, parece-se com o Filho; pelo amor parece-se com o Espírito Santo. […] Quando foi criado, o homem foi feito «à imagem e semelhança de Deus» (Gn 1,26): sua imagem no conhecimento da verdade; sua semelhança no amor à virtude. A luz da face de Deus é, pois, a graça que nos justifica e revela de novo a imagem criada. Essa luz constitui todo o bem do homem, o seu verdadeiro bem; ela marca-o, tal como a imagem do imperador marca a moeda de prata. Por isso o Senhor acrescenta: «Dai a César o que é de César.» Como se dissesse: da mesma forma que atribuís a César a sua imagem dai também a Deus a vossa alma, ornada e marcada pela luz da sua face.

sábado, 21 de outubro de 2017

Deus não perde batalhas

Se tiveres caído, levanta-te com mais esperança! Só o amor-próprio não entende que o erro, quando se retifica, ajuda a conhecer-nos e a humilhar-nos. (Sulco, 724)

Para a frente, aconteça o que acontecer! Bem agarrado ao braço do Senhor, considera que Deus não perde batalhas. Se, por qualquer motivo, te afastas d'Ele, reage com a humildade de começar e de recomeçar; de fazer de filho pródigo todos os dias, inclusive repetidamente nas vinte e quatro horas do dia; de reconciliar o teu coração contrito na Confissão, verdadeiro milagre do Amor de Deus. Neste Sacramento maravilhoso, o Senhor limpa a tua alma e inunda-te de alegria e de força para não desanimares na tua luta e para voltares de novo sem cansaço a Deus, mesmo quando tudo te pareça obscuro. Além disso, a Mãe de Deus, que é também nossa Mãe, protege-te com a sua solicitude maternal e dá-te confiança no teu caminhar.

A sagrada Escritura adverte que até o justo cai sete vezes. Sempre que leio estas palavras, a minha alma estremece com um forte abalo de amor e de dor. Uma vez mais, vem o Senhor ao nosso encontro, com essa advertência divina, para nos falar da sua misericórdia, da sua ternura, da sua clemência, que nunca acabam. Estai seguros: Deus não quer as nossas misérias, mas não as desconhece e conta precisamente com essas debilidades para que nos façamos santos. (...)

Prostro-me diante de Deus e exponho-lhe claramente a minha situação. Logo tenho a segurança da sua assistência e oiço no fundo do meu coração o que ele me repete devagar: meus es tu!. Sabia – e sei – como és; para a frente! (Amigos de Deus, nn. 214–215)

São Josemaría Escrivá

O inferno passou por aqui!

Não basta que um governante não roube, nem mate, porque também por omissão pode faltar gravemente aos seus deveres, se não fizer o que devia ter feito.

Um jornalista perguntou uma vez ao cardeal Lustiger, já falecido, se acreditava na condenação eterna. O então arcebispo de Paris respondeu afirmativamente, como era de esperar de um católico coerente, mas depois, surpreendentemente, explicou que acreditava no inferno porque já o tinha visto! Perplexo, o entrevistador perguntou-lhe onde o vira, ao que o prelado, de origem judia, respondeu: Em Auschwitz, Treblinka, Dachau, etc. Se fosse hoje, o cardeal parisiense poderia acrescentar mais alguns lugares, como Pedrógão Grande, Mação e todas as outras povoações portuguesas que foram pasto das chamas nestes últimos meses.

Depois da tragédia de Pedrógão, todos pensámos: Nunca mais! Não todos, a bem dizer: o primeiro-ministro disse que os fogos iriam continuar, a então ministra da administração interna, a quem corresponde a tutela dessa área da governação, aconselhou resiliência às populações e um seu secretário de Estado até se deu ao luxo de recomendar aos cidadãos uma atitude mais pró-activa… Ante esta indiferença e conformismo governativo, não é muito de espantar que, num só dia, tenha deflagrado meio milhar de incêndios, que causaram a morte a mais de quatro dezenas de pessoas indefesas, destruíram por completo os bens de muitas famílias, dizimaram várias povoações e consumiram extensas zonas de vegetação. Em menos de meio ano, há já mais de uma centena de vidas humanas a lamentar, por manifesta negligência das autoridades, cuja incompetência é apenas comparável à sua descoordenação técnica e ineficácia operacional, não obstante os heroicos esforços dos bombeiros e das populações.

Um atentado terrorista, ou um terramoto, não são previsíveis; um furacão, ou um tsunami, só podem ser detectados com algumas horas de antecedência; mas estes incêndios ocorreram precisamente na época em que todos os anos, infelizmente, acontecem e por isso, mais do que previsíveis, eram certos, se nada se fizesse para os evitar ou extinguir. Também se soube, com antecipação, que este mês de Outubro iria ser excepcionalmente quente, pelo que ninguém – muito menos o governo ou a protecção civil – pode agora alegar qualquer imprevisibilidade, nem o desconhecimento, ou a excepcionalidade, das circunstâncias meteorológicas, aliás comuns a outros países.

Ante a manifesta incompetência do executivo, sempre muito atento às sondagens sobre a sua popularidade, mas alheado das desgraças que afligem o país, o chefe de Estado protagonizou, pelo contrário, uma atitude notável. Não só cancelou todos os seus compromissos protocolares, como se pôs a caminho das zonas mais afectadas, para prestar às populações, ainda em estado de choque e justamente indignadas, um apoio de que urgentemente careciam. Talvez alguns possam pensar que essa manifestação de afecto pelas vítimas dos incêndios é meramente sentimental, mas a verdade é que o presidente da República se expôs a ser incompreendido pelos que tanto sofreram pela incúria do Estado de que ele é, afinal, o máximo representante. Coragem que, ao que parece, faltou ao primeiro-ministro, à demissionária ministra da administração interna ou aos seus secretários de Estado …

Mas o presidente da República não se ficou por uma atitude meramente afectiva: fazendo uso das suas prerrogativas constitucionais, falou à nação; responsabilizou o governo, ao qual exigiu um pedido de desculpas pela sua indesculpável negligência; e comprometeu o parlamento na urgência de uma solução, que seja uma resposta célere e eficaz a esta tragédia. Em termos pessoais e institucionais, o chefe de Estado não podia ter feito mais e, por isso, merece o reconhecimento nacional por este inestimável serviço que prestou a Portugal.

Não é por acaso que, na Bíblia, a condenação eterna é muitas vezes representada pelo flagelo do fogo. Na pregação de Jesus Cristo, é recorrente a comparação do inferno com a geena, a lixeira de Jerusalém onde os detritos eram queimados (cf. Mt 5, 29-30; 10, 28). Tomás de Aquino afirma que a imagem do fogo pode não ser meramente simbólica, na medida em que traduz de forma realista o imenso sofrimento dos condenados.

É significativo que, na parábola do juízo final (Mt 25, 31-46), não são os assassinos, os idólatras, os adúlteros, os avarentos ou os ladrões que são excluídos do céu. Quem são, então, os condenados ao inferno?! Não são os que fizeram o mal, mas os que não fizeram o bem que podiam e deviam ter feito: os que não deram de comer nem de beber aos famintos e sedentos; os que não receberam os peregrinos; os que não vestiram os nus; os que não visitaram os presos, nem os doentes. Não se condenaram pelo mal que praticaram, mas pelo bem a que estavam obrigados e que omitiram.

Foi agora tornada pública a acusação contra o anterior primeiro-ministro socialista, por mais de trinta crimes alegadamente cometidos no exercício das suas funções. Quero crer que o actual chefe do governo não incorre nas supostas culpas daquele seu predecessor e correligionário, de quem foi, por ironia do destino, ministro da administração interna. Mas não basta que um governante não roube, nem seja corrupto: também pode faltar gravemente aos seus deveres públicos por omissão do que devia ter feito e não fez. Se uma tal negligência for responsável pelas mais de cem vítimas mortais já verificadas, é certamente criminosa.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador

(seleção de imagem 'Spe Deus')

O Evangelho de Domingo dia 22 de outubro de 2017

Então, retirando-se os fariseus, consultaram entre si como O surpreenderiam no que falasse. Enviaram seus discípulos juntamente com os herodianos, a dizer-Lhe: «Mestre, nós sabemos que és sincero, e que ensinas o caminho de Deus segundo a verdade, sem dar preferência a ninguém, porque não olhas às condições das pessoas. Diz-nos, pois, o Teu parecer: é lícito ou não dar o tributo a César?». Jesus, conhecendo a sua malícia, disse: «Porque Me tentais, hipócritas? Mostrai-Me a moeda do tributo». Eles apresentaram-Lhe um denário. E Jesus disse-lhes: «De quem é esta imagem e esta inscrição?». Responderam: «De César». Então disse-lhes: «Dai, pois, a César o que é de César e a Deus o que é de Deus».

Mt 22, 15-21

São Josemaría Escrivá nesta data em 1960

Recebe o doutoramento “honoris causa” pela Universidade de Saragoça. No discurso académico, disse: “Sete lustros passaram já desde que abandonei as aulas da Universidade de Saragoça e as terras de Aragão em que nasci. Longos anos que não conseguiram apagar da minha mente a recordação, nem afogar no coração o afecto por aquela Universidade nem por esta terra. Na Roma eterna, junto ao sepulcro de Pedro, ou viajando por todos os caminhos da Europa, a sua memória esteve e continua a estar sempre muito presente em mim”.

Que significa restabelecer a unidade de todos os cristãos?

Todos sabemos que existem numerosos modelos de unidade e vós sabeis também que a Igreja católica tem por objectivo a consecução da plena unidade visível dos discípulos de Jesus Cristo segundo a definição que dela fez o Concílio Ecuménico Vaticano II em vários dos seus documentos (cf.Lumen gentium, nn. 8 e 13; Unitatis redintegratio, nn. 2 e 4, etc.). Tal unidade subsiste, segundo a nossa convicção, na Igreja católica sem possibilidade de ser perdida (cf. Unitatis redintegratio, n. 4); de facto, a Igreja não desapareceu totalmente do mundo. Contudo, esta unidade não significa aquilo a que se poderia chamar ecumenismo de volta: isto é, renegar e recusar a própria história da fé. Absolutamente não! Não significa uniformidade em todas as expressões da teologia e da espiritualidade, nas formas litúrgicas e na disciplina. Unidade na multiplicidade e multiplicidade na unidade: na Homilia para a solenidade dos Santos Pedro e Paulo, a 29 de Junho passado, revelei que plena unidade e verdadeira catolicidade, no sentido originário da palavra, caminham juntas. A condição necessária para que esta coexistência se realize é que o compromisso pela unidade se purifique e se renove continuamente, cresça e mature. O diálogo pode contribuir para esta finalidade. Ele é mais do que um intercâmbio de pensamentos, de um empreendimento académico: é um intercâmbio de dons (cf. Ut unum sint, n. 28), no qual as Igrejas e as Comunidades eclesiais podem pôr à disposição os seus tesouros (cf. Lumen gentium, nn. 8 e 15; Unitatis redintegratio, nn. 3 e 14s; Ut unum sint, nn. 10-14). É precisamente graças a este compromisso que se pode prosseguir este caminho passo a passo até alcançar a unidade plena, quando, como diz a Carta aos Efésios, finalmente todos chegaremos "à unidade da fé e do conhecimento do Filho de Deus, ao homem adulto, à medida completa da plenitude de Cristo" (4, 13). Sem dúvida, este diálogo pode desenvolver-se unicamente num contexto de espiritualidade sincera e coerente. Não podemos "fazer" a unidade apenas com as nossas forças. Só a podemos obter com o dom do Espírito Santo. Por isso, o ecumenismo espiritual, isto é, a oração, a conversão e a santificação da vida constituem o coração do encontro e do movimento ecuménico (cf. Unitatis redintegratio, n. 8;Ut unum sint, nn. 15s., 21 etc.). Poder-se-ia dizer também: a melhor forma de ecumenismo consiste em viver segundo o Evangelho.

Bento XVI - excerto discurso em Colónia por ocasião do encontro ecuménico no Palácio Episcopal em 19.08.2005

Discernir os sinais do nosso tempo

São João Paulo II (1920-2005), papa 
Encíclica «Dives in Misericordia» § 15


A Igreja tem o direito e o dever de apelar «com grande clamor» para o Deus da misericórdia (Heb 5,7). Este «grande clamor» há-de caracterizar a Igreja do nosso tempo [...], um clamor a suplicar a misericórdia segundo as necessidades do homem no mundo contemporâneo. [...] Deus é fiel a Si próprio, à Sua paternidade e ao Seu amor! Como os Profetas, apelamos para este amor que tem características maternais e que, à semelhança da mãe, vai acompanhando cada um dos Seus filhos, cada ovelha desgarrada – ainda que houvesse milhões de extraviados, ainda que no mundo a iniquidade prevalecesse sobre a honestidade e ainda que a humanidade contemporânea merecesse pelos seus pecados um novo dilúvio, como outrora sucedeu com a geração de Noé.

Recorramos, pois, a tal amor, que permanece amor paterno, como nos foi revelado por Cristo na Sua missão messiânica, e que atingiu o ponto culminante na Sua Cruz, morte e ressurreição! Recorramos a Deus por meio de Cristo, lembrados das palavras do Magnificat de Maria, que proclamam a Sua misericórdia «de geração em geração» (Lc 1,50). Imploremos a misericórdia divina para a geração contemporânea [...]: elevemos as nossas súplicas, guiados pela fé, pela esperança e pela caridade que Cristo implantou no nosso coração.

Esta atitude é, ao mesmo tempo, amor para com este Deus que o homem contemporâneo por vezes afastou tanto de si que O considera um estranho e de várias maneiras O proclama supérfluo. É amor para com este Deus, em relação ao Qual sentimos profundamente quanto o homem contemporâneo O ofende e O rejeita. E por isso estamos prontos para clamar com Cristo na cruz: «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem» (Lc 23,24). Tal atitude é também amor para com os homens, para com todos os homens, sem excepção e sem qualquer discriminação: sem diferenças de raça, de cultura, de língua, de concepção do mundo, e sem distinção entre amigos e inimigos.

O rancor pode arruinar o coração

«…fazer um pequeno exame pessoal - sem escrúpulos, mas com sinceridade – para descobrir se nalgum cantinho do nosso coração guardamos de rancor a alguém, ou se tratamos com pouca delicadeza aos outros. Pode parecer uma coisa sem importância, mas o ressentimento, o rancor que às vezes podemos acumular na alma, pode converter-se em caruncho que destrói e converte em pó os nossos sentimentos mais valiosos, aqueles que com maior claridade manifestam a nossa condição de filos de Deus»

D. Javier Echevarría – Excerto homilia do dia 26.06.2014 em Roma com tradução de JPR

O rancor

«O rancor é o descontentamento fundamental do homem consigo mesmo, que se vinga, por assim dizer, no outro, porque através dele não lhe chega aquilo que todavia só lhe pode ser concedido com uma nova abertura da própria alma».

(Joseph Ratzinger - “Olhar para Cristo”)

O Evangelho do dia 21 de outubro de 2017

Digo-vos: Todo aquele que Me confessar diante dos homens, também o Filho do Homem o confessará diante dos anjos de Deus. Mas quem Me negar diante dos homens, será negado diante dos anjos de Deus. «Todo aquele que falar contra o Filho do Homem, ser-lhe-á perdoado; mas aquele que blasfemar contra o Espírito Santo, não lhe será perdoado. Quando vos levarem às sinagogas e perante os magistrados e autoridades, não estejais com cuidado de que modo respondereis, ou que direis, porque o Espírito Santo vos ensinará, naquele mesmo momento, o que deveis dizer».

Lc 12, 8-12