Igreja

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A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

São Josemaría Escrivá - Aconteceu nesta data em 1919

Nasce Santiago Escrivá. “A meu pedido, e apesar de haver bastantes anos que meus pais não tinham filhos, e de já não serem jovens, a meu pedido – repito – Deus Nosso Senhor (precisamente nove ou dez meses depois de lho pedir) fez com que nascesse o meu irmão (...). Um rapaz, pedi eu”.

Pedro Gil: "Fátima fala de nós próprios"

O Evangelho do dia 28 de fevereiro de 2017

Pedro começou a dizer-Lhe: «Eis que deixámos tudo e Te seguimos». Jesus respondeu: «Em verdade vos digo: Ninguém há que tenha deixado a casa, os irmãos, as irmãs, o pai, a mãe, os filhos, ou as terras, por causa de Mim e do Evangelho, que não receba o cêntuplo, mesmo nesta vida, em casas, irmãos, irmãs, mães, filhos, e terras, juntamente com as perseguições, e no tempo futuro a vida eterna. Porém, muitos dos primeiros serão os últimos, e os últimos serão os primeiros». 

Mc 10, 28-31

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

Encontra-se em Espanha, a caminho de Roma, depois da sua última viagem à América. Virá a falecer em Junho. “Durante os últimos tempos de vida repetia com mais intensidade uma jaculatória que esteve sempre nos seus lábios: Vultum tuum requiram, Domine!, Senhor, só quero ver o teu rosto! Dizia também muitas vezes: omnia in bonum!, tudo é para bem, tudo o que acontece deve levar-nos a Deus. Foi com estas disposições que a morte o surpreendeu”, comenta Mons. Javier Echevarría, em “Lembrando o então ainda Beato Josemaría”.

O Evangelho do dia 27 de fevereiro de 2017

Tendo saído para Se pôr a caminho, veio um homem a correr e, ajoelhando-se diante d'Ele, perguntou-Lhe: «Bom Mestre, que devo fazer para alcançar a vida eterna?». Jesus disse-lhe: «Porque Me chamas bom? Ninguém é bom senão Deus. Tu conheces os mandamentos: “Não mates, não cometas adultério, não roubes, não digas falso testemunho, não cometas fraudes, honra teu pai e tua mãe”». Ele respondeu: «Mestre, todas estas coisas tenho observado desde a minha mocidade». Jesus olhou para ele com afeto, e disse-lhe: «Uma coisa te falta: vende tudo quanto tens, dá-o aos pobres e terás um tesouro no céu; depois, vem e segue-Me». Mas ele, entristecido por estas palavras, retirou-se desgostoso, porque tinha muitos bens. Jesus, olhando em volta, disse aos discípulos: «Quão dificilmente entrarão no reino de Deus os que têm riquezas!». Os discípulos ficaram atónitos com estas palavras. Mas, Jesus de novo lhes disse: «Meus filhos, como é difícil entrarem no reino de Deus os que confiam nas riquezas! Mais fácil é passar um camelo pelo fundo de uma agulha, do que entrar um rico no reino de Deus». Eles, cada vez mais admirados, diziam uns para os outros: «Então quem pode salvar-se?». Jesus, olhando para eles, disse: «Para os homens isto é impossível, mas não para Deus, porque a Deus tudo é possível». 

Mc 10, 17-27

domingo, 26 de fevereiro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1966

Sai de Nápoles com D. Álvaro del Portillo rumo à Grécia. Em Atenas e Corinto visitarão os lugares onde, segundo a tradição São Paulo pregou: “o sítio pode ser ou não aquele; nada se ganha ou se perde se o não for. Mas, ao fim e ao cabo, fica a ganhar aquele que sabe aproveitar essa ocasião para se aproximar mais de Deus. Ali rezámos uma comunhão espiritual, orámos por todo o futuro trabalho na Grécia. Se nesse lugar concreto São Paulo esteve, muito bem; se não esteve, muito bem; isso é o que menos importa”.

Bom Domingo do Senhor!

Seguindo as palavras do Senhor no Evangelho de hoje (Mt 6, 24-34) procuremos alcançar o Reino de Deus e a Sua justiça abdicando do supérfluo e imitá-Lo na simplicidade.

Que o Senhor nos ajude a tudo fazer para sermos merecedores de entrar em Jerusalém Celeste!

«Porventura não é a vida mais do que o alimento?»

São João Crisóstomo (c. 345-407), presbítero de Antioquia, bispo de Constantinopla, doutor da Igreja 
Catequeses baptismais, n° 8, 19-25; SC 50


Se dermos realmente o primeiro lugar às realidades espirituais, não teremos de nos preocupar com os bens materiais, pois Deus, na sua bondade, no-los dará em abundância. Se, pelo contrário, nos preocupamos unicamente com os nossos interesses materiais sem cuidarmos da nossa vida espiritual, a preocupação constante com os assuntos terrenos conduzir-nos-á à negligência da nossa alma. […] Não troquemos portanto a ordem das coisas. Conhecendo a bondade do nosso Senhor, confiar-Lhe-emos tudo e não nos deixaremos vencer pelas preocupações desta vida. […] «O vosso Pai Celeste bem sabe que tendes necessidade de tudo isto, mesmo antes que Lho tenhais pedido» (Mt 6,32.8).

Jesus quer que estejamos livres das preocupações deste mundo e que nos consagremos totalmente às obras espirituais. «Procurai pois, diz-nos Ele, os bens espirituais e Eu próprio zelarei amplamente por todas as vossas necessidades materiais. […] Olhai as aves do céu: não semeiam nem ceifam nem recolhem em celeiros; e o vosso Pai celeste alimenta-as» Dito de outra forma: «Se Eu tomo conta das aves do céu, que são irracionais, e lhes proporciono tudo aquilo de que elas necessitam, sem sementeiras nem trabalhos, tanto melhor o farei por vós, que sois dotados da razão, desde que escolhais preferir o espiritual ao corporal. Vendo que as criei para vós, tal como a todos os outros seres, dos quais tanto cuido, de que solicitude não vos julgarei dignos, vós para quem fiz tudo isto?»

sábado, 25 de fevereiro de 2017

HÁ MOMENTOS!

Há momentos
em que Ele chega,
toma-nos pela mão,
ou seja,
entra-nos no coração,
e diz-nos,
como se nós não soubéssemos:
Amo-te, meu filho!

Paramos tudo,
quase deixamos de viver,
(esta vida terrena, claro),
e perguntamos,
certos da resposta:
és Tu, Senhor?

E Ele sorri,
olha-nos nos olhos,
e diz:
Alguma vez duvidaste,
que Eu morri por ti?

Envergonhados,
baixamos a cabeça,
pomos a mão no peito,
e respondemos:
Só Tu,
Senhor,
és a nossa certeza!

O Seu sorriso,
abre-se ainda mais,
enche-nos de compaixão,
e diz-nos,
olhando-nos nos olhos,
com a voz repassada de amor:
Toma tudo o que Eu te dou,
e ama os outros,
como Eu te amo!
Ama-os,
com o Meu amor!

Marinha Grande, 25 de Fevereiro de 2017

Joaquim Mexia Alves
http://queeaverdade.blogspot.pt/2017/02/ha-momentos.html

O mistério Trump

O mistério Trump explica-se pelo paradoxo que melhor o define: a arrogância da esquerda num político de direita. Há razões para crer que a América ‘si muove’ e, com ela, o mundo.

A missão da teologia é explicar mistérios. Alguns, como a trindade e a eucaristia, são sobre Deus; outros dizem respeito ao mundo, como os da sua origem e do seu fim; e outros ainda referem-se aos homens e à sua misteriosa capacidade do bem e do mal. Cada ser humano é um mistério, mas alguns há que o são mais do que outros: é o caso de Donald Trump, o actual presidente dos Estados Unidos da América.

Diga-se o que se disser, a verdade é que Trump tem o condão de irritar muita gente, da direita mais conservadora à esquerda mais progressista. Ninguém gosta do seu estilo arrogante, do seu palavreado por vezes ordinário, do seu novo-riquismo de mau gosto, para já não falar da sua incrível melena. Como se explica então que tenha ganho a eleição presidencial?! Possivelmente não se explica, mas estas dez pistas talvez ajudem a compreender melhor o mistério Trump.

1º. Trump é a expressão do politicamente incorrecto: a sua eleição é uma reacção contra o sistema político que, em nome da democracia, asfixia a liberdade. Por isso os norte-americanos elegeram um político anti-sistema, em detrimento de Hillary Clinton, que era uma profissional da política, uma funcionária do sistema.

2º. Trump tinha praticamente toda a imprensa contra ele, com excepção da Fox News e do The Telegraph. Se Watergate foi, ao lograr a demissão de um presidente dos Estados Unidos da América, o auge do poder da imprensa, a eleição de Trump foi o seu canto do cisne. Foi sobretudo graças ao Facebook, ao Twiter e ao Instagram que Trump conseguiu fazer chegar a sua mensagem ao eleitorado. Uma imprensa livre é essencial à democracia, mas a parcialidade dos media na campanha eleitoral evidenciou os interesses políticos e económicos a que, por vezes, cedem alguns meios de comunicação.

3º. Trump tem ideias claras sobre a vida humana, o casamento e a família e está disposto a lutar por elas. Os partidos ditos conservadores têm, em geral, uma atitude tíbia e envergonhada, mas os partidos de esquerda têm uma agenda clara e não perdem ocasião para a implementar: liberalização do aborto gratuito; casamento e adopção por pessoas do mesmo sexo; barrigas de aluguer; eutanásia; etc. Trump não tem respeitos humanos no que respeita à defesa da vida, do casamento natural e da família, como se viu pelas medidas já tomadas em relação ao aborto.

4º. Trump tem uma relação diferente com os lóbis. Muitos governos vivem praticamente sequestrados pelos grupos de pressão, que são uma espécie de comissários políticos da democracia. Trump já deu a entender que, na América, manda ele, porque foi ele, e não esses grupos, por muito respeitáveis que possam ser, que foi eleito presidente.

5º. Trump não tem medo da iniciativa privada, se for a que melhor serve o bem comum. A esquerda privilegia a saúde pública e o ensino estatal porque, em teoria, são os que melhor servem o interesse nacional mas, na prática, porque herdou do marxismo uma concepção totalitária do poder e desconfia da liberdade e da iniciativa privada. Trump acredita no mercado mas, como o Papa Francisco tem alertado, a lógica do descartável é injusta e profundamente desumana.

6º. Trump manda mesmo e, por isso, demitiu a procuradora-geral interina, depois de Sally Yates ter questionado a ordem presidencial que proíbe a entrada nos Estados Unidos da América a cidadãos de sete países de maioria muçulmana. Também demitiu todos os embaixadores ‘políticos’, que tinham sido nomeados pelo seu antecessor e que não eram da sua confiança. É razoável que o presidente exija lealdade aos seus funcionários, desde que não extravase as suas competências, respeite a independência do poder judicial e a separação de poderes.

7º. Trump não tem uma visão utópica ou idealista do mundo. Quer contribuir para a NATO, cuja importância estratégica reconhece, mas não se a Europa não estiver interessada na sua segurança. Em relação ao Médio Oriente, é sensível às pretensões de Israel, tendo já decidido a instalação da embaixada dos Estados Unidos da América em Jerusalém, a capital do Estado judaico, o que certamente não é uma boa notícia para os palestinianos. Quer a paz mundial, mas não apenas com os sacrifícios do seu país.

8º. Trump é a favor da liberdade religiosa, mas não admite que ninguém, nem nenhuma religião, ponha em perigo a paz e a segurança dos cidadãos norte-americanos. É justo, desde que não viole o direito fundamental de qualquer crente a professar, privada e publicamente, a sua religião. Os muçulmanos não são todos potenciais terroristas, mas é evidente que esta religião é essencialmente guerreira e que há um terrorismo maometano, que decorre do conceito islâmico de guerra santa: a jihad.

9º. Trump é patriota e defende os legítimos interesses do seu país, nomeadamente através do muro na fronteira austral. Todos os Estados têm direito a evitar a imigração ilegal e é bom não esquecer que foi Bill Clinton, um presidente democrata, quem decidiu e iniciou a construção do muro, que já se ergue em mais de mil kms, cerca de um terço da fronteira com o México. E a verdade é que Obama, durante os seus dois mandatos, não o destruiu; nem Hillary, se fosse eleita, iria fazê-lo. Mas uma América fechada sobre si mesma pode levar ao ressurgir dos nacionalismos protecionistas, com graves prejuízos para a solidariedade internacional e para os países mais necessitados.

10º. Trump é arrogante, é certo, e o seu feitio não parece ser o melhor. Não são referências adequadas à sua função: é, como é óbvio, um perigo para o seu país e para todo o mundo. Na realidade, é preocupante que um homem, por vezes tão básico e imprevisível, esteja à frente da maior superpotência mundial. Mas não é o único…

Talvez o mistério Trump se explique pelo paradoxo que melhor o define: a arrogância da esquerda num político de direita. Por tudo isto e o mais que ficou por dizer, há razões para crer que a América ‘si muove’ e, com ela, o mundo. Se é para melhor ou pior, o tempo o dirá. Para já, há que rezar: God bless America!

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI

O Evangelho de Domingo dia 26 de fevereiro de 2017

«Ninguém pode servir a dois senhores: porque ou há-de odiar um e amar o outro, ou há-de afeiçoar-se a um e desprezar o outro. Não podeis servir a Deus e às riquezas. «Portanto vos digo: Não vos preocupeis, nem com a vossa vida, acerca do que haveis de comer, nem com o vosso corpo, acerca do que haveis de vestir. Porventura não vale mais a vida que o alimento, e o corpo mais que o vestido? Olhai para as aves do céu que não semeiam, nem ceifam, nem fazem provisões nos celeiros, e, contudo, vosso Pai celeste as sustenta. Porventura não valeis vós muito mais do que elas? Qual de vós, por mais que se afadigue, pode acrescentar um só côvado à duração da sua vida? «E porque vos inquietais com o vestido? Considerai como crescem os lírios do campo: não trabalham nem fiam. Digo-vos, todavia, que nem Salomão, em toda a sua glória, se vestiu como um deles. Se, pois, Deus veste assim uma erva do campo, que hoje existe e amanhã é lançada no forno, quanto mais a vós, homens de pouca fé? Não vos aflijais, pois, dizendo: Que comeremos? Que beberemos? Com que nos vestiremos? Os gentios é que procuram com excessivo cuidado todas estas coisas. Vosso Pai sabe que tendes necessidade delas. Buscai, pois, em primeiro lugar, o reino de Deus e a Sua justiça, e todas estas coisas vos serão dadas por acréscimo.  Não vos preocupeis, pois, pelo dia de amanhã; o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia bastam os seus trabalhos. Não vos preocupeis, pois, pelo dia de amanhã; o dia de amanhã terá as suas preocupações próprias. A cada dia bastam os seus trabalhos.

Mt 6, 24-34

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

"Jesus, o que tu 'quiseres' ... eu o amo”, anota, e a seguir acrescenta: “Jesus, se for a tua Vontade, faz de minha pobre carne um Crucifixo”.

‘Coisas que, para um jornalista, são notícia’ por Brad Phillips, para melhor podermos descodificar a informação que nos chega

1. Situações de conflito: um jornalista é um contador de histórias, e qualquer história que se preze apresenta um conflito. Por exemplo, se a abordagem do leitor for discordante da abordagem de um concorrente seu, tem mais hipóteses de a sua história ser notícia do que se as duas abordagens forem concordantes.

2. O local: de uma maneira geral, as organizações noticiosas cobrem uma área geográfica específica. É mais provável o jornal de um país cobrir um acontecimento de menor importância que se passe nesse país do que um acontecimento de maior importância que se passe no país vizinho.

3. Acidentes: tudo o que corre mal – uma explosão industrial, um desastre de viação, um tiroteio numa escola – tem potencial de notícia.

4. Os extremos e os superlativos: os jornalistas adoram extremos e superlativos: o primeiro, o último, o melhor, o pior, o maior, o mais pequeno. Se há algum extremo ou superlativo na sua história, chame a atenção para esse facto, e é provável que ela venha a ser notícia.

5. A novidade: as novidades são notícia. Em geral, uma história tem de ser capaz de responder à pergunta: 
«E por quê agora?» Uma história que não responda a esta pergunta deixou de ser notícia e perdeu o interesse.

6. A oportunidade e a relevância: uma história oportuna, por exemplo acerca de um acontecimento iminente, é geralmente notícia; igualmente notícia são as histórias com relevância para a especialidade de cada organização noticiosa.

7. O escândalo: o deputado que guarda o dinheiro no frigorífico, o corretor que engana os clientes, o músico de sucesso que assassina a companheira são quase de certeza notícia.

8. David e Golias: em muitas histórias, há um «grandalhão» e um «pequenino»; dado que muitos meios de comunicação consideram que têm a missão de proteger os explorados, o pequenino é geralmente mais bem tratado que o grandalhão.

9. A incompetência: o gestor, o político ou a celebridade que só faz asneiras atrai quase sempre o olhar crítico da imprensa.

10. A surpresa: as histórias inesperadas são um isco irresistível para os jornalistas. Se o leitor fizer um estudo e descobrir que os fritos têm afinal enormes benefícios para a saúde, pode ter a certeza de que os meios de comunicação lhe darão imenso espaço. 
Além disso, fará de mim um homem feliz.

11. A hipocrisia: guardei para o fim a minha preferida. Por exemplo, um político que se opõe aos direitos dos homossexuais e é apanhado com um amante; ou o presidente de um canil que é apanhado a maltratar os seus cães. Poucas histórias são mais deliciosas para um jornalista que as de pessoas com poder que fazem o contrário daquilo que apregoam; e estas histórias quase sempre ocupam os títulos noticiosos durante dias ou mesmo semanas a fio.

(Fonte: ‘Mr. Media Training’ AQUI)

O DIREITO: PODER OU RAZÃO?

A lei não pode ser um instrumento do poder das minorias contra a maioria, mas um garante da justiça e da solidariedade social

Sempre que surgem questões ditas fracturantes, há quem defenda a necessidade do reconhecimento jurídico dessas novas realidades.

É verdade que o ordenamento jurídico deve conhecer bem a realidade social que pretende regular. Também é certo que o direito positivo, numa sociedade laica, não tem por que obedecer a exigências de ordem sobrenatural, mesmo quando a sociedade se reconhece maioritariamente cristã. Mas destes princípios não decorre, ao contrário do que alguns afirmam, a absoluta arbitrariedade da ordem jurídica, nem a sua subserviência em relação ao poder emergente.

O direito não cria a realidade, mas ordena-a para o bem comum, segundo os princípios da justiça social. Não é o ordenamento jurídico que cria o ser humano, tão-só verifica a sua existência e reconhece os direitos e deveres inerentes à sua condição. Seria portanto aberrante atribuir este estatuto jurídico, por absurda hipótese, a algum ser não humano, ou negá-lo, como aconteceu com os escravos, a alguém dotado dessa natureza.

A este propósito, recorde-se que a lei é, sobretudo, uma ordenação da razão e não apenas, nem principalmente, uma expressão da vontade popular. O ser humano e a família não são aquilo que o povo quiser: são realidades naturais que o direito não pode deixar de reconhecer, pelo menos no que se refere à sua essência. Não cabe ao legislador, mesmo que mandatado pelo voto maioritário, estabelecer quando começa, ou termina, uma vida humana: é ao cientista que compete uma tal verificação. Depois de atestada essa realidade, o jurista fará decorrer as consequências previstas na lei, mas sem entrar na apreciação do acto em si, cuja avaliação não lhe compete. O direito não sabe, nem tem por que saber, quando surge ou se extingue a vida humana, mas não pode deixar de reconhecer o que é óbvio, não só em relação à vida como também ao que respeita à geração e à família, e daí extrair as respectivas consequências jurídicas. É o médico que está em condições de diagnosticar a existência de uma nova vida, ou de atestar um óbito, mas é o jurista que deverá depois desencadear os efeitos jurídicos decorrentes desses factos, na medida em que sejam juridicamente relevantes.

Se a noção clássica de lei sublinha o seu carácter racional e a sua intrínseca relação com o bem comum, a moderna definição de lei prende-se sobretudo com instâncias volitivas: a norma seria, sobretudo, a expressão jurídica da vontade popular ou, como diria Rousseau, da vontade geral. Ora, como a história demonstra com eloquência, nem sempre a vontade das maiorias é justa, porque também houve tiranos que, como Hitler, chegaram ao poder por via democrática. Não basta que a norma cumpra alguns requisitos formais, como seja o facto de emanar do órgão capaz de a produzir com eficácia; tem que ser também legítima, ou seja, justa, porque adequada ao bem comum. Um direito que é apenas a voz do poder preponderante, seja este ditatorial ou democrático, dificilmente poderá ser instrumento eficaz na construção de uma sociedade justa. Até porque os não-nascidos, as crianças, sobretudo as que são órfãs, os pobres e os doentes nunca serão, em princípio, um poder capaz de expressar de forma eficaz as suas legítimas pretensões, que o direito, contudo, não pode deixar de tutelar.

Mais do que qualquer outro princípio, interessa ao direito a defesa dos mais necessitados. O poder legislativo não pode ser um instrumento das maiorias contra as minorias, nem destas contra a maioria, mas um meio pelo qual, no mais escrupuloso respeito pela dignidade e liberdade dos cidadãos, se defenda, na verdade, a justiça e o bem comum.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada na Voz da Verdade, de 16-2-2014

O Evangelho do dia 25 de fevereiro de 2017

Apresentavam-Lhe umas criancinhas para que as tocasse mas os discípulos repreendiam os que as apresentavam. Vendo isto, Jesus ficou muito desgostoso e disse-lhes: «Deixai vir a Mim as crianças, não as estorveis, porque dos que são como elas é o reino de Deus. Em verdade vos digo: quem não receber o reino de Deus como uma criança, não entrará nele». Depois, abraçou-as e, impondo-lhes as mãos, as abençoava.

Mc 10, 13-16

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

O sonho e o centro

Hoje, os sonhadores estão ao centro. Sonham que todos os “refugiados” são uns porreiros, que a globalização ajuda “toda a gente” e que a União Europeia consegue soluções para tudo

A história das ideologias não é simples. O debate entre esquerda e direita nunca o foi, assim como a luta entre ordem liberal e ordem nacional não o era. Não há uma só direita ou uma só esquerda, nem sequer um só socialismo ou um só conservadorismo.
Quando olhamos para a ordem internacional que vigora desde a II Guerra Mundial e o crescimento económico que dela veio, duas ideologias destacaram-se. Governaram juntas ou em alternância, cimentaram a Europa e partidos a que nós, cá, chamamos arco de governação. Essa é uma expressão que aprecio.
As ideologias foram a social-democracia, que fundou o Estado social europeu e fez um continente renascer das cinzas de uma guerra, e, a seu lado, a democracia cristã.
O sucesso eleitoral e político dessas duas correntes não se devia a grandes diatribes ideológicas. Os partidos de centro-direita ou centro-esquerda não ganhavam eleições porque prometiam; ganhavam eleições porque faziam.
É evidente que essa capacidade de cumprir beneficiava de um contexto económico próspero e de uma bipolaridade, mesmo que aterradora, menos complexa que a multipolaridade contemporânea. E era também natural que os extremos, a que hoje chamamos populismos, estivessem demasiadamente vivos na memória cultural para se tornarem atrativos. Os crimes de Estaline e a brutalidade do Exército Vermelho eram indesmentíveis. O legado de Mussolini e Hitler foi a saudável gestação de anticorpos contra o estatismo autoritário.
A extrema-esquerda e a extrema-direita estavam remetidas a nichos eleitorais. Eram de mau tom e tudo valia para impedir a sua remassificação, até projetos comunitários contra a natureza dos povos, concebidos por uma elite que se julgava imortal.
Mas quando olhamos para o centro desse tempo, para as referidas social-democracia e democracia cristã, entendemos que o seu maior ativo era responderem a problemas de uma maioria. O quotidiano da sociedade era para ser melhorado e resolvido onde necessário. O interesse nacional e o bem comum ainda andavam de mão dada.
As ideologias extremistas, por outro lado, pecavam por utopia. Sonhavam demasiado. Eram projetos de sociedade que não tinham – e não têm – nada a ver com a sociedade em si. Os revolucionários queriam um futuro que invertesse o presente. Os reacionários queriam um presente invertido pelo passado. Não havia realidade ou dia-a-dia em ideologias que não passavam disso mesmo.
O problema de hoje, que trouxe a falência da social-democracia, a crise dos partidos de centro e a morte dos ancestrais arcos de governação, é que, além de esse centro se ter convertido em establishment, deixou também que os extremos, à direita e à esquerda, tomassem o seu lugar no monopólio da realidade.
O centro deixou as preocupações do votante mediano, das classes médias, ao abandono. Ficaram órfãs. Os operários já não votam no centro-esquerda. Os pequenos empresários já não votam no centro-direita. Votam em que diz que vai resolver os seus problemas.
Os franceses têm medo de viver numa França sem franceses e Marine Le Pen diz que resolve. Os americanos têm medo de viver numa América sem emprego e Donald Trump diz que resolve. Os alemães não querem viver numa Alemanha onde as mulheres tenham medo de sair à rua devido a migrantes. A Alternativa diz que resolve.
Os partidos de centro perderam eleitorado porque deixaram de responder às necessidades do eleitorado. As preocupações de quem não compreende ou não foi tão motivado pela globalização não são ouvidas por quem insiste na mesma ordem liberal em vez de a reformar. E sim, a austeridade em pacotes imediatistas também tem a sua culpa.
A sra. Le Pen pode ganhar em França porque a sra. Le Pen tomou o quotidiano da França, tomou o tal monopólio da realidade da maioria.
Hoje, o sonho passou para o centro. Um sonho em que todos os “refugiados” são uns gajos porreiros, a globalização ajuda “toda a gente” e a União Europeia consegue uma solução para qualquer coisa.
Os populistas viram apenas que, afinal, o centro é que se havia tornado a utopia.
Sebastião Bugalho in 'i' online AQUI
(seleção de imagem 'Spe Deus')

São Josemaría Escrivá nesta data em 1934

“Se vês claramente o teu caminho, segue-o. – Por que não repeles a cobardia que te detém?”, escreve nos seus apontamentos íntimos, nesta mesma data.

O Evangelho do dia 24 de fevereiro de 2017

Saindo dali, foi Jesus para o território da Judeia, e além Jordão. Novamente as multidões se juntaram à volta d'Ele, e de novo as ensinava, segundo o Seu costume. Aproximando-se os fariseus, perguntavam-Lhe para O tentarem: «É lícito ao marido repudiar a mulher?». Ele respondeu-lhes: «Que vos mandou Moisés?». Eles responderam: «Moisés permitiu escrever libelo de repúdio e separar-se dela». Jesus disse-lhes: «Por causa da dureza do vosso coração é que ele vos deu essa lei. Porém, no princípio da criação, Deus fê-los homem e mulher. Por isso deixará o homem pai e mãe, e se juntará à sua mulher; e os dois serão uma só carne. Assim não mais são dois, mas uma só carne. Portanto, não separe o homem o que Deus juntou». Depois, em casa, os discípulos interrogaram-n'O novamente sobre o mesmo assunto. Ele disse-lhes: «Quem repudiar a mulher e se casar com outra comete adultério contra a primeira; e se a mulher repudiar o marido e se casar com outro comete adultério».

Mc 10, 1-12

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

No aeroporto da Guatemala.
Momentos antes de tomar o avião, dá a bênção a centenas de pessoas que tinham ido despedir-se dele. Muitos não o tinham podido ver, porque estivera doente durante esses dias. “Custou-me muito não ter podido estar convosco. Paciência! Primeiro estava triste; mas agora estou alegre: Ofereci tudo ao Senhor pelo trabalho na América Central”.

O Evangelho do dia 23 de fevereiro de 2017

«Quem vos der um copo de água, porque sois de Cristo, em verdade vos digo que não perderá a sua recompensa. «Quem escandalizar um destes pequeninos que crêem em Mim, melhor fora que lhe atassem ao pescoço a mó que um asno faz girar, e que o lançassem ao mar. Se a tua mão é para ti ocasião de pecado, corta-a; melhor te é entrar na vida eterna mutilado, do que, tendo as duas mãos, ir para a Geena, para o fogo inextinguível. Se o teu pé é para ti ocasião de pecado, corta-o; melhor te é entrar na vida eterna coxo, do que, tendo os dois pés, ser lançado na Geena.  Se o teu olho é para ti ocasião de pecado, lança-o fora; melhor te é entrar no reino de Deus sem um olho do que, tendo dois, ser lançado na Geena, “onde o seu verme não morre e o seu fogo não se apaga”. Todo o homem será salgado no fogo. O sal é uma coisa boa; porém, se se tornar insípido, com que haveis de lhe dar o sabor? Tende sal em vós, e tende paz uns com os outros».

Mc 9, 41-50

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

Audiência geral (resumo)

Locutor: Quando o ser humano quebra a comunhão com Deus, perde a sua beleza originária e acaba por desfigurar tudo ao seu redor. Resultado: um pranto geral! Tudo geme: geme a criação, gememos nós, seres humanos, e geme até o Espírito Santo dentro de nós. São Paulo convida-nos a ouvir com atenção estes gemidos, porque não se trata de lamentações estéreis ou desesperadas; lembram mais os gemidos duma mulher com as dores do parto: são gemidos de quem sofre, mas sabe que está para vir à luz uma nova vida. Na verdade, sofremos ainda as consequências do nosso pecado e, ao nosso redor, são palpáveis os efeitos dos abusos contra a criação. O cristão não vive fora do mundo, sabe reconhecer na própria vida e naquilo que o rodeia os sinais do mal, do egoísmo e do pecado. É solidário com quem sofre, com quem chora, com quem está marginalizado, com quem se sente desesperado. Ao mesmo tempo, porém, o cristão aprendeu a ler tudo isso à luz da Páscoa, com os olhos de Cristo Ressuscitado, e sabe que o presente é tempo de expetativa, tempo animado por um anseio que vai para além do presente. Na esperança, sabemos que o Senhor quer curar definitivamente, com a sua misericórdia, os corações feridos e humilhados e aquilo que o homem deturpou com a sua impiedade, tudo regenerando num mundo novo e numa humanidade nova reconciliados finalmente no seu amor. E, contudo, muitas vezes também nós, cristãos, somos tentados pelo desânimo, pelo pessimismo, caindo em inúteis lamentações ou ficando sem saber que pedir ou esperar. Então vem em nosso auxílio o Espírito Santo, respiração da nossa esperança, que mantém vivos os gemidos e anseios do nosso coração. O Espírito vê, por nós, para além das aparências negativas do presente e revela-nos já agora os novos céus e a nova terra que o Senhor está a preparar para a humanidade.

Santo Padre:
Carissimi pellegrini di lingua portoghese, un fraterno saluto a tutti voi, augurandovi che l’odierna visita alla Cattedra di Pietro infonda nei vostri cuori un grande coraggio per abbracciare giorno dopo giorno la vostra croce, e un vivo anelito di santità, affinché possiate riempire di speranza la croce degli altri. Mi affido alle vostre preghiere. Grazie per la visita!

Locutor: Amados peregrinos de língua portuguesa, uma saudação fraterna para todos vós, com votos de que a visita de hoje à Cátedra de Pedro infunda nos vossos corações uma grande coragem para abraçardes diariamente a vossa cruz, e um vivo anseio de santidade para poderdes encher de esperança a cruz dos outros. Confio nas vossas orações. Obrigado pela visita!

São Josemaría Escrivá nesta data em 1932

Desde os inícios do Opus Dei, São Josemaría põe em marcha umas reuniões de sacerdotes, a que chamava “conferências das segundas-feiras”. A primeira realiza-se nesta data, em 1932.

O Evangelho do dia 22 de fevereiro de 2017

Tendo chegado à região de Cesareia de Filipe, Jesus interrogou os Seus discípulos, dizendo: «Quem dizem os homens que é o Filho do Homem?». Eles responderam: «Uns dizem que é João Batista, outros que é Elias, outros que é Jeremias ou algum dos profetas». Jesus disse-lhes: «E vós quem dizeis que Eu sou?». Respondendo Simão Pedro, disse: «Tu és o Cristo, o Filho de Deus vivo». Respondendo Jesus, disse-lhe: «Bem-aventurado és, Simão filho de João, porque não foi a carne e o sangue que to revelaram, mas Meu Pai que está nos céus. E Eu te digo que tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a Minha Igreja, e as portas do inferno não prevalecerão contra ela. Eu te darei as chaves do Reino dos Céus; e tudo o que ligares sobre a terra, será ligado também nos céus, e tudo o que desatares sobre a terra, será desatado também nos céus».

Mt 16, 13-19

terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1938

Durante uma viagem, pára em Saragoça e entra na Basílica da Virgem do Pilar. Mais tarde, recordando os anos passados no seminário dessa cidade, dirá: “Embora materialmente me encontre longe dali, nunca esquecerei nem a Basílica do Pilar nem a Mãe de Deus do Pilar. Continuo a ter intimidade com ela com amor filial. Com a mesma fé com que a invocava naqueles tempos, por volta dos anos vinte, quando Nosso Senhor me fazia pressentir o que esperava de mim: com essa mesma fé a invoco agora”.

A violência das ondas

As revoluções ideológicas abatem-se sobre os povos, como ondas contra a rocha: quem se mete na frente é esmagado. Aconteceu literalmente em Tianamen, onde as lagartas dos blindados trituraram os manifestantes, e acontece, de várias formas, em todo o mundo. Parece impossível deter as marés do poder. E, de repente,… o mar fica tão calmo que nem se acredita.

Nos EUA, a partir de 1 de Janeiro de 2014, as instituições de caridade que se recusam a proporcionar aborto e métodos contraceptivos aos colaboradores, violam o sistema de saúde instituído por Barack Obama. Como tal, o Governo aplica-lhes uma multa de 100 dólares por pessoa, por dia. Há instituições com mais de 10.000 funcionários. Passadas poucas semanas, as multas somam quantias tão incomportáveis, que a maioria das instituições abrirá falência, se o dinheiro não lhes for devolvido rapidamente.

Em 2007 passou a ser obrigatório no Reino Unido aceitar a adopção por homossexuais e, com base nisso, fecharam 85% das instituições católicas que apoiavam crianças em dificuldade. As restantes, afogadas em multas, provavelmente não vão sobreviver. No Reino Unido, há casos de tribunais que retiraram crianças a famílias por o casal ser contra a adopção por homossexuais.

Em França, François Hollande aprovou o casamento homossexual e já há processos em tribunal contra os Presidentes da Câmara que se recusam a presidir a essas fantochadas. A somar às pessoas que estão na prisão por defenderem a dignidade humana, sem excepções.

Na Bélgica e na Holanda, a eutanásia está a abranger cada vez mais pessoas e recentemente começou a aplicar-se a crianças, como extensão do aborto.

Na Suécia, nos EUA e noutros países, há gente na prisão por ler em público as passagens da Bíblia relativas à homossexualidade, ou processadas por se recusarem a colaborar em casamentos homossexuais.

No entanto, o mundo é mais complexo do que parece.

O Supremo Tribunal dos EUA acaba (2014) de dar razão às Irmãzinhas dos Pobres, que se recusaram a contratar seguros que incluíssem aborto e métodos contraceptivos. A sentença deu ânimo a muitas casas de saúde e paróquias, que foram multadas da mesma maneira, a 100 dólares por dia, por pessoa. O fanatismo chocou com a fibra de umas freiras norte-americanas que trabalham em lares de terceira idade! O Governo não compreende como umas freirinhas frágeis e sem dinheiro lhe fazem frente. Baralhado, Obama está surpreendido por esta gente que ele maltrata. Em especial, a pessoa do Papa Francisco deixa-o profundamente impressionado, como ele próprio disse à televisão.

A situação é dramática para os católicos do Reino Unido, mas em 2010 o Parlamento, a Rainha e o povo, receberam Bento XVI como o Chefe de Estado mais importante do planeta. A Presidente do Parlamento reconheceu explicitamente a sua autoridade moral. O número de conversões em países de língua inglesa atingiu um recorde histórico. Tony Blair, antigo Primeiro Ministro, responsável pela adopção por homossexuais, converteu-se ao catolicismo.

Claramente, o mundo é complexo. A União Europeia aprovou há dias o relatório da Ulrike Lunacek (que quer fundar o mundo no aborto e na homossexualidade), mas também votou a favor da iniciativa «Um de nós», que recolheu 2 milhões de assinaturas em 20 países, pedindo protecção para os bebés desde o momento da concepção. A mesma União Europeia, que se envergonha das suas raízes cristãs, nomeou o Papa Francisco como o «Comunicador do Ano».

Mais curiosos são os comunistas. Os jornalistas da China, reunidos no «China International Press Forum», puseram o Papa em terceiro lugar, no meio dos ídolos tradicionais, o presidente iraniano Hassan Rohani, o ex-presidente egípcio Mohamed Morsi, etc.

Quase todos os meios de comunicação social, da «Time» à «Rolling Stones», riem da fidelidade no casamento, enaltecem o comportamento homossexual e tratam a Igreja como uma aberração retrógrada. No entanto, praticamente todos perceberam algo, que não sabem explicar. Um fascínio que os desarma e deixa sem argumentos. Como se explica que votem o Papa Francisco como figura do ano? Claramente, o mundo é complexo.

Em Novembro, os Bispos portugueses declararam que as leis do aborto, do casamento entre pessoas do mesmo sexo ou da co-adopção por homossexuais «são reversíveis». O presidente da Conferência Episcopal Portuguesa duvida até que elas correspondam à vontade dos portugueses. Os órgãos de comunicação foram unânimes: nada pode parar a co-adopção pelos homossexuais! Será que os bispos não estão a ver a marcha imparável do progresso?

Em Janeiro, apesar do nevão que cortou as comunicações aéreas e algumas estradas, cardeais e bispos dos EUA, à frente de uma multidão imensa, proclamaram que preferiam respeitar os direitos humanos a obedecer a leis injustas. O Cardeal de Boston falou, na homilia, da precariedade do poder humano. Disse que as leis contra a dignidade humana são como aquele imperador vestido com um traje invisível, que ninguém se atrevia a contestar. De repente, uma criança, alheia às convenções sociais, desata a rir: o rei vai nu! E acrescentou que a voz da Igreja é, hoje, esta criança.

Às vezes, admiro o mar, outras vezes, os pequenos barcos que o dominam. Sobretudo aquela barquinha pequena, baloiçando na água. Teimosamente, há séculos.

José Maria C. S. André
«Verdadeiro Olhar», 19-II-2014

O Evangelho do dia 21 de fevereiro de 2017

Tendo partido dali, atravessaram a Galileia; e Jesus não queria que se soubesse. Ia instruindo os Seus discípulos e dizia-lhes: «O Filho do Homem vai ser entregue às mãos dos homens e Lhe darão a morte, mas ressuscitará ao terceiro dia depois da Sua morte». Mas eles não compreendiam estas palavras e temiam interrogá-l'O. Nisto chegaram a Cafarnaum. Quando estavam em casa, Jesus perguntou-lhes: «De que discutíeis pelo caminho?». Eles, porém, calaram-se, porque no caminho tinham discutido entre si qual deles era o maior. Então, sentando-Se, chamou os doze e disse-lhes: «Se alguém quer ser o primeiro, seja o último de todos e o servo de todos». Em seguida, tomando uma criança, pô-la no meio deles e, depois de a abraçar, disse-lhes: «Todo aquele que receber uma destas crianças em Meu nome, a Mim recebe, e todo aquele que Me receber a Mim, não Me recebe a Mim, mas Àquele que Me enviou».

Mc 9, 30-37

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Recorramos ao bom pastor

Tu, pensas, tens muita personalidade: os teus estudos (os teus trabalhos de investigação, as tuas publicações), a tua posição social (os teus apelidos), as tuas actividades políticas (os cargos que ocupas), o teu património..., a tua idade – já não és nenhuma criança!... Precisamente por tudo isso, necessitas, mais do que outros, de um Director para a tua alma. (Caminho, 63)

A santidade da esposa de Cristo sempre se provou – e continua a provar-se actualmente – pela abundância de bons pastores. Mas a fé cristã, que nos ensina a ser simples, não nos leva a ser ingénuos. Há mercenários que se calam e há mercenários que pregam uma doutrina que não é de Cristo. Por isso, se porventura o Senhor permite que fiquemos às escuras, inclusivamente em coisas de pormenor, se sentimos falta de firmeza na fé, recorramos ao bom pastor, àquele que – dando a vida pelos outros – quer ser, na palavra e na conduta, uma alma movida pelo amor – àquele que talvez seja também um pecador, mas que confia sempre no perdão e na misericórdia de Cristo.

Se a vossa consciência vos reprova por alguma falta – embora não vos pareça uma falta grave – se tendes uma dúvida a esse respeito, recorrei ao sacramento da Penitência. Ide ao sacerdote que vos atende, ao que sabe exigir de vós firmeza na fé, delicadeza de alma, verdadeira fortaleza cristã. Na Igreja existe a mais completa liberdade para nos confessarmos com qualquer sacerdote que possua as necessárias licenças eclesiásticas; mas um cristão de vida limpa recorrerá – com liberdade! – àquele que reconhece como bom pastor, que o pode ajudar a erguer a vista para voltar a ver no céu a estrela do Senhor. (Cristo que passa, 34)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1934


“Afasta de ti esses pensamentos inúteis que, pelo menos, te fazem perder tempo”, anota hoje. Virá a ser o ponto n. 13 de Caminho.

A minha adorável Mulher: A escolha de uma Mãe (a não perder e prepare já uma lágrima de emoção)

O Evangelho do dia 20 de fevereiro de 2017

Chegando junto dos discípulos, viu uma grande multidão em volta, e os escribas a discutirem com eles. E logo toda aquela multidão surpreendida por ver Jesus, correu para O saudar. Perguntou-lhes: «Que estais a discutir entre vós?». Um de entre a multidão respondeu-Lhe: «Mestre, eu trouxe-Te meu filho que está possesso de um espírito mudo, que, onde quer que se apodere dele, o lança por terra, e o menino espuma, range com os dentes, e fica rígido. Pedi aos Teus discípulos que o expulsassem e não puderam». Jesus respondeu-lhes: «Ó geração incrédula! Até quando hei-de estar convosco? Até quando vos hei-de suportar? Trazei-Mo cá». Trouxeram-Lho. Tendo visto Jesus, imediatamente o espírito o agitou com violência e, caído por terra, revolvia-se espumando. Jesus perguntou ao pai dele: «Há quanto tempo lhe sucede isto?». Ele respondeu: «Desde a infância. O demónio tem-no lançado muitas vezes no fogo e na água, para o matar; porém Tu, se podes alguma coisa, ajuda-nos, tem compaixão de nós». Jesus disse-lhe: «Se podes...! Tudo é possível a quem crê». Imediatamente o pai do menino exclamou: «Eu creio! Auxilia a minha falta de fé». Jesus, vendo aumentar a multidão, ameaçou o espírito imundo, dizendo-lhe: «Espírito mudo e surdo, Eu te mando, sai desse menino e não voltes a entrar nele!». Então, dando gritos e agitando-se com violência, saiu dele, e o menino ficou como morto, tanto que muitos diziam: «Está morto». Porém, Jesus, tomando-o pela mão, levantou-o, e ele pôs-se em pé. Depois de ter entrado em casa, Seus discípulos perguntaram-Lhe em particular: «Porque o não pudemos nós expulsar?». Respondeu-lhes: «Esta casta de demónios não se pode expulsar senão mediante a oração».

Mc 9, 14-29

domingo, 19 de fevereiro de 2017

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

Na Guatemala, com D. Álvaro del Portillo que celebra o seu onomástico. Alguém o felicita e São Josemaría une-se ao aplauso. Neste mesmo dia, em 1981, o Cardeal vigário de Roma, Ugo Poletti, assina o decreto de introdução da Causa de São Josemaría.

Bom Domingo do Senhor!

Sigamos a palavra do Senhor no Evangelho de hoje (Mt 5, 38-48) e com humildade rezemos por todos aqueles que nos ofendem e fazem mal, busquemos a perfeição idêntica à de Deus Pai.

Que o Deus Pai nos ajude a não ser rancorosos, mas sim Seus bons filhos!

«Amai os vossos inimigos»

Santo Aelredo de Rievaulx (1110-1167), monge cisterciense
Le Miroir de la charité, III, 5

Não há nada que nos encoraje mais a amar os nossos inimigos, naquilo que consiste a perfeição do amor fraterno, do que a consideração e a gratidão pela admirável paciência do «mais belo dos filhos dos homens» (Sl 45 (44), 3): Ele ofereceu a Sua bela face aos ímpios para que a cobrissem de escarros; permitiu-lhes vendarem-Lhe aqueles olhos que, de um só relance, governam o Universo; expôs as Suas costas ao chicote, submeteu aos picos dos espinhos a Sua fronte, diante da qual deviam tremer príncipes e poderosos; entregou-Se às afrontas e às injúrias e, por fim, suportou com mansidão a cruz, os cravos, a lança, o fel, o vinagre, mantendo, no meio disso tudo, toda a doçura e serenidade: «Como um cordeiro levado ao matadouro, ou como uma ovelha emudecida nas mãos do tosquiador, não abriu a boca» (Is 53,7).

Ao ouvir as admiráveis palavras «Pai, perdoa-lhes» (Lc 23, 34), cheias de doçura, de amor e de imperturbável serenidade, o que poderíamos nós acrescentar à bondade e à caridade dessa oração?

E, no entanto, o Senhor acrescentou algo. Não Se contentou em rezar; quis desculpar: «Pai ─ diz Ele ─ perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem»; são, sem dúvida, grandes pecadores, mas não têm disso consciência; por isso, Pai, perdoa-lhes; crucificam, mas não sabem a Quem crucificam. [...] Pensam tratar-se dum transgressor da Lei, dum usurpador da Divindade, dum sedutor do Povo; escondi-lhes o Meu rosto; não reconheceram a Minha majestade; por isso, «Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem».

Se quiser aprender a amar, que o homem não se deixe arrastar pelos impulsos da sua carne, mas dirija todo o seu afecto para a dulcíssima paciência da carne do Senhor; se quiser encontrar descanso mais perfeito e mais feliz nas delícias da caridade fraterna, que aperte também os inimigos nos braços do verdadeiro amor; e, para que este fogo divino não diminua por causa das injúrias, que tenha sempre os olhos do espírito na serena paciência do seu Senhor e bem-amado Salvador.