Quaresma

Quaresma
A Quaresma não é sinónimo de tristeza, mas de entrega, gratidão e oração. Após a Paixão, o Senhor alegra-nos com a Sua gloriosa Ressurreição

terça-feira, 31 de janeiro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1940

Realiza uma das suas frequentes viagens de Madrid a Valência. “Pelos primeiros anos da década de quarenta, ia muitas vezes a Valência. Não tinha nessa altura nenhum meio humano e, com os que se reuniam com este pobre sacerdote - como agora convosco –, fazia oração onde podíamos, algumas tardes numa praia solitária. Como os primeiros amigos do Mestre, lembras-te? Escreve São Lucas que, «ao sair de Tiro com Paulo, a caminho de Jerusalém, ‘acompanharam-nos todos com as suas mulheres e filhos até fora da cidade e, ajoelhados na praia, orávamos».”

O Evangelho do dia 31 de janeiro de 2017

Tendo Jesus passado novamente na barca para a outra margem, acorreu a Ele muita gente, e Ele estava junto do mar. Chegou um dos chefes da sinagoga, chamado Jairo, que, vendo-O, lançou-se a Seus pés, e suplicava-Lhe com insistência: «Minha filha está nas últimas; vem, impõe sobre ela as mãos, para que seja salva e viva». Jesus foi com ele; e uma grande multidão O seguia e O apertava. Então, uma mulher que havia doze anos padecia um fluxo de sangue, e tinha sofrido muito de muitos médicos, e gastara tudo quanto possuía, sem ter sentido melhoras, antes cada vez se achava pior, tendo ouvido falar de Jesus, foi por detrás entre a multidão e tocou o Seu manto. Porque dizia: «Se eu tocar, ainda que seja só o Seu manto, ficarei curada». Imediatamente parou o fluxo de sangue e sentiu no seu corpo estar curada do mal. Jesus, conhecendo logo em Si mesmo a força que saíra d'Ele, voltado para a multidão, disse: «Quem tocou os Meus vestidos?». Os Seus discípulos responderam: «Tu vês que a multidão Te comprime, e perguntas: “Quem Me tocou?”». E Jesus olhava em volta para ver quem tinha feito aquilo. Então a mulher, que sabia o que se tinha passado nela, cheia de medo e a tremer, foi prostrar-se diante d'Ele, e disse-Lhe toda a verdade. Jesus disse-lhe: «Filha, a tua fé te salvou; vai em paz e fica curada do teu mal». Ainda Ele falava, quando chegaram da casa do chefe da sinagoga, dizendo: «Tua filha morreu; para que incomodar mais o Mestre?». Porém, Jesus, tendo ouvido o que eles diziam, disse ao chefe da sinagoga: «Não temas; crê somente». E não permitiu que ninguém O acompanhasse, senão Pedro, Tiago e João, irmão de Tiago. Ao chegarem a casa do chefe da sinagoga, viu Jesus o alvoroço e os que estavam a chorar e a gritar. Tendo entrado, disse-lhes: «Porque vos perturbais e chorais? A menina não está morta, mas dorme». E troçavam d'Ele. Mas Ele, tendo feito sair todos, tomou o pai e a mãe da menina e os que O acompanhavam, e entrou onde a menina estava deitada. Tomando a mão da menina, disse-lhe: «Talitha kum» , que quer dizer: «Menina, Eu te mando, levanta-te». A menina imediatamente levantou-se e andava, pois tinha já doze anos. Ficaram cheios de grande espanto. Jesus ordenou-lhes com insistência que ninguém o soubesse. Depois disse que dessem de comer à menina.

MC 5, 21-43

segunda-feira, 30 de janeiro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1938



Escreve nos seus Apontamentos íntimos: “Muita vontade de solidão. Vejo-me como uma bola, lançada à parede uma vez e outra pelo meu Pai-Deus, ora atirado com o pé, ora recebendo uma carícia das suas mãos...”.

O Evangelho do dia 30 de janeiro de 2017

Chegaram ao outro lado do mar, ao território dos gerasenos. Ao sair Jesus da barca, foi logo ter com Ele, saindo dos sepulcros, um homem possesso de um espírito imundo. Tinha o seu domicílio nos sepulcros, e já ninguém conseguia segurá-lo com cadeias. Tendo sido preso muitas vezes com grilhões e com cadeias, tinha quebrado as cadeias e despedaçado os grilhões e ninguém o podia dominar. E sempre, dia e noite, andava pelos sepulcros e pelos montes, gritando e ferindo-se com pedras. Ao ver de longe Jesus, correu e prostrou-se diante d'Ele e clamou em alta voz: «Que tens Tu comigo, Jesus, Filho do Deus Altíssimo? Por Deus eu Te conjuro que não me atormentes». Porque Jesus dizia-lhe: «Espírito imundo sai desse homem». Depois perguntou-lhe: «Como te chamas?». Ele respondeu: «O meu nome é Legião, porque somos muitos». E suplicava-Lhe insistentemente que não o expulsasse daquela região. Andava ali, próximo do monte, uma grande vara de porcos a pastar. Os espíritos imundos suplicaram-Lhe: «Manda-nos para os porcos, para nos metermos neles». Jesus consentiu. Então os espíritos imundos saíram e entraram nos porcos, e a vara, que era de cerca de dois mil, precipitou-se por um despenhadeiro no mar onde se afogaram. Os guardadores fugiram e contaram o facto pela cidade e pelos campos. E o povo foi ver o que tinha sucedido. Foram ter com Jesus e viram o que tinha estado possesso do demónio sentado, vestido e são do juízo; ele, que tinha estado possesso de uma legião inteira; e tiveram medo. Os que tinham visto contaram-lhes o que tinha acontecido ao endemoninhado e aos porcos. Então começaram a pedir a Jesus que se retirasse do seu território. Quando Jesus subia para a barca, o que fora possesso do demónio começou a pedir-Lhe que lhe permitisse acompanhá-l'O. Mas Jesus não o permitiu, antes lhe disse: «Vai para tua casa, para os teus, e conta-lhes tudo o que o Senhor te fez, e como teve piedade de ti». Ele retirou-se Ele retirou-se e começou a proclamar pela Decápole que grandes coisas Jesus lhe tinha feito; e todos se admiravam.

Mc 5, 1-20

domingo, 29 de janeiro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1945

Sai de Madrid e empreende uma viagem que o levará pela primeira vez a Portugal. Na Galiza, antes de entrar em Portugal, visita a Irmã Lúcia, a vidente de Fátima. “Não falámos das aparições de Nossa Senhora; nunca o fiz. É uma mulher de uma humildade maravilhosa. Sempre que estou com ela, recordo-lhe que teve um papel importante nos começos da Obra em Portugal”.

Bom Domingo do Senhor!

Saibamos dar graças e louvores ao Senhor pelo bem que nos quis e quer tão bem expresso nas Bem-aventuranças que nos fala o Evangelho de hoje (Mt 5, 1-12).

Louvado seja Deus Nosso Senhor pela sua Palavra de misericórdia!

«Creio na comunhão dos santos»

Balduíno de Ford (? - c. 1190), abade cisterciense e posteriormente bispo
Tratado da vida cenobita

Irmãos amados, velemos com cuidado sobre tudo o que diz respeito à nossa vida comunitária, «esforçando-vos por manter a unidade do Espírito, mediante o vínculo da paz» pela «graça do Senhor Jesus Cristo, o amor de Deus e a comunhão do Espírito Santo» (Ef 4,3; 2Co 13,13). Do amor de Deus procede a unidade do espírito; da graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o vínculo da paz; da comunhão do Espírito Santo, a comunhão necessária àqueles que vivem em comum. [...]

«Creio no Espírito Santo, na santa Igreja Católica, na comunhão dos santos» (Credo). Aqui reside a minha esperança, a minha confiança, toda a minha segurança na confissão da minha fé. [...] Se me for dado, Senhor, poder «amar-Te e amar o meu próximo» (cf Mt 22,37-39), embora os meus méritos sejam bem poucos, a minha esperança eleva-se muito acima deles. Tenho confiança que, pela comunhão da caridade, os méritos dos santos me sejam úteis e, assim, a comunhão dos santos suprirá a minha insuficiência e a minha imperfeição. [...] A caridade dilata a nossa esperança até à comunhão dos santos, na comunhão das recompensas. Mas essa diz respeito aos tempos futuros: é a comunhão da glória que será revelada em nós.

Assim, há três comunhões: a comunhão da natureza, à qual se juntou a comunhão do pecado [...]; a comunhão da graça; e, finalmente, a da glória. Pela comunhão da graça, a comunhão da natureza começa a ser restabelecida e a do pecado é excluída; mas, pela comunhão da glória, a da natureza será reparada na perfeição e a cólera de Deus será totalmente excluída, quando «o Senhor Deus enxugar as lágrimas de todas as faces» dos santos (cf Is 25,8; Ap 21,4). Então, todos os santos terão como que «um só coração e uma só alma»; e «entre eles tudo será em comum», pois Deus será «tudo em todos» (cf Act 4,32; 1Co 15,28). Para que cheguemos a essa comunhão e nos assemelhemos na unidade, «que a graça de Nosso Senhor Jesus Cristo, o amor do Pai e a comunhão do Espírito Santo estejam sempre connosco. Ámen».

sábado, 28 de janeiro de 2017

Crónica da eleição do novo Prelado (legendado)

Um novo rumo para o Opus Dei?

O novo prelado, Mons. Fernando Ocáriz, já definiu os objectivos pastorais do Opus Dei para os próximos anos: os jovens, a família, a luta contra a pobreza e os doentes em sintonia com o Papa Francisco

Medalha oferecida pelo Santo Padre e enviada com a nomeação
Desde o passado dia 23, o Opus Dei tem um novo prelado: Mons. Fernando Ocáriz que, até à morte do seu antecessor, tinha sido vigário auxiliar da prelatura. Foi formalmente nomeado prelado pelo Papa Francisco, no próprio dia da sua eleição por representantes dos fiéis da prelatura do mundo inteiro.

A rapidez da eleição, confirmação e nomeação não é de estranhar: há já alguns anos que Mons. Ocáriz governava a prelatura, pois o anterior prelado, D. Javier Echevarria, nele tinha delegado praticamente todas as suas competências, com excepção das que implicavam o exercício da sua condição episcopal. Primeiro, como vigário geral do Opus Dei e, depois, como vigário auxiliar, o P. Fernando Ocáriz já era bem conhecido por Francisco, dada também a grande proximidade, efectiva e afectiva, do Opus Dei a todos os pontífices romanos, nomeadamente o actual papa. É consultor, desde 1986, da Congregação para a Doutrina da Fé e, desde 2003, da Congregação para o Clero. É também membro, há mais de vinte cinco anos, da Academia Pontifícia de Teologia.

Um novo prelado e, talvez, um novo rumo para a prelatura. Ao seu antecessor, Echevarria, se ficou a dever uma muito significativa mudança de estilo, sobretudo no que respeita à nem sempre fácil relação do Opus Dei com as outras instituições eclesiais e com os meios de comunicação social. Como escreveu, a este propósito, John L. Allen Jr., “os entendidos sobre o Opus Dei afirmavam a existência de uma profunda fissura, na instituição, entre uma prática da discrição e uma cultura da transparência, defensora de uma atitude de abertura e de divulgação da vida interna e da filosofia da instituição, na convicção de que a realidade é preferível à mitologia e à ‘lenda negra’ que, entretanto, se tinha difundido”.

John Allen, vaticanista não só não conotado com o Opus Dei como autor de uma obra crítica sobre esta controversa instituição eclesial (Opus Dei, Um olhar objectivo para além dos mitos da realidade da mais controversa força da Igreja católica, Alêtheia 2005), atribuiu ao anterior bispo e prelado um papel determinante nesta abertura: “Como prelado, Echevarria apostou decisivamente na transparência e o resultado foi uma rápida ‘normalização’ do estatuto do Opus Dei dentro da Igreja católica e a correspondente diminuição do nível de controvérsia e de animosidade. Quando Echevarria iniciou o seu mandato, havia ainda muitos bispos católicos que desconfiavam de qualquer iniciativa relacionada com o Opus Dei, mas em 2016 esse temor desapareceu quase completamente. Agora, a grande maioria dos bispos e dos responsáveis da Igreja olham para o Opus Dei como olham para a Cáritas ou para os Salesianos, ou seja, simplesmente como mais uma peça no mobiliário da sala de estar católica”.

É verdade que o Opus Dei foi muito atacado e incompreendido em termos mediáticos e talvez ainda hoje o seja por pessoas menos informadas, ou mal-intencionadas. Muitas das críticas dirigidas contra o espírito e a praxe da prelatura mais não são do que a reedição dos ataques que, em eras passadas, foram igualmente feitos a outras instituições eclesiais, que foram também, a seu tempo, inovadoras, como as ordens mendicantes ou os jesuítas. Segundo Allen, o Opus Dei também teve alguma culpa nessa desinformação, porque tinha “o que muitos consideravam a informação mais disfuncional de toda a Igreja Católica, recusando, por princípio, até mesmo responder a perguntas legítimas e, por essa via, alimentando imagens negativas” da própria instituição.

Graças a Echevarria, a situação inverteu-se totalmente: o Opus Dei deixou de ser a instituição eclesial com pior informação, para ser a que se considera, em Roma e segundo Allen, a melhor. “Na actualidade, a Universidade della Santa Croce, que o Opus Dei dirige em Roma, promove um curso de formação para jornalistas de todo o mundo, que informam sobre o Vaticano e a Igreja Católica, o ‘Church up close’. Provavelmente, qualquer responsável católico que precise de ajuda para resolver problemas de comunicação, a primeira coisa que tem a fazer é telefonar a alguém do Opus Dei. Tudo isto – conclui John Allen – foi o resultado de uma política iniciada e confirmada por Echevarria e que se baseia no princípio: ‘nada temos a ocultar, porque nada temos a temer’”.

Com o novo prelado, uma nova etapa se inicia na história do Opus Dei. De nacionalidade espanhola, como o fundador e os seus dois primeiros sucessores, Mons. Ocáriz nasceu em 1944 em Paris, cidade onde a sua família, de tradição republicana, se exilou, por motivos políticos, durante o franquismo. Mais tarde regressou a Espanha, onde se licenciou em Física, na Universidade de Barcelona. Depois, licenciou-se em Teologia na Universidade Lateranense, em Roma, tendo posteriormente obtido o respectivo doutoramento. Ocáriz é autor de uma notável obra teológica, mas também abordou temas filosóficos, como o seu Marxismo, teoria e praxis de uma revolução, que é, talvez, um dos melhores estudos sobre esta ideologia; e Voltaire, tratado sobre a tolerância.

São Josemaria era sobretudo um carismático e os seus dois primeiros sucessores – os bispos prelados Portillo e Echevarria – foram também mais práticos do que especulativos. Ocáriz poderá enriquecer o carisma fundacional com a sua própria perspectiva filosófica e teológica, por forma a dinamizar o diálogo com a cultura pós-moderna e a potenciar a acção apostólica dos fiéis da prelatura, em todos os ambientes profissionais.

O novo prelado, na sua primeira conferência de imprensa, logo após a sua eleição e nomeação pontifícia, enumerou os objectivos pastorais a que vai dar prioridade: os jovens, a família, a luta contra a pobreza e os doentes, em total sintonia com o pontificado do Papa Francisco. Inicia-se assim uma nova etapa na história da prelatura do Opus Dei, na fidelidade ao carisma fundacional e ao espírito do Vaticano II, ao serviço da Igreja, da paz e da justiça social.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI
(seleção de imagens 'Spe Deus')

O Evangelho de Domingo dia 29 de janeiro de 2017

Vendo Jesus aquelas multidões, subiu a um monte e, tendo-Se sentado, aproximaram-se d'Ele os discípulos.  E pôs-Se a falar e ensinava-os, dizendo: «Bem-aventurados os pobres em espírito, porque deles é o Reino dos Céus. «Bem-aventurados os que choram, porque serão consolados. «Bem-aventurados os mansos, porque herdarão a terra. «Bem-aventurados os que têm fome e sede de justiça, porque serão saciados. «Bem-aventurados os misericordiosos, porque alcançarão misericórdia. «Bem-aventurados os puros de coração, porque verão a Deus. «Bem-aventurados os que promovem a paz, porque serão chamados filhos de Deus. «Bem-aventurados os que sofrem perseguição por amor da justiça, porque deles é o Reino dos Céus. «Bem-aventurados sereis, quando vos insultarem, vos perseguirem, e disserem falsamente toda a espécie de mal contra vós por causa de Mim. Alegrai-vos e exultai, porque será grande a vossa recompensa nos céus, pois também assim perseguiram os profetas que viveram antes de vós.

Mt 5, 1-12

São Josemaría Escrivá nesta data em 1972

Diz àqueles que se encontram com ele em Roma: “O apostolado, a preocupação pelas almas, é como o carinho quando é sincero: está-se sempre convencido de que não se quer bastante. Eu quero-vos a vós, quero a todas as pessoas com toda a minha alma e contudo, parece-me sempre que posso querer-vos mais, e que posso servir-vos mais”.

O Evangelho do dia 28 de janeiro de 2017

Naquele mesmo dia, ao cair da tarde, disse-lhes: «Passemos à outra margem». Eles, deixando a multidão, levaram-n'O consigo, assim como estava, na barca. Outras embarcações O seguiram. Então levantou-se uma grande tempestade de vento, e as ondas lançavam-se sobre a barca, de tal modo que a barca se enchia de água. Jesus estava na popa a dormir sobre um travesseiro. Acordaram-n'O e disseram-Lhe: «Mestre, não Te importas que pereçamos?». Ele levantou-Se, ameaçou o vento e disse para o mar: «Cala-te, emudece». O vento amainou e seguiu-se uma grande bonança. Depois disse-lhes: «Porque sois tão medrosos? Ainda não tendes fé?». Ficaram cheios de grande temor, e diziam uns para os outros: «Quem será Este, que até o vento e o mar Lhe obedecem?». 

Mc 4, 35-41

sexta-feira, 27 de janeiro de 2017

Santa Maria da Paz, Igreja prelatícia do Opus Dei em Roma (legendado)

São Josemaría Escrivá nesta data em 1934

Escreve: “Faz tudo desinteressadamente, por puro amor, como se não houvesse prémio nem castigo. – Mas fomenta no teu coração a gloriosa esperança do Céu”

Rezemos para que Ives Gandra Martins Filho seja escolhido

O Evangelho do dia 27 de janeiro de 2014

Dizia também: «O reino de Deus é como um homem que lança a semente à terra. Dorme e se levanta, noite e dia, e a semente germina e cresce sem ele saber como. Porque a terra por si mesma produz, primeiramente a haste, depois a espiga, e por último a espiga cheia de grãos. E, quando o fruto está maduro, mete logo a foice, porque chegou o tempo da ceifa». Dizia mais: «A que coisa compararemos nós o reino de Deus? Com que parábola o representaremos? É como um grão de mostarda que, quando se semeia no campo, é a menor de todas as sementes que há na terra; mas, depois que é semeado, cresce e torna-se maior que todas as hortaliças, e cria ramos tão grandes que “as aves do céu podem vir abrigar-se à sua sombra”». Assim lhes propunha a palavra com muitas parábolas como estas, conforme eram capazes de compreender. Não lhes falava sem parábolas; porém, em particular explicava tudo aos Seus discípulos.

Mc 4, 26-34

quinta-feira, 26 de janeiro de 2017

Medalha oferecida pelo Santo Padre ao novo Prelado Mons. Fernando Ocáriz


Conversa com jornalistas (legendado)

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

Escreve o texto que depois se converterá no ponto n. 1 de Caminho: “Que a tua vida não seja uma vida estéril. – Sê útil, deixa rasto. – Ilumina, com o resplendor da tua fé e do teu amor. Apaga, com a tua vida de apóstolo, o rasto viscoso e sujo que deixaram os semeadores impuros do ódio. – E incendeia todos os caminhos da Terra com o fogo de Cristo que levas no coração”.

‘Mãe’ poema-oração de Joaquim Mexia Alves

Sim,
palavra tão pequena
e no entanto,
por ela tudo se realizou.

Cabeça baixa,
não de vergonha,
mas de humildade,
aquela que tudo aceitou,
disse sim,
fez-se mãe da humanidade.

E Ele nasceu,
viveu e cresceu,
e Ela,
mãe incomparável,
percebendo a cada momento
que o Filho não era só dela,
mas se tinha feito Carne,
para cada um,
para todos.

Ele dá-se aos outros,
nem A recebe,
quando O procura,
mas não há ciúme,
apenas e só oração,
como quem tudo guarda…
no coração.

Buscam-no,
para O matar,
com o beijo da perfídia,
como se fosse possível,
matar a própria vida.

Ela a tudo assiste,
quieta, calada
tranquila e em paz.
Não há sequer um queixume,
um ai,
um lamento,
por ver o Filho de Deus
sofrer um tal tormento.

Aos pés da Cruz,
levanta finalmente a cabeça,
para olhar para a humildade,
que ali se faz presença.

O seu coração,
abre-se num grito mudo,
já não por Aquele que morre,
mas por aqueles que nada tendo,
não querem perceber,
que naquela Cruz,
está o Todo,
está o Tudo.

Mãe de infinita graça,
Mãe da humildade serena,
Mãe de Cristo,
Mãe de todos,
Mãe de mim.

Que o Nome do teu Filho,
e o teu minha doce Mãe,
estejam na minha boca,
e no meu coração,
também,
quando chegar a hora,
de eu ir para o Pai,
oh Mãe!

Monte Real, 23 de Janeiro de 2012

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.com/2012/01/mae.html

O Evangelho do dia 26 de janeiro de 2017

Depois disto, o Senhor escolheu outros setenta e dois, e mandou-os dois a dois à Sua frente por todas as cidades e lugares onde havia de ir. Disse-lhes: «Grande é na verdade a messe, mas os operários poucos. Rogai, pois, ao dono da messe que mande operários para a Sua messe. Ide; eis que Eu vos envio como cordeiros entre lobos. Não leveis bolsa, nem alforge, nem calçado, e não saudeis ninguém pelo caminho. Na casa em que entrardes, dizei primeiro: A paz seja nesta casa. Se ali houver algum filho da paz, repousará sobre ele a vossa paz; senão, tornará para vós. Permanecei na mesma casa, comendo e bebendo do que tiverem, porque o operário é digno da sua recompensa. Não andeis de casa em casa. Em qualquer cidade em que entrardes e vos receberem, comei o que vos puserem diante; curai os enfermos que nela houver, e dizei-lhes: Está próximo de vós o reino de Deus.

Lc 10, 1-9

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

Conversão de S. Paulo momento em que Ananias o faz recuperar a vista

Homilia do Papa Francisco na solenidade da conversão de São Paulo

O encontro com Jesus na estrada para Damasco transforma radicalmente a vida de Paulo. A partir de então, para ele, o sentido da existência já não está em confiar nas próprias forças para observar escrupulosamente a Lei, mas em aderir com todo o seu ser ao amor gratuito e imerecido de Deus, a Jesus Cristo crucificado e ressuscitado. Conhece, assim, a irrupção duma vida nova, a vida segundo o Espírito, na qual, pelo poder do Senhor ressuscitado, experimenta perdão, confidência e conforto. E Paulo não pode guardar para si mesmo esta novidade: é impelido pela graça a proclamar a feliz notícia do amor e da reconciliação que Deus oferece plenamente em Cristo à humanidade.

Para o Apóstolo dos Gentios, a reconciliação do homem com Deus, da qual foi feito embaixador (cf. 2 Cor 5, 20), é um dom que vem de Cristo. Vê-se isto claramente no texto da II Carta aos Coríntios, onde se foi buscar, este ano, o tema da Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos: «O amor de Cristo impele-nos para a reconciliação» (cf. 2 Cor 5, 14-20). «O amor de Cristo»: não se trata do nosso amor por Cristo, mas do amor que Cristo tem por nós. Da mesma forma, a reconciliação para a qual somos impelidos não é simplesmente iniciativa nossa: é primariamente a reconciliação que Deus nos oferece em Cristo. Antes de ser esforço humano de crentes que procuram superar as suas divisões, é um dom gratuito de Deus. Como resultado deste dom, a pessoa perdoada e amada é chamada, por sua vez, a proclamar o evangelho da reconciliação em palavras e obras, a viver e dar testemunho duma existência reconciliada.

Nesta perspetiva, podemos hoje perguntar-nos: Como é possível proclamar este evangelho de reconciliação depois de séculos de divisões? O próprio Paulo nos ajuda a encontrar o caminho. Ele sublinha que a reconciliação em Cristo não se pode realizar sem sacrifício. Jesus deu a sua vida, morrendo por todos. De modo semelhante os embaixadores de reconciliação, em seu nome, são chamados a dar a vida, a não viver mais para si mesmos, mas para Aquele que morreu e ressuscitou por eles (cf. 2 Cor 5, 14-15). Como ensina Jesus, só quando perdemos a vida por amor d’Ele é que verdadeiramente a temos ganha (cf. Lc 9, 24). É a revolução que Paulo viveu, mas é também a revolução cristã de sempre: deixar de viver para nós mesmos, buscando os nossos interesses e promoção da nossa imagem, mas reproduzir a imagem de Cristo, vivendo para Ele e de acordo com Ele, com o seu amor e no seu amor.

Para a Igreja, para cada Confissão Cristã, é um convite a não se basear em programas, cálculos e benefícios, a não se abandonar a oportunidades e modas passageiras, mas a procurar o caminho com o olhar sempre fixo na cruz do Senhor: lá está o nosso programa de vida. É um convite também a sair de todo o isolamento, a superar a tentação da autorreferência, que impede de individuar aquilo que o Espírito Santo realiza fora do nosso próprio espaço. Poderá realizar-se uma autêntica reconciliação entre os cristãos, quando soubermos reconhecer os dons uns dos outros e formos capazes, com humildade e docilidade, de aprender uns dos outros – aprender uns dos outros –, sem esperar que primeiro sejam os outros a aprender de nós.

Se vivermos este morrer para nós mesmos por amor de Jesus, o nosso estilo velho de vida é relegado para o passado e, como aconteceu a São Paulo, entramos numa nova forma de existência e comunhão. Com Paulo, poderemos dizer: «O que era antigo passou» (2 Cor 5, 17). Olhar para trás é útil e muito necessário para purificar a memória, mas fixar-se no passado, delongando-se a lembrar as injustiças sofridas e cometidas e julgando com parâmetros apenas humanos, pode paralisar e impedir de viver o presente. A Palavra de Deus encoraja-nos a tirar força da memória, a recordar o bem recebido do Senhor; mas pede-nos também que deixemos o passado para trás a fim de seguir Jesus no presente e, n’Ele, viver uma vida nova. Àquele que renova todas as coisas (cf. Ap 21, 5), consintamos-Lhe de nos orientar para um futuro novo, aberto à esperança que não desilude, um futuro onde será possível superar as divisões e os crentes, renovados no amor, encontrar-se-ão plena e visivelmente unidos.

Enquanto avançamos pelo caminho da unidade, recordamos este ano de modo particular o quinto centenário da Reforma Protestante. O facto de católicos e luteranos poderem hoje recordar, juntos, um evento que dividiu os cristãos e de o fazerem com a esperança posta sobretudo em Jesus e na sua obra de reconciliação, constitui um marco significativo, alcançado – graças a Deus e à oração – através de cinquenta anos de mútuo conhecimento e de diálogo ecuménico.

Implorando de Deus o dom da reconciliação com Ele e entre nós, dirijo as minhas cordiais e fraternas saudações a Sua Eminência o Metropolita Gennadios, representante do Patriarcado Ecuménico, a Sua Graça David Moxon, representante pessoal em Roma do Arcebispo de Cantuária, e a todos os representantes das diversas Igrejas e Comunidades eclesiais aqui reunidos. Saúdo com particular alegria os membros da Comissão Mista para o Diálogo Teológico entre a Igreja Católica e as Igrejas Ortodoxas Orientais, a quem desejo um fecundo trabalho na Sessão Plenária que se desenrola nestes dias. Saúdo também os alunos do Instituto Ecuménico de Bossey – vi-os esta manhã muito contentes –, que visitam Roma para aprofundar o seu conhecimento da Igreja Católica, e os jovens ortodoxos e todos os ortodoxos orientais que estudam em Roma, graças às bolsas de estudo do Comité de Colaboração Cultural com as Igrejas Ortodoxas, sediado no Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos. Aos Superiores e a todos os Colaboradores deste Dicastério, exprimo a minha estima e gratidão.

Amados irmãos e irmãs, a nossa oração pela unidade dos cristãos é participação na oração que Jesus dirigiu ao Pai, antes da Paixão, «para que todos sejam um só» (Jo 17, 21). Nunca nos cansemos de pedir a Deus este dom. Na expectativa paciente e confiada de que o Pai conceda a todos os crentes o bem da plena comunhão visível, prossigamos o nosso caminho de reconciliação e diálogo, encorajados pelo testemunho heroico de tantos irmãos e irmãs, de ontem e de hoje, unidos no sofrimento pelo nome de Jesus. Aproveitemos todas as oportunidades que a Providência nos oferece para rezar juntos, anunciar juntos, amar e servir juntos sobretudo quem é mais pobre e negligenciado.

Audiência geral (resumo)

Locutor: A Bíblia apresenta-nos Judite como a grande heroína de Israel que encorajou os chefes e o povo de Betúlia a esperarem, incondicionalmente, no Senhor e assim libertou a cidade da morte a que estava votada pelo general Holofernes. Em consequência do cerco, a cidade já estava sem pão nem água; a situação era tão dramática que o povo pediu aos responsáveis para declararem a rendição ao invasor. Diante de tanto desespero, os chefes do povo propõem-lhe esperar ainda cinco dias, a ver se Deus os socorre. É aqui que entra Judite: «Agora, colocais o Senhor todo-poderoso à prova! Mesmo que Ele não queira enviar-nos auxílio durante estes cinco dias, tem poder para nos proteger dos nossos inimigos, em qualquer outro momento que seja do seu agrado. Esperemos pela sua libertação!» Com a força dum profeta, aquela mulher convida a sua gente a manter viva a esperança no Senhor. E aquela esperança foi premiada: Deus salvou Betúlia pela mão de Judite. Com ela, aprendamos a não pôr condições a Deus. Confiar n’Ele significa entrar nos seus desígnios sem nada pretender, aceitando inclusivamente que a sua salvação e o seu auxílio nos cheguem de modo diverso das nossas expetativas. Nós pedimos ao Senhor vida, saúde, amizade, felicidade… E é justo que o façamos; mas na certeza que Deus sabe tirar vida até da morte, que se pode sentir paz mesmo na doença, serenidade mesmo na solidão e felicidade mesmo no pranto. Não podemos ensinar a Deus aquilo que Ele deve fazer, nem aquilo de que temos necessidade. Ele sabe isso melhor do que nós; devemos confiar, porque os seus caminhos e os seus pensamentos são diferentes dos nossos. Por isso, confiemo-nos ao Pai do Céu, como fez Jesus na agonia do Getsémani: «Pai, se quiseres, afasta de Mim este cálice; contudo não se faça a minha vontade, mas a tua».

Santo Padre:
Rivolgo un cordiale saluto ai pellegrini di lingua portoghese, in particolare a quanti sono venuti dal Brasile (e se vogliono cantare alla Madonna di Aparecida, possono farlo ...), invitando tutti a rimanere fedeli a Cristo Gesù. Egli ci sfida a uscire dal nostro mondo piccolo e ristretto verso il Regno di Dio e la vera libertà. Lo Spirito Santo vi illumini affinché possiate portare la Benedizione di Dio a tutti gli uomini. La Vergine Madre vegli sul vostro cammino e vi protegga.

Locutor: Dirijo uma cordial saudação aos peregrinos de língua portuguesa, especialmente a quantos vieram do Brasil, convidando todos a permanecer fiéis a Cristo Jesus. Ele desafia-nos a sair do nosso mundo limitado e estreito para o Reino de Deus e a verdadeira liberdade. O Espírito Santo vos ilumine para poderdes levar a Bênção de Deus a todos os homens. A Virgem Mãe vele sobre o vosso caminho e vos proteja.

CONVERSÃO DE SÃO PAULO

No dia 25 de Janeiro a Igreja comemora a conversão de São Paulo.
Habituámo-nos a olhar para Saulo como um homem terrível, um criminoso que perseguia os cristãos para os matar. Enfim um homem que nada tinha a ver com Deus.
E realmente pelo que a Bíblia nos conta, Saulo, perseguia os cristãos para os prender, para os entregar à justiça daqueles tempos, justiça essa que invariavelmente os condenava à morte.
Tal se percebe logo no relato do martírio de Santo Estêvão, em que Saulo está presente, pois o Livro dos Actos dos Apóstolos narra especificamente que: «As testemunhas depuseram as capas aos pés de um jovem chamado Saulo.» Act 7, 58
Mas Saulo não era um homem “fora de Deus”!

Pelo contrário, Saulo era um homem que procurava Deus, que procurava viver Deus na sua vida, que estudava e tinha conhecimentos profundos das Escrituras e tentava vivê-las o mais fielmente que lhe era possível.
Devemos lembrar-nos que naqueles tempos as leis não eram as leis que hoje temos e que, portanto, aquilo que hoje aos nossos olhos é incompreensível, (os martírios, etc.), eram naquele tempo compreendidos de outro modo.
Aliás, os ensinamentos de Jesus Cristo vieram precisamente mudar esse tipo de leis, para fazer compreender aos homens que Deus é amor e que tudo o que é feito em seu nome, tem de ser feito em amor.

Saulo era portanto um homem que procurava Deus, que procurava com entrega total servir a Deus.
Quando Saulo se desloca para Damasco, (a pé, porque os Actos dos Apóstolos não nos referem cavalo algum), vai na sua consciência para servir a Deus, pois a sua missão era prender aqueles que seguiam a Cristo e que nesse tempo eram entendidos como uma seita fora de Deus.

E, «quem procura, encontra» Mt 7, 8, por isso Saulo, nessa sua procura de Deus, vai encontra-lO num caminho em que ele nunca O esperaria encontrar.
É o próprio Jesus Cristo que o vai fazer entender que o Deus que Saulo procura é Aquele que ele mesmo persegue. «Saulo, Saulo, porque me persegues?» Act 9, 4

A resposta de Saulo leva-nos logo a perceber que embora pergunte, «Quem és Tu, Senhor?», ele já sabe que encontrou o Deus a quem quer servir, pois logo O trata por Senhor.
De tal maneira O encontra que não hesita nem um pouco em fazer tudo aquilo que aquele Senhor lhe ordena que faça.
Saulo encontra Deus e uma vida nova lhe é dada, uma vida de inteiro serviço a Deus, uma vida já não como Saulo, mas agora como Paulo.

Duas notas interessantes são as seguintes:
1 – Saulo perseguia os cristãos e a voz que o interroga, Jesus Cristo, perguntando «porque me persegues?», faz perceber que, ao perseguir os cristãos, Saulo persegue o próprio Cristo, o próprio Deus, que assim se faz Um connosco.
Como nos diz o próprio São Paulo na Primeira Carta aos Coríntios, explicando-nos o Corpo Místico de Cristo: «Assim, se um membro sofre, com ele sofrem todos os membros; se um membro é honrado, todos os membros participam da sua alegria.» 1Cor 12, 26

2 – Não interessa o que fizemos no nosso passado, se verdadeiramente queremos encontrar Deus nas nossas vidas.
Se O procuramos de coração aberto, Ele faz-se encontrado connosco, toma-nos pela mão, e faz de nós mulheres e homens novos.

Marinha Grande, 19 de Janeiro de 2015

Joaquim Mexia Alves

Nota:
Texto publicado no "Grãos de Areia", Boletim da Paróquia da Marinha Grande, distribuído este fim de semana.

O Evangelho do dia 25 de janeiro de 2017

E disse-lhes: «Ide por todo o mundo, e pregai o Evangelho a toda a criatura. Quem crer e for baptizado, será salvo; mas quem não crer, será condenado. Eis os milagres que acompanharão os que crerem: Expulsarão os demónios em Meu nome, falarão novas línguas, pegarão em serpentes e, se beberem alguma coisa mortífera, não lhes fará mal; imporão as mãos sobre os doentes, e serão curados».

Mc 16, 15-18

terça-feira, 24 de janeiro de 2017

Primeiras declarações do novo Prelado do Opus Dei (legendado)

São Josemaría Escrivá sobre Santa Maria a Rainha da Paz

Santa Maria da Paz. A Igreja Prelatícia em que se veneram os restos de São Josemaría é dedicada a Santa Maria da Paz. “Santa Maria é – assim a invoca a Igreja – a Rainha da paz. Por isso, quando se agitar a tua alma, o ambiente familiar ou profissional, a convivência na sociedade ou entre os povos, não cesses de a aclamar com esse título: Regina pacis, ora pro nobis! – Rainha da paz, roga por nós! Experimentaste, ao menos, quando perdes a tranquilidade?... – Surpreender-te-ás da sua imediata eficácia”. (Sulco, n. 874)

Senhor, fazei de mim um instrumento da vossa paz (oração de S. Francisco)

Onde há ódio, que eu leve o Amor;
Onde há ofensa, que eu leve o Perdão;
Onde há discórdia, que eu leve a união;
Onde há dúvida, que eu leve a Fé.

Onde há erro, que eu leve a Verdade;
Onde há desespero, que eu leve a Esperança;
Onde há tristeza, que eu leve a Alegria;
Onde há trevas, que eu leve a Luz.

Oh Mestre, fazei que eu procure menos
Ser consolado do que consolar;
Ser compreendido do que compreender;
Ser amado do que amar.

Porque é dando que se recebe;
É perdoando que se é perdoado;
É morrendo que se ressuscita
Para a Vida Eterna.

O Evangelho do dia 24 de janeiro de 2017

Nisto chegaram Sua mãe e Seus irmãos, os quais, ficando fora, O mandaram chamar. Estava muita gente sentada à volta d'Ele. Disseram-Lhe: «Eis que Tua mãe e Teus irmãos estão lá fora e procuram-Te». Ele respondeu-lhes: «Quem é Minha mãe e quem são Meus irmãos?». E, olhando para os que estavam sentados à volta d'Ele, disse: «Eis Minha mãe e Meus irmãos. Porque quem fizer a vontade de Deus, esse é Meu irmão, Minha irmã e Minha mãe».

Mc 3, 31-35

segunda-feira, 23 de janeiro de 2017

«TIRE O DEDO DA LENTE!»

No Sábado publiquei no facebook uma fotografia do Santuário de Fátima, onde estava a fazer a recolecção anual dos Ministros Extraordinários da Comunhão da Diocese de Leiria-Fátima.
Com o meu “particular jeito” para a fotografia, a mesma saiu com uma falha, a qual o Pe Patrício, Vigário Paroquial da “minha” Paróquia da Marinha Grande, meu amigo e meu vizinho, companheiro de muitas orações, logo notou, e com o seu particular humor, que eu muito aprecio, comentou: «Tire o dedo da lente.»

E eu, como sempre, fui rindo e pensando se poderia retirar alguma lição do acontecido para a minha vivência cristã.

Ora bem, o dedo na lente não permitiu, não permite, que a grandeza e beleza do Santuário de Fátima seja vista na sua totalidade, ou seja, retira, mesmo que pouco, a dimensão, (não só de espaço, mas também espiritual), que afinal a fotografia queria mostrar/dar a outros.

Também nós temos vários “dedos” que, colocados nas nossas vidas, não nos deixam “ver” Deus em toda a sua dimensão de amor, não nos deixam, por isso mesmo, viver o nosso Deus que a todos se oferece inteira e continuamente, e não aos “bocados” ou só em certos momentos, como esses “dedos” acabam por provocar.

É o “dedo” do orgulho, o “dedo” da vaidade, o “dedo” da indiferença, o “dedo” da falta de perdão, o “dedo” do medo da mudança, o “dedo” das nossas “certezas”, o “dedo” das nossas vergonhas, e tantos mais “dedos” que cada um, com certeza, reconhece na sua vida.

Então, chegamos à conclusão que esses “dedos” nos retiram a “possibilidade” de “ver Deus por “inteiro”, de viver Deus em todo o seu amor, de comungar Deus em toda a sua entrega, e tal como Pe Patrício comentou, deveremos dizer a nós próprios e aos outros também: «Tira os “dedos” da tua vida … para poderes ver e viver Deus que se faz presente para ti.»

Marinha Grande, 23 de Janeiro de 2017

Joaquim Mexia Alves

São Josemaría Escrivá nesta data em 1929

Junto ao leito de uma moribunda com santidade de vida, Mercedes Reyna, Josemaria dá-lhe este encargo: “Peça ao Senhor, lá do céu, que, se não for um sacerdote, não bom, mas santo!, me leve jovem, quanto antes!”

Vida espiritual

O sono dos inocentes
«Todos os dias da vossa vida tende Deus diante dos olhos; ouvi sempre Missa inteira; confessai-vos com frequência, se for possível; não durmais nenhuma em pecado mortal».

(Da carta de S. João de Deus a Luis Baptista)

O Evangelho do dia 23 de janeiro de 2017

Os escribas, que tinham descido de Jerusalém, diziam: «Está possesso de Belzebu, e é pelo poder do príncipe dos demónios que expulsa os demónios». Jesus, tendo-os chamado, dizia-lhes em parábolas: «Como pode Satanás expulsar Satanás? Se um reino está dividido contra si mesmo, tal reino não pode subsistir. E se uma casa está dividida contra si mesma, tal casa não pode subsistir. Se, pois, Satanás se levanta contra si mesmo, o seu reino está dividido e não poderá subsistir, antes está para acabar. Ninguém pode entrar na casa dum homem forte, para roubar os seus bens, se primeiro não o amarrar. Então saqueará a sua casa. Na verdade vos digo que serão perdoados aos filhos dos homens todos os pecados e todas as blasfémias que proferirem; porém, o que blasfemar contra o Espírito Santo, jamais terá perdão; mas será réu de pecado eterno». Jesus falou assim por terem dito: «Está possesso dum espírito imundo». 



Mc 3, 22-30

domingo, 22 de janeiro de 2017

#RezarproximoPadre #PraynextPadre #OpusDei

São Josemaría Escrivá nesta data em 1973

Recorda aos seus filhos, que estão com ele, uns versos que aprendeu de pequeno: “Ó José, venturoso Pai do próprio Deus, e Esposo de Maria, dos altos Céus, benigno, olha para nós neste dia.”

Bom Domingo do Senhor!

Peçamos ao Senhor que nos faça pescadores de homens como Ele fez a Simão Pedro e André conforme nos narra o Evangelho de hoje (Mt 4, 12-23). Roguemos-lhe a perseverança para lançarmos as redes, mesmo em águas tribuladas, e que nelas venham novos cristãos.

Senhor, que o Teu Anjo ilumine os corações daqueles que procuramos trazer para o Teu redil para assim Te seguirem em liberdade!

«Vinde Comigo e Eu farei de vós pescadores de homens»

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero em Antioquia e em seguida Bispo de Constantinopla, Doutor da Igreja
Homilias sobre o Evangelho de Mateus, n°14, 2

Que pescaria admirável a do Salvador! Admirai a fé e a obediência dos discípulos. Como sabeis, a pesca exige uma atenção ininterrupta. Ora, no meio da sua labuta, eles ouvem o chamamento de Jesus e não hesitam um instante; não dizem: «Deixa-nos ir a casa falar com a nossa família». Não, eles deixam tudo e seguem-n'O, como Eliseu fizera com Elias (1R 19, 20). Esta é a obediência que Cristo nos pede, sem a menor hesitação, mesmo que necessidades aparentemente mais urgentes nos pressionem. É por isso que quando um jovem que queria segui-l'O perguntou se podia ir sepultar o pai, nem isso Ele o deixou fazer (Mt 8, 21). Seguir Jesus, obedecer à Sua palavra, é um dever que tem prioridade sobre todos os outros.

Dir-me-ás talvez que a promessa que Ele lhes fazia era demasiado grande? É por isso que os admiro tanto: embora não tendo ainda assistido a nenhum milagre, eles acreditaram nessa promessa tão grande e renunciaram a tudo para O seguir! Foi porque acreditaram que, com as mesmas palavras com que eles próprios haviam sido como que pescados, também eles poderiam pescar outros.

sábado, 21 de janeiro de 2017

In memoriam de um comunista czarista

A vida, por sinal breve e intensa, de José Carlos Ary dos Santos foi vivida na contradição entre as suas origens familiares e as suas opções ideológicas, a sua formação católica e o seu estilo de vida

No passado dia 18 de Janeiro, ocorreu mais um aniversário do falecimento de José Carlos Ary dos Santos, que teria feito 80 anos a 7 de Dezembro último, pois nasceu em tal data do ano 1936 (e não 1937, como erradamente se escreve na Wikipédia e não só). O poeta era mais do que um autor de baladas de grande sucesso nos festivais da Eurovisão, como a Desfolhada (1969) e a Tourada (1973): as suas letras eram sobretudo uma expressão ousada e subtil, por causa da censura, da sua oposição política e social ao regime. Depois do 25 de Abril, foi um dos seus principais trovadores, como autor de poemas como As portas que Abril abriu, em parte reproduzido no arco da praça de Espanha, na cidade em que nasceu, viveu e morreu e a que dedicou uma das suas mais belas poesias: Lisboa menina e moça.

Não obstante o carácter propagandístico de parte significativa da sua obra, o melhor da sua poesia é alheio a essa sua opção ideológica que, salvo melhor opinião, foi uma aposta publicitária na sua pessoa e carreira artística. Não em vão, José Carlos Ary dos Santos era, de profissão, publicitário e como tal trabalhou toda a sua vida. Natália Correia nunca lhe perdoou o facto de, pela sua adesão a uma doutrina política totalitária, ter comprometido a sua criatividade e liberdade poética.

A sua existência, por sinal breve e intensa – morreu com 47 anos recém-cumpridos – foi vivida na contradição entre as suas origens familiares e as suas opções ideológicas, a sua formação católica, patente nas suas primeiras obras, e o seu estilo de vida. Por isso, quando alguém lhe chamou a atenção para a incoerência de se dizer comunista e vestir camisas de seda e permitir-se outros luxos e gostos requintados, o poeta, que nunca foi militante do PCP, afirmou ser comunista, mas da linha czarista…

Um nome

Embora não fosse o seu primeiro nome, nem o seu último apelido, Ary era, definitivamente, o seu nome. De origem holandesa, onde um tal Ary Scheffer alcançou, como pintor, certa notoriedade, o mesmo nome também existe, com outra grafia, nos países escandinavos, onde o finlandês Ari Vatanen foi campeão de rallies, e Ari Behn foi casado com a princesa Marta da Noruega, prima do poeta… pela linha czarista!

Da Europa, o nome Ary passou ao Brasil – quem não conhece o famoso actor Ary Fontoura?! – de onde chegou a Portugal e, mais concretamente, à estirpe do poeta. Segundo tradição familiar, a sugestão deste nome próprio foi da madrinha brasileira do primeiro Ary português, o médico Carlos Ary dos Santos, avô paterno de José Carlos. Ao longo de cinco gerações de seus descendentes, o Ary do seu nome institucionalizou-se como apelido familiar.

Uma família

A família é de remota origem transmontana e de arreigada tradição militar: o bisavô do primeiro Ary dos Santos foi um valoroso oficial do exército miguelista, convencionado em Évora Monte, e o avô, também pela varonia, morreu ainda jovem, mas já capitão e cavaleiro da Torre-e-Espada, a mais alta condecoração militar portuguesa. Mas, desde meados do século XIX, a família trocou a espada gloriosa dos seus maiores pela pena, bem como o norte das suas origens pela capital, onde se estabeleceu num solar do Bairro Alto que ainda lhe pertence.

O dito Carlos Ary dos Santos, notável otorrinolaringologista da primeira metade do século XX, casou com Maria Guilhermina de Pina Manique Pereira, que era trineta, por sua mãe, do célebre Intendente Diogo Inácio de Pina Manique.

O seu nome próprio de origem germânica – Guilhermina – vinha-lhe de sua bisavó materna, Maria Guilhermina Frederica de Sousa Holstein, que era prima direita do 1º duque de Palmela, sendo ambos netos paternos de D. Manuel de Sousa e da princesa Maria Ana Leopoldina de Schleswig-Holstein-Sonderburg-Beck que, pelo seu próximo parentesco com os reis da Dinamarca e da Noruega, estava aparentada com quase todas as casas reais europeias.

É provável que esta longínqua relação genealógica não fosse desconhecida do poeta que, em Três adereços recebidos como herança, se refere à sua ‘parenta’ a czarina Catarina II… Sendo esta imperatriz, de origem alemã, descendente de um outro ramo dos mesmos Holsteins, era também, mas muito remotamente, prima de José Carlos Ary dos Santos, o qual, aludindo a este parentesco, escreveu: “Catarina da Rússia, minha prima / pela fronteira travessa, / deixou-me, além do gosto pela esgrima / com a moral avessa, / um casaco de marta sibilina /que abafa muita viscondessa” (in Adereços, Endereços, Guimarães Editores, Lisboa 1969, pág. 31). Mais uma vez, a linha czarista…

Dos dois filhos de Carlos Ary dos Santos e de sua mulher surgiram os dois ramos da família. Alfredo, o primogénito, foi advogado e, do seu casamento com a única filha dos condes de Macieira, teve um só filho, já falecido, que foi embaixador de Portugal no Luxemburgo e na Áustria, chefe do protocolo do Estado, sócio correspondente da Academia Portuguesa da História, etc. A sua abundante geração – oito filhos, dezasseis netos e, por ora, nove bisnetos – está espalhada por vários países: França, Estados Unidos da América, Alemanha, Itália, Suíça e, claro, Portugal.

O filho secundogénito, Carlos, seguiu as pegadas paternas, como médico otorrino que igualmente foi. Casou primeiro com Maria Bárbara de Miranda e Castro Pereira da Silva, da família dos morgados de Selir, em Azeitão, de quem teve primogénito o poeta. Seu único irmão varão, Diogo, morreu precocemente, também não deixando descendência pelo que, deste segundo ramo só há geração por via feminina. Viúvo mas ainda novo, Carlos voltou a casar e teve mais uma filha, também casada e com geração.

Por causa dos seus desentendimentos com o pai, José Carlos Ary dos Santos, mais por razões pessoais do que políticas, viu-se obrigado, ainda novo, a sair da casa de família. Mas sempre manifestou um terno afecto pela sua mãe, desaparecida quando o poeta tinha apenas treze anos. É significativo que, no último verso do seu último soneto, escrito na véspera da sua morte, tenha evocado, com filial saudade, a sua memória: “Tenho tantas saudades, minha mãe!”

Uma tradição

Muito embora o grande público só conheça o poeta Ary dos Santos, a verdade é que, se José Carlos foi o mais popular escritor da família, não foi contudo o único.

Seu avô paterno, o Prof. Dr. Carlos Ary dos Santos, para além de vários ensaios da sua especialidade clínica, de que foi docente na Faculdade de Medicina de Lisboa, também deixou numerosas publicações de numismática e medalhística, de que era um grande colecionador e especialista. Já depois da sua morte, foram publicados dois volumes com textos seus sobre esta temática.

Também o advogado Alfredo Ary dos Santos, filho primogénito do anterior, foi autor de uma muito variada obra, não apenas sobre acidentes de trabalho, em que se especializou, nomeadamente como chefe dos serviços jurídicos da CP, mas também com textos de carácter biográfico, político e jurídico. É o caso de Etiópia 100%, sobre a ocupação italiana desse país; D. Quixote Bolchevique, sobre a sua participação na guerra civil espanhola; Nós os advogados, que conheceu uma edição pirata no Brasil; O crime de aborto, que Álvaro Cunhal refere e critica na sua dissertação de licenciatura em Direito; A crise da justiça em Portugal, cuja versão integral foi proibida pela censura; Eça de Queiroz e os homens de Leis, etc. Declinou o convite de Salazar para deputado à Assembleia Nacional, para se poder dedicar, em exclusividade, à advocacia.

Seu único filho, o embaixador Carlos Macieira Ary dos Santos, também escritor, publicou trabalhos de história, diplomacia, genealogia, heráldica e direito nobiliárquico português, nomeadamente um interessante estudo sobre A sucessão da Casa e Ducado de Aveiro, que mereceu um rasgado elogio do Prof. Guilherme Braga da Cruz. Outros títulos da sua obra publicada são o Livro de Linhagem dos Cunhas da Batalha; as Notas sobre um soneto biográfico de Bocage; Silvestre Pinheiro Ferreira em Paris, na revista Colóquio; Padre Manuel da Nóbrega – Diplomata; Uma portuguesa na catedral de Mântua; Camilo e a Resenha dos Titulares, na Revista da Biblioteca Nacional de Lisboa, etc.

Falecido a 18-1-1984, José Carlos Ary dos Santos não poderá evocar, este ano, o centenário da revolução russa de 1917. Ainda bem porque, sendo da linha czarista, corria sérios riscos de sofrer o mesmo triste fim que os seus camaradas bolcheviques infligiram aos seus desafortunados ‘primos’, o czar Nicolau II e família… essa sim, czarista!

P.S. O autor pertence ao ramo primogénito desta família.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI com seleção de imagens 'Spe Deus'