Igreja

Igreja
A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

sexta-feira, 31 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 30ª Reflexão

Trazes ao meu coração a necessidade da confissão.

Abres os braços para me receberes e dizes-me:
Amo-te, meu filho, com amor eterno e por isso quero apenas o teu bem e a tua felicidade. Por isso não quero que vivas dividido, incompleto, separado de Mim, e é isso mesmo que o pecado faz em cada vida.
Só em Mim e comigo te completas e vives em plenitude, por isso Eu procuro-te incessantemente. Basta que o teu coração se abra ao reconhecer do pecado, ao arrependimento, e já Eu corro para ti, para te abraçar, para te perdoar para te conferir de imediato toda a verdade de seres filho de Deus.
Corro para ti na figura do sacerdote que escolheres para te confessares, e quando contares as tuas fraquezas, os teus pecados, arrependido e cheio de vontade de não voltar a pecar, lembra-te que sou Eu que te estou a ouvir, sou Eu que te estou a perdoar, (sem julgamento, porque a Confissão não é um julgamento), sou Eu que me entrego a ti e por ti.
Lembra-te ainda, meu filho, que se és muitas vezes o filho mais novo que sai de casa com a herança deixando tudo para trás, também não deixas de ser outras vezes o filho mais velho que fica em casa, e não se alegra com a vinda dos que regressam.

Deixo-me abraçar e abraço-Te também, pedindo:
Ajuda-me, Senhor, a reconhecer as minhas fraquezas, as minhas faltas, os meus pecados, e a voltar para Ti pedindo perdão.
Abre, Senhor, o meu coração ao arrependimento sincero e à vontade inabalável de não voltar a pecar.
Dá-me fortaleza, Senhor, para fugir com coragem às tentações e ocasiões de pecado.
(Curioso, Senhor, como é precisa coragem para fugir … a estas coisas!)
E perdoa-me, Senhor, hoje e sempre, para que me complete em Ti e viva a «vida em abundância» que Tu mesmo nos prometeste.

Obrigado, Senhor, pelo Sacramento da Confissão, obrigado!

Monte Real, 11 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

São Josemaría Escrivá nesta data em 1935


Deixa reservado o Santíssimo Sacramento na residência de estudantes da rua de Ferraz. Dois dias depois escreve agradecido: “Celebrou-se a Santa Missa, no Oratório desta Casa, e ficou Sua Divina Majestade Reservado, realizando plenamente os desejos de tantos anos (desde 1928)”

O Evangelho do dia 31 de março de 2017

Depois disto, andava Jesus pela Galileia; não queria andar pela Judeia, visto que os judeus O queriam matar. Estava próxima a festa dos judeus chamada dos Tabernáculos. Jesus respondeu-lhes: «Já vo-lo disse, e vós não Me credes. As obras que faço em nome de Meu Pai, essas dão testemunho de Mim; porém vós não credes, porque não sois das Minhas ovelhas. As Minhas ovelhas ouvem a Minha voz, e Eu conheço-as, e elas seguem-Me. Eu dou-lhes a vida eterna; elas jamais hão-de perecer, e ninguém as arrebatará da Minha mão. Meu Pai, que Mas deu, é maior que todas as coisas; e ninguém pode arrebatá-las da mão de Meu Pai. Eu e o Pai somos um».

Jo 7, 1-2.10.25-30

quinta-feira, 30 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 29ª Reflexão

E a temperança, Senhor?

Cheio de bondade, respondes-me:
Meu filho, está rodeado de mundo, dos prazeres do mundo, dos prazeres da carne, que continuamente te procuram e te tentam.
E o teu ser é chamado para esse mundo, porque faz parte também da tua existência, por isso, muitas vezes, perdes o domínio de ti próprio e deixaste levar a viver essas tentações.
Precisas então da temperança, fruto do Espírito Santo, para alcançares o domínio de ti próprio, quando o teu ser te chama ao mundo e aos seus prazeres efémeros.
O domínio da tua língua, ou seja, daquilo que dizes, sobretudo acerca dos outros. Lembra-te que a língua pode abençoar, mas também pode ser um “assassino camuflado” destruindo a dignidade de outrem, quando profere mentiras e maldições.
O domínio dos teus hábitos quotidianos, que por vezes desrespeitam o corpo que Eu te dei, na comida, na bebida, na sexualidade em tantas outras coisas.
O domínio da tua mente, onde tantas vezes principiam as tentações a que depois cedes, por tantas razões, entre elas, o que vês, (e não devias querer ver), o que ouves, (e não devias querer ouvir), e que depois se transformam em actos contra ti, contra os outros, contra Mim.
Mas não temas, meu filho, pois o Espírito Santo te dará a temperança necessária para resistires às tentações, dando-te a capacidade de dominares as tuas inclinações para o mundo e para a carne.

Sinto-me pecador, mas aliviado, e peço-Te:
Derrama, Senhor, continuamente o Espírito Santo sobre todos e sobre mim, para que seja Ele a fazer em nós a obra que por nós próprios não conseguimos.
Faz com que eu O invoque em todos os momentos e sobretudo quando me apercebo de que o mundo me chama e me quer seduzir, para que, pelo fruto da temperança eu tenha domínio sobre mim próprio.
Ensina-me a que com o Espírito Santo eu descubra as maravilhas do mundo que para nós criaste, e me afaste de tudo o que nele me quer afastar de Ti.

Obrigado, Senhor, pela temperança.

Monte Real, 10 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

São Josemaría Escrivá nesta data em 1925

Às 10.30 da manhã celebra a sua primeira Missa na capela da Virgem do Pilar, em Saragoça (Espanha), em sufrágio pela alma de seu pai, falecido havia poucos meses: “Na Santa capela, perante uma mão-cheia de pessoas, celebrei sem dar nas vistas a minha Missa Nova”. É a Segunda-feira anterior à Semana Santa desse ano.

Madrugada de Sexta-Feira Santa

A esta hora em que escrevo esta meditação já é Sexta-Feira.

O Senhor acaba de sair da casa do Sumo-Sacerdote depois de ser sujeito a um simulacro de julgamento sem qualquer base sólida de acusação nem direito a contestação.
Várias “testemunhas” acusam e inventam, inventam e acusam.
Como numa peça de teatro medíocre os actores prestam-se a desem­penhos lamentáveis.

Jesus é atacado na Sua honra, no Seu bom-nome, na Sua dignidade.
Mas cala-se, não se defende, não reage.

Está triste e abatido, acabou de ouvir cá fora, no páteo, Pedro – o Seu Cefas – a jurar que não O conhecia.
Está ansioso por sair dali para lhe lançar um olhar sereno e amigo que fará o pobre Pedro debulhar-se em lágrimas.

Acabando com o “teatro medíocre” o Sumo-Sacerdote tem um gesto teatral que, pensa ele, é definitivo: rasga as vestes.
Até este acto é falso porque as vestimentas têm um lugar especial para serem rasgadas, mas isso não importa, é assim mesmo e todos sabem que tal significa o reconhecimento da ”gravidade das culpas” assacadas ao prisioneiro.

A partir daqui tudo se precipita num crescendo de violências, desaca­tos, faltas de respeito. O Senhor é levado aos empurrões, com uma corda ao pescoço através das vielas da cidade em direcção ao Pretório de Pilatos.

Sinto-me chocado com estas cenas e não aceito que o meu Senhor, o meu Jesus, seja tratado assim.

Não culpo os “juízes”, os Seus inimigos porque não posso; Ele dirá no alto da Cruz: «Pai perdoa-lhes porque não sabem o que fazem».

Culpo-me a mim que sei muito bem o que faço e com as minhas misé­rias e pecados sem conta o “obriguei” a passar por este transe.
Ele quis salvar-me, desejou que fosse Seu seguidor e partilhasse com Ele a vida eterna.

E… tenho de aceitar, tal como Ele aceitou, esta dor e remorso de ser como sou, de “fazer o mal que não quero e não fazer o bem que quero”.

E, aceitando rendidamente a Vontade do meu Senhor, seco as minhas lágrimas e vou pelo que resta da noite, procurar a Santíssima Virgem.

Quero estar com ela, aninhar-me nos seus braços e dizer-lhe que a amo muito, muito, muito.

Ah! E pedir-lhe que me abençoe e que me leve por um caminho seguro [1] o resto dos dias que me for concedido viver, para me encontrar finalmente com o seu querido Filho, o meu Irmão Jesus.

AMA, 25 Mar 2016


[1] Iter para tuto

O SIM MAIS DIFÍCIL DA HUMANIDADE

Será mais fácil dizer sim ou dizer não?

À primeira vista pareceria que seria bem mais fácil dizer sim.
Dizendo sim, faz-se a vontade do outro e portanto termina por aí tudo o que uma situação exige, ou seja, o outro fica contente, agradado, e nada mais exige de nós.
Ao dizer não, são precisas explicações, são precisos argumentos, para fundamentar o não a algo que nos é pedido, para além de que, apesar de tudo, ainda podermos incorrer no desagrado do outro e numa consequente frieza ou fim de uma relação.
Visto assim, poderíamos então inferir que é mais fácil dizer sim do que dizer não.

Pois, mas não foi assim com a Virgem Maria!

O sim que Ela disse foi bem mais difícil, foi bem mais complicado, do que o não que Ela poderia ter dito na sua liberdade.
Se dissesse não tudo terminaria ali para a sua pessoa, e como o outro neste caso era Deus, a sua relação com Ele continuaria exactamente a mesma, visto que Deus respeita a liberdade de cada um dos seus filhos, porque os ama com amor eterno.

Mas o sim de Maria foi bem mais difícil por muitas e variadas razões.

Primeiro, porque para dizer sim naquele momento, (a algo tão inverosímil), era preciso acreditar com fé firme que aquilo que o anjo Lhe dizia era possível, ou seja, que Deus queria e podia fazer aquilo para que Lhe pedia o sim.

Segundo, porque era preciso acreditar na sua humildade, que Ela era digna daquilo que Deus Lhe pedia, abandonando-se e aceitando a vontade de Deus, apesar de se reconhecer uma simples serva.

Terceiro, porque ficar grávida fora do casamento, quando se sabia que Ela «não conhecia homem» (Lc 1,34), era naquele tempo algo tão grave que podia levar à delapidação, à própria morte.

Quarto, porque perante esse estado de gravidez, aquele a quem Ela tinha sido entregue em casamento, José, podia repudiá-la com tudo o que isso significava naquela sociedade.

Quinto, porque o normal seria que a própria família a repudiasse.

Sexto, porque se fosse repudiada e sobrevivesse teria que, sozinha, alimentar, educar, tomar conta daquele Filho, que nunca seria aceite na sociedade.

Sétimo, porque se tentasse explicar a alguém o porquê do seu sim, apenas se ririam na sua cara e mais do que isso, condená-la-iam por blasfémia ao dizer que estava grávida do Filho de Deus.

E quantas razões mais poderíamos acrescentar, que à luz das nossas humanas fraquezas, “aconselhavam” um não à “proposta” feita.

Portanto, as razões para um não eram incomparavelmente “melhores” do que as razões que poderiam sustentar o sim naquele momento, e não nos esqueçamos que «Ela se perturbou», (Lc 1,29), pelo que não estava “fora de si”, mas sim perfeitamente consciente do momento e do que Lhe era pedido.

Sim, o Sim de Maria, foi o Sim mais difícil da humanidade e, ao mesmo tempo, o Sim mais importante da humanidade e para a humanidade.

Obrigado Mãe, porque «acreditaste, que se ia cumprir tudo o que te tinha sido dito da parte do Senhor.» (Lc 1, 45)

Obrigado Senhor por teres escolhido Maria como Mãe e obrigado Senhor por no-la teres dado como Mãe também.

Marinha Grande, 25 de Março de 2014

Joaquim Mexia Alves

A IGREJA TEM UM PROBLEMA COM AS MULHERES?

Há quem entenda que a Igreja católica tem um problema com as mulheres. O tópico, que não chega a ser sequer um argumento, era recorrente na voz das feministas de 68, que hoje são, pela certa, muito respeitáveis avós. Contudo, como o preconceito persiste, merece algumas sumárias considerações.

Desde os primórdios do Cristianismo que mulheres e homens gozam da mesma dignidade. A distinção funcional não obsta a esta fundamental igualdade de todos os fiéis porque, como ensina o Concílio Vaticano II, todos são chamados por igual à perfeição da vida cristã. Lucas enaltece a Mãe de Jesus e esclarece que, a par do grupo masculino dos doze apóstolos, também um conjunto de mulheres seguia o Mestre, com igual dedicação. Não estranha, portanto, que os relatos bíblicos da ressurreição de Cristo tenham, como protagonistas, as mulheres. Pelo facto de Maria Madalena a todos se ter antecipado no anúncio do ressuscitado, foi até cognominada “apóstola dos apóstolos”.

Na Igreja, desde sempre foi assim. São mulheres as superioras dos conventos e das ordens femininas, sem ingerência de nenhum poder masculino, salvo o do Papa, a que todos os católicos, sejam homens ou mulheres, estão sujeitos. Houve até abadessas que foram tidas por preladas, porque exerceram um poder quase episcopal. As rainhas cristãs, que o foram por direito próprio, exercitaram um poder em tudo igual ao dos reis. Note-se que, em pleno século XXI, a mulher do monarca marroquino não só não reina como nem sequer rainha é, mas apenas princesa e, como tal, inferior e subalterna ao seu augusto cônjuge. Mas isto não incomoda as feministas, que parecem mais interessadas em atacar a Igreja, do que em defender os direitos das mulheres de outras religiões.

Não consta que a religiosa Beata Teresa de Calcutá, a leiga C. Lubich, ou a médica Santa Joana Beretta Mola, casada e mãe de vários filhos, tivessem tido, por razão da sua condição feminina, nenhum problema com a Igreja do seu tempo, que é o nosso. Pelo contrário, mais e melhor do que muitos homens, enriqueceram a instituição eclesial com a alegria das suas vidas santas e, as duas primeiras, também com o dinamismo das entidades que originaram.

O movimento fundado por Chiara é até um caso de salutar feminismo cristão: embora misto, só as mulheres podem chegar à presidência. Seria caso para dizer que a Igreja católica tem um problema com os seus fiéis do sexo masculino, uma vez que nunca poderão ascender ao topo dessa meritória organização…

A questão da mulher na Igreja, como outras análogas, reporta-se a um aspecto para o qual o Papa Francisco tem chamado a atenção e que vai muito além do pormenor, significativo mas de somenos importância, de lavar os pés a duas adolescentes: a necessidade de entender a Igreja como serviço e não como poder. Quem vê ainda a Igreja como um poder, não pode compreender que, para um cristão coerente, seja homem ou mulher, o único que importa é o serviço e que, para esse efeito, tanto dá a condição masculina como a feminina, ser leigo ou sacerdote, viver vida contemplativa ou activa, ser religioso ou cidadão do mundo.

Decididamente, não é a Igreja que tem um problema com as mulheres, mas algumas mulheres que têm um problema com a Igreja. Umas quantas — Maria de Nazaré, Maria Madalena, Isabel de Portugal, Alexandrina de Balazar, Joana Beretta Mola, Teresa de Calcutá, Chiara Lubich, etc. — resolveram-no. Outras, pelos vistos, ainda não, mas estão a tempo de também serem, como alguém disse de Teresa de Lisieux, o rosto de Cristo na face de uma mulher.

P. Gonçalo Portocarrero de Almada - artigo publicado no PÚBLICO (Domingo, dia 14-4-2013)

Santidade

O segredo da santidade é a amizade com Cristo e a adesão fiel à sua vontade.

Bento XVI - Discurso aos seminaristas (19.Ago.05)

O Evangelho do dia 30 de março de 2017

«Se dou testemunho de Mim mesmo, o Meu testemunho não é verdadeiro. Outro é o que dá testemunho de Mim; e sei que é verdadeiro o testemunho que dá de Mim. Vós enviastes mensageiros a João e ele deu testemunho da verdade. Eu, porém, não recebo o testemunho dum homem, mas digo-vos estas coisas a fim de que sejais salvos. João era uma lâmpada ardente e luminosa. E vós, por uns momentos, quisestes alegrar-vos com a sua luz. «Mas tenho um testemunho maior que o de João: as obras que o Pai Me deu que cumprisse, estas mesmas obras que Eu faço dão testemunho de Mim, de que o Pai Me enviou. E o Pai que Me enviou, Esse mesmo deu testemunho de Mim. Vós nunca ouvistes a Sua voz nem vistes a Sua face e não tendes em vós, de modo permanente, a Sua palavra, porque não acreditais n'Aquele que Ele enviou. «Examinai as Escrituras, visto que julgais ter nelas a vida eterna: elas são as que dão testemunho de Mim. E não quereis vir a Mim, para terdes vida. A glória, não a recebo dos homens, mas sei que não tendes em vós o amor de Deus. Vim em nome de Meu Pai e vós não Me recebeis; se vier outro em seu próprio nome, recebê-lo-eis. Como podeis crer, vós que recebeis a glória uns dos outros e não buscais a glória que só de Deus vem? Não julgueis que sou Eu que vos hei-de acusar diante do Pai; Moisés, em quem confiais, é que vos acusará. Se acreditásseis em Moisés, certamente acreditaríeis também em Mim, porque ele escreveu de Mim. Porém, se não dais crédito aos seus escritos, como haveis de dar crédito às Minhas palavras?».

Jo 5, 31-47

quarta-feira, 29 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 28ª Reflexão
E a mansidão, Senhor?

Mais uma vez que me convidas a passear contigo e vais-me colocando perante mim:
A mansidão, meu filho, é uma virtude que te faz viver em paz contigo e com os outros, nas coisas mais simples e nas coisas mais difíceis. É aceitares os outros como eles são, e aceitares-te também a ti, como tu és.
É seres aberto a ser ensinado em tudo, às vezes por aqueles que julgas nada te poderem ensinar, (porque os julgas simples, sem nada para ensinar), mas que num gesto ou numa palavra te podem fazer perceber os teus erros e fraquezas ou tantas coisas que desconheces.
É não levantares a voz, nem externa, nem internamente, mas procurares, por exemplo, numa discussão, fazê-la de coração aberto, atento ao que te dizem e respondendo em paz e tranquilidade.
É um caminho tão vasto, meu filho, que só confiando no Espírito Santo e a Ele se entregando, é possível verdadeiramente percorrer.
Queres perceber, meu filho, numa coisa muito simples, onde podes viver também a mansidão?
Por exemplo, quando conduzes o teu automóvel e te irritas com aquilo que achas serem as aneiras dos outros. Serão mesmo asneiras e não as praticas tu também, de quando em vez? Sabes qual é o estado de espírito daquele que as praticou?
E não te esqueças, meu filho, que só pode ser manso aquele que é forte, porque só na fortaleza e na humildade se encontra a mansidão.

Nem sei o que Te dizer, mas peço-Te:
Faz com que o meu coração e a minha mente reflictam sempre na mansidão, antes de reagirem, antes de responderem, seja a quem for e a tudo aquilo que acontecer no dia-a-dia da vida que me dás.
Que eu me saiba entregar ao Espírito Santo, para que na Sua fortaleza, eu possa ser manso como Tu queres que seja.
Ensina-me a mansidão, Senhor, faz-me manso e humilde como Tu!

Obrigado, Senhor, pelos mansos e humildes de coração.

Monte Real, 9 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página Facebook

Audiência geral (resumo)

Locutor: Abraão é nosso pai na fé; hoje podemos ver que ele é também, para nós, pai na esperança. Pois «foi com uma esperança, para além do que se podia esperar, que Abraão acreditou». Estas palavras do apóstolo Paulo mostram-nos a ligação íntima que existe entre a fé e a esperança. Esta não se apoia em raciocínios, previsões e certezas humanas, conseguindo ir mais além do que humanamente se pode esperar. É o caso de Abraão que acreditou na promessa divina de que haveria de ser pai de muitos povos, quando já nada o fazia esperar: a morte já o espreitava e a sua esposa, Sara, era estéril. A esperança teologal é capaz de subsistir no meio da derrocada de todas as esperanças humanas, porque não se funda numa palavra nossa, mas na Palavra de Deus. É uma esperança apoiada sobre uma promessa que, do ponto de vista humano, parece insegura e fora de todas as previsões; e contudo vemo-la resistir à própria morte, se quem promete é o Deus da Ressurreição e da Vida. Somos chamados, também nisto, a seguir o exemplo de Abraão: não obstante a sua vida já votada à morte, fiou-se de Deus, «plenamente convencido que Ele tinha poder para realizar o que tinha prometido». Peçamos a graça de viver apoiados, não tanto nas nossas seguranças e capacidades, como sobretudo na esperança que brota da promessa de Deus, como verdadeiros filhos de Abraão. Então a nossa vida assumirá uma luz nova, com a certeza de que Aquele que ressuscitou o seu Filho nos há de ressuscitar também a nós, para nos tornarmos verdadeiramente um só com Ele e com todos os nossos irmãos e irmãs na fé.
* * *
Santo Padre:
Con particolare affetto saluto il gruppo di «Amigos dos Museus de Portugal» e anche i professori e gli alunni del «Colégio Cedros», augurando a tutti i pellegrini presenti di lingua portoghese e alle rispettive famiglie una rinnovata vitalità spirituale nella fedele e generosa adesione a Cristo e alla Chiesa. Guardate al futuro con speranza e non stancatevi di lavorare nella vigna del Signore. Vegli sul vostro cammino la Vergine Maria.
* * *
LocutorCom particular afeto, saúdo o grupo de «Amigos dos Museus de Portugal» e também os professores e os alunos do «Colégio Cedros», desejando a todos os peregrinos presentes de língua portuguesa e respetivas famílias uma renovada vitalidade espiritual na fiel e generosa adesão a Cristo e à Igreja. Olhai o futuro com esperança e não vos canseis de trabalhar na vinha do Senhor. Vele sobre o vosso caminho a Virgem Maria.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1947

A Câmara Municipal de Barbastro, sua cidade natal, nomeia-o Filho predilecto. Passados anos, numa carta dirigida ao Presidente da Câmara, datada de 28 de Março de 1971, escreve: “Sou muito barbastrense e procuro ser bom filho dos meus pais. Deixe-me dizer que a minha mãe e o meu pai, embora tivessem de sair dessa terra, inculcaram em nós, com a fé e a piedade, um carinho muito grande às terras banhadas pelo Vero e pelo Cinca”.

O Evangelho do dia 29 de março de 2017

Mas Jesus respondeu-lhes: «Meu Pai não cessa de trabalhar, e Eu trabalho também». Por isso, os judeus procuravam com maior ardor matá-l'O, porque não somente violava o sábado, mas também dizia que Deus era Seu Pai, fazendo-Se igual a Deus. Jesus respondeu e disse-lhes: «Em verdade, em verdade vos digo: O Filho não pode por Si mesmo fazer coisa alguma, mas somente o que vir fazer ao Pai; porque tudo o que fizer o Pai o faz igualmente o Filho. Porque o Pai ama o Filho e mostra-Lhe tudo o que faz; e Lhe mostrará maiores obras do que estas, até ao ponto de vós ficardes admirados. Porque assim como o Pai ressuscita os mortos e lhes dá vida, assim também o Filho dá vida àqueles que quer. O Pai a ninguém julga, mas deu ao Filho o poder de julgar a fim de que todos honrem o Filho como honram o Pai. Quem não honra o Filho não honra o Pai que O enviou. Em verdade, em verdade vos digo que quem ouve a Minha palavra e crê n'Aquele que Me enviou tem a vida eterna e não incorre na sentença de condenação, mas passou da morte para a vida. Em verdade, em verdade vos digo que vem a hora, e já chegou, em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que a ouvirem viverão. Com efeito, assim como o Pai tem a vida em Si mesmo, assim deu ao Filho ter vida em Si mesmo; e deu-Lhe o poder de julgar, porque é o Filho do Homem. Não vos admireis disso, porque virá tempo em que todos os que se encontram nos sepulcros ouvirão a Sua voz, e os que tiverem feito obras boas sairão para a ressurreição da vida, mas os que tiverem feito obras más sairão ressuscitados para a condenação. Não posso por Mim mesmo fazer coisa alguma. Julgo segundo o que ouço, e o Meu juízo é justo, porque não busco a Minha vontade, mas a d'Aquele que Me enviou.

Jo 5, 17-30

terça-feira, 28 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 27ª Reflexão

Trazes, Senhor, ao meu coração a Mãe do Céu, a Mãe que Tu nos deste naquele dia na Cruz.

E é Ela que me senta ao seu colo e me fala ao coração:
Meu Joaquim, o meu único e grande desejo é mostrar-te Jesus, todos os dias, desde que te levantas até que te deitas.
Discretamente, como sempre fiz, caminho ao teu lado e vou-te mostrando, com o coração de Mãe, a presença do meu Filho sempre junto de ti e de todos.
Por vezes estás distraído ou olhas para o lado, quando te surge aquele que não conheces ou te incomoda, mas Eu chamo-te a atenção para que vejas Jesus no teu irmão.
Não sou Eu, por vontade dEle, Mãe de todos?
Meu Joaquim, a melhor honraria, a melhor devoção que me podem fazer, é amar Jesus acima de todas as coisas, fazer em tudo a Sua vontade e só a Ele adorar e glorificar.

Olho-te nos olhos, e uma lágrima teimosa aparece, quando te peço:
Ajuda-me e ensina-me, Mãe, a amar Jesus acima de todas as coisas e a segui-lO em tudo e sempre.
Ajuda-me e ensina-me, Mãe, a reconhecer Jesus em cada irmã e cada irmão que passam na minha vida, seja em que circunstância for, mas sobretudo naqueles que mais necessitam.
Ajuda-me e ensina-me, Mãe, a fazer sempre tudo o que Ele me disser.
E não cesses nunca, Mãe, de interceder por todos e por mim, junto do teu Filho, que sempre te ouve, porque pedes sempre segundo a Sua vontade.

Obrigado, Mãe, obrigado!

Monte Real, 8 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

VIA SACRA

VII estação

Jesus cai pela segunda vez
  
Nós Vos adoramos e bendizemos oh Jesus!
Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.

Os joelhos em chaga, marcam uma vez mais com sangue as pedras da calçada do martírio.

Se não fosse necessário subires até ao Calvário, morrerias ali mesmo. De dor, de exaustão.

Mas é preciso que tudo se cumpra e Tu, levantas-te outra vez.

Eu fico pasmado com a Tua determinação de quereres, custe o que custar, ir até ao fim.

Percebo que pretendes demonstrar-me que não é irremediável cair, gravíssimo é não me levantar.

Necessito de coragem, força, ânimo e determinação para seguir em frente, levantando-me sempre que cair.

Se eu me esforçar verdadeiramente, se da minha parte houver esse firme propósito, então Tu Senhor, nunca me faltarás com o auxílio necessário e bastante para o conseguir, pois Tu bem sabes que, sozinho, nada posso.

Esta a mensagem que os Teus olhos doridos me comunicam, enquanto estás por terra.

Sabes bem que contribui para esta Tua queda, com as minhas faltas, as minhas omissões, as minhas cedências à concupiscência.

Mesmo assim, Tu perdoas-me e esperas que também eu me levante, que, envergonhadíssimo e contrito, peça perdão, faça o propósito de não tornar a pecar e siga em frente.

Podes levantar-te agora, Senhor.

Estou disposto a seguir o Teu exemplo.

Sei que hei-de cair muitas vezes, mas tenho a firme disposição de me levantar sempre, para que o caminho não deixe de ser andado, em frente, como deve ser, para Teu contentamento e alegria e para salvação da minha alma.

PN, AVM, GLP.

Senhor: Tem piedade de nós

São Josemaría Escrivá nesta data em 1925

Recebe a ordenação sacerdotal na igreja de São Carlos, em Saragoça (Espanha). É Sábado: “O recebido... é Deus! O recebido é poder celebrar a Sagrada Eucaristia, a Santa Missa – fim principal da ordenação sacerdotal – perdoar os pecados, administrar outros sacramentos e pregar com autoridade a Palavra de Deus, dirigindo os outros fiéis nas coisas que se referem ao Reino dos Céus”. À cerimónia assiste a mãe, a irmã e o irmão mais novo, Santiago, que tem seis anos.

A nossa participação no sacrifício de Jesus Cristo Nosso Redentor ao celebrarmos a Sagrada Eucaristia

«Toda esta cidade resgatada, ou seja, a assembleia e sociedade dos santos, é oferecida a Deus como um sacrifício universal pelo Sumo-Sacerdote que, sob a forma de servo, foi ao ponto de Se oferecer por nós na sua paixão, para fazer de nós corpo duma tal Cabeça [...] Tal é o sacrifício dos cristãos: "Nós que somos muitos, formamos em Cristo um só corpo" (Rom 12, 5). E este sacrifício, a Igreja não cessa de o renovar no sacramento do altar bem conhecido dos fiéis, em que lhe é mostrado que ela própria é oferecida naquilo que oferece»

(Santo Agostinho - De Civitate Dei 10, 6) 

Igreja é local de reencontro, salvação e abrigo

«… navega segura neste mundo, ao sopro do Espírito Santo, sob a vela panda da Cruz do Senhor»

(
Santo Ambrósio - De virginitate 18, 119)

O Evangelho do dia 28 de março de 2017

Depois disto, houve uma festa dos judeus e Jesus subiu a Jerusalém. Ora há em Jerusalém, junto da porta das Ovelhas, uma piscina, que em hebraico se chama Bezatha, a qual tem cinco galerias. Nestas jazia uma multidão de enfermos, cegos, coxos, paralíticos, que esperavam o movimento da água. Omitido pela Neo-Vulgata. Estava ali um homem que havia trinta e oito anos se encontrava enfermo. Jesus, vendo-o deitado e sabendo que estava assim havia muito tempo, disse-lhe: «Queres ficar são?». O enfermo respondeu-Lhe: «Senhor, não tenho ninguém que me lance na piscina quando a água é agitada; e, enquanto eu vou, outro desce primeiro do que eu». Jesus disse-lhe: «Levanta-te, toma o teu leito e anda». No mesmo instante, aquele homem ficou são, tomou o seu leito e começou a andar. Ora aquele dia era um sábado. Por isso os judeus diziam ao que tinha sido curado: «Hoje não te é lícito levar o teu leito». Ele respondeu-lhes: «Aquele que me curou, disse-me: Toma o teu leito, e anda». Perguntaram-lhe então: «Quem é esse homem que te disse: Toma o teu leito e anda?». Porém, o que tinha sido curado não sabia quem Ele era, porque Jesus havia desaparecido sem ser notado, devido à multidão que estava naquele lugar. Depois disto, Jesus encontrou-o no templo e disse-lhe: «Eis que estás são; não peques mais, para que não te suceda coisa pior». Foi aquele homem anunciar aos judeus que era Jesus quem o tinha curado. Por isto os judeus perseguiam Jesus, porque fazia estas coisas ao sábado.

Jo 5, 1-16

segunda-feira, 27 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 26ª Reflexão

Hoje, Senhor, trazes ao meu coração a humildade.

Olhas-me nos olhos e dizes-me:
Meu filho, a humildade é uma virtude inestimável que Eu posso ver, mas aos homens é bem mais difícil perceber.
A humildade não é a negação dos dons e talentos que cada um tem, mas o reconhecimento de que os mesmos são graça Minha à vida de cada um, e assim sendo, devem ser usados constantemente, nunca para orgulho ou elogio do próprio, mas sim como testemunho das maravilhas que Deus faz em cada um.
Por isso a humildade é também disponibilidade permanente para os outros, e também, e ainda, o reconhecimento sereno das fraquezas que cada um, como pecador que é, tem.
Cuidado, meu filho, com a falsa humildade que o inimigo pode instilar no coração de cada um, levando-o a não fazer uso dos dons e talentos que por graça lhe dou para Me servir, servindo os homens, sob a “capa” de que seria um pretenso orgulho fazer uso desses mesmos dons e talentos.
Lembra-te ainda, que o testemunho que cada um dá de Mim e do meu amor, parte sempre de Mim, e por isso Eu o posso fazer chegar aos corações dos que Me procuram, isento das fraquezas de quem dá esse testemunho.

Humildemente baixo a cabeça e peço-Te:
Ensina-me, Senhor, a humildade.
A humildade de Te reconhecer Senhor de tudo, e também a humildade de Te servir com e em tudo o que me dás.
Não deixes que o inimigo me engane, me confunda e me afaste de Te servir por um pretenso orgulho, mas sim que, reconhecendo as minhas fraquezas, eu Te sirva, servindo os outros, entregando-me sem reservas a Ti, confiando sempre que és Tu que fazes, e se és Tu que fazes, então tudo está bem feito por Tua graça e apenas e só por Tua graça.

Humildemente, Senhor, obrigado!

Monte Real, 7 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

Nota: A humildade é o mais perfeito conhecimento de nós mesmos
(São Bernardo de Claraval)

ABENÇOADA TENTAÇÃO!

Às vezes, vem-me assim um abatimento, uma tristeza, não entendo de onde e porquê, como que a dizer-me que estou só, espiritualmente falando, como se Deus se tivesse apartado de mim e me deixasse entregue a mim próprio e às minhas fraquezas e defeitos.

E se me distraio e não luto, há uma secura, um vazio, que me quer iludir, colocando-me dúvidas, que insidiosamente entra na minha mente e me faz perguntar a mim próprio se tudo isto faz sentido, se Deus existe, se toda esta entrega me leva realmente a algum lado.

E hoje, como tantas vezes, o dia começou assim.

Mas estamos na Quaresma e à minha mente, à minha imaginação veio a imagem de Jesus Cristo no deserto, só, em jejum, e a ser tentado pelo demónio.

Qualquer comparação, entre as duas situações, seria absolutamente absurda, mas abriu-me a mente para a realidade de que, afinal estes momentos de abatimento, de tristeza, são também uma tentação do inimigo, a querer afastar-me da certeza de Deus, da alegria de Deus, da companhia, (mesmo que aparentemente ausente), de Deus.

E quero perceber porque é que Deus permite tais momentos, permite tais tentações, como um modo de me fortalecer na fé, tornando mais consciente em mim a necessidade espiritual e de vida, de cada vez mais estar unido a Ele em oração e vigília permanente, não só por mim, mas para dar testemunho de que Ele está realmente no meio de nós e em nós.

E então, a secura pode ainda permanecer, a sensação de estar só pode ainda continuar, mas no fundo do coração brilha a luz da certeza do que Ele me diz, do que Ele nos diz, se O quisermos escutar:
Eu estou aqui e nunca daqui sairei, a não ser que conscientemente me queiras rejeitar.

Abençoada tentação, que acaba por produzir tais frutos da graça de Deus!

Monte Real, 27 de Março de 2017

Joaquim Mexia Alves

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

É Quinta-feira Santa, véspera das suas bodas de ouro sacerdotais. Mal havia iniciado um tempo de meditação começa a orar em voz alta: Adauge nobis fidem! Aumenta-nos a fé!, estava eu a dizer ao Senhor. Quer que eu lhe peça isto: que nos aumente a fé. Amanhã não vos direi nada; e agora nem sei o que vos vou dizer... Que me ajudeis a dar graças a Deus Nosso Senhor por este cúmulo imenso, enorme, de favores, de providência, de carinho... de pancadas! Que também são carinho e providência (...). Passados cinquenta anos, estou aqui como uma criança que balbucia: estou a começar, a recomeçar, como na minha luta interior de cada dia. E assim até ao fim dos dias que me restam: sempre a recomeçar. O Senhor assim o quer”.

O Evangelho do dia 27 de março de 2017

Passados dois dias, partiu Jesus dali para a Galileia. Porque o mesmo Jesus tinha afirmado que um profeta não é respeitado na sua própria pátria. Tendo chegado à Galileia receberam-n'O bem os galileus porque tinham visto todas as coisas que fizera em Jerusalém durante a festa; pois também eles tinham ido à festa. Foi, pois, novamente a Caná da Galileia, onde tinha convertido a água em vinho. Havia em Cafarnaum um funcionário real, cujo filho estava doente. Este, tendo ouvido dizer que Jesus chegara da Judeia à Galileia, foi ter com Ele e pediu-Lhe que fosse a sua casa curar o filho que estava a morrer. Jesus disse-lhe: «Vós, se não virdes milagres e prodígios não acreditais». O funcionário real disse-Lhe: «Senhor, vem antes que o meu filho morra». Jesus disse-lhe: «Vai, o teu filho vive». Deu o homem crédito ao que Jesus lhe disse e partiu. Quando já ia para casa, vieram os criados ao seu encontro dizendo que o filho vivia. Perguntou-lhes a hora em que o doente se sentira melhor. Disseram-lhe: «Ontem, à hora sétima, a febre deixou-o». Reconheceu então o pai ser aquela mesma a hora em que Jesus lhe dissera: «Teu filho vive». Acreditou ele, assim como toda a sua família. Foi este o segundo milagre que Jesus fez depois de ter vindo da Judeia para a Galileia.

Jo 4, 43-54

domingo, 26 de março de 2017

Reflexões Quaresmais

Quaresma – 25ª Reflexão

Hoje, Senhor, vêm ao meu coração todos os meus defeitos, ou pelo menos aqueles que consigo reconhecer com mais facilidade.

E abro-Te o coração!

Sou orgulhoso, vaidoso, inconstante, impaciente, por vezes mentiroso, invejoso, crítico sem procurar ajudar, uso da má língua, por vezes, sem me importar do mal que ela faz, procuro muitas vezes mais a minha consolação do que os outros consolar, não dou mais do que me sobra, com medo de que me falte, confio em Ti nas coisas fáceis mas nas difíceis por vezes duvido, espero em Ti, muitas vezes duvidando do meu esperar, dou testemunho, muitas vezes chamando mais a atenção para mim, do que para Ti a Quem quero testemunhar, rezo por vezes rotineiramente e outras vezes nem sequer quero rezar, e sou pecador, Senhor, muito pecador e muitas vezes me deixo pecar.

Abres-me os braços, chamas-me a Ti e dizes-me num imenso sorriso:
E Eu amo-te, meu filho, com amor eterno. Com um amor muito maior do que todos os teus defeitos, do que todas as tuas faltas, do que todos os teus pecados.

Prostro-me diante de Ti e peço-Te:
Ajuda-me e ensina-me, Senhor, a reconhecer sempre o meu pecado, a reconhecer sempre como sou pecador.
Mas sobretudo, Senhor, ajuda-me e ensina-me a acreditar inabalavelmente no Teu amor e a confiar constantemente que em cada regresso à casa do Teu perdão, Tu fazes a festa do filho pródigo que a Ti regressa.

Obrigado, Senhor, agora e sempre, obrigado!

Marinha Grande, 6 de Março de 2016

Joaquim Mexia Alves na sua página no Facebook

São Josemaría Escrivá nesta data em 1967

“A vida cristã deve ser vida de oração constante, procurando estar na presença do Senhor de manhã até à noite e de noite até à manhã. O cristão nunca é um homem solitário, posto que vive numa conversa contínua com Deus, que está junto de nós e nos céus”, diz nesta data numa homilia que, depois, é publicada em Cristo que passa.

Bom Domingo do Senhor!

Imitemos o cego curado pelo Senhor de que nos fala o Evangelho de hoje (Jo 9, 1-41) e ajoelhemo-nos diante do Sacrário manifestando-lhe o nosso amor e reconhecimento em oração.

Graças e louvores se dêem a todo o momento ao Santíssimo Sacramento!

Bons ateus ou maus católicos?

Santo Padre discursando nas celebrações dos 60 anos
do Tratado da União Europeia
Há quem diga que “Francisco prefere bons ateus a maus católicos”, dando a entender que os católicos são maus por serem católicos e que, portanto, se deixassem de o ser, seriam bons, ou seja ateus…

Há muito boa gente que gosta muito de Francisco… apesar de ser Papa! Tão amigos são do Papa Francisco que até lhe fazem o favor de o pôr a dizer o que ele nunca disse, nem pode dizer, mas que eles, “bons ateus” ou “maus católicos”, muito gostariam que dissesse. Ou seja, para justificarem a sua particular devoção por Francisco, não obstante a solene embirração que têm pela Igreja Católica, convertem Francisco num antipapa, coisa que, obviamente, Francisco nunca foi nem, com a graça de Deus, será. Senão, vejamos.

Num texto de Bárbara Reis sobre “Oito razões a favor do Papa” (Público, 10-3-2017), é dito que Francisco “abriu a possibilidade de os católicos divorciados e recasados poderem receber a comunhão”. Na realidade não abriu, porque essa possibilidade sempre existiu e já tinha sido reconhecida explicitamente pelos papas Bento XVI e São João Paulo II. Francisco apenas acrescentou “um convite à misericórdia e ao discernimento pastoral perante situações que não correspondem ao que o Senhor nos propõe” (Amoris Laetitia, 2). Nada de novo, portanto e, por isso, nessa sua segunda Exortação Apostólica, o Papa Francisco criticou os que têm “o desejo desenfreado de mudar tudo” (AL, 2).

Tendo em conta que a indissolubilidade matrimonial é um ensinamento explícito de Cristo, como também o é a impossibilidade da comunhão eucarística para quem não reúna as condições necessárias para o efeito, nenhum papa pode permitir que algum fiel possa comungar em situação de pecado mortal, seja este o de adultério ou qualquer outro. Porém, nem tudo o que parece, é: “não é possível dizer que todos os que estão numa situação chamada ‘irregular’ vivem em estado de pecado mortal, privados da graça santificante” (AL, 301). Muito excepcionalmente, “é possível que uma pessoa, no meio de uma situação objectiva de pecado – mas de que subjectivamente não é culpável, ou não o é plenamente – possa viver na graça de Deus” (AL, 305).

Há quem não entenda isto e, por isso, conclua: “É caso para dizer: viva a confusão”. Mas não há lugar a nenhuma confusão porque, como “se não devia esperar do sínodo, ou desta exortação, uma nova normativa geral de tipo canónico, aplicável a todos os casos” (AL, 300), a Amoris Laetitia deve ser interpretada no sentido do anterior magistério eclesial e da tradição, como aliás fez o Cardeal Patriarca de Lisboa, presidente da Conferência Episcopal Portuguesa.

É verdade que “Francisco defende os refugiados muçulmanos todos os dias”, como também os seus antecessores na cátedra de Pedro foram defensores da paz e da liberdade religiosa em todo o mundo. Mas o Papa Francisco não ignora o carácter ofensivo de um sector radical do islamismo e tem apelado, repetidas vezes, a todos os responsáveis religiosos – cristãos incluídos! – para que não permitam que o nome de Deus seja invocado como fundamento da guerra, ou do terrorismo.

Apesar de o Papa Francisco ter sido o primeiro vigário de Cristo que subscreveu uma encíclica sobre a temática ecológica, a verdade é que a questão tinha sido já repetidas vezes referida pelos seus antecessores, nomeadamente São João Paulo II, que era um declarado amante da natureza. A paixão ecológica do Cristianismo não é recente: já São Francisco de Assis – de quem o actual pontífice romano tomou o nome – tinha cultivado esse mesmo amor religioso pelo mundo e por todas as suas criaturas.

Quando o Papa Francisco afirmou “Se uma pessoa procura Deus de boa vontade e é gay, quem sou eu para a julgar?” causou um tremendo sururu, como se a frase, tida por gay friendly, revogasse toda a doutrina moral sobre a matéria. É óbvio que este Papa é gay friendly, como foram os seus antecessores e são todos os bispos e fiéis dignos desse nome, porque a tanto obriga o mandamento novo da caridade. Mas essa exigência não contradiz o princípio da moral católica que exige reprovar o acto pecaminoso, mas sem condenar o sujeito, que só Deus pode julgar. Por isso, o Papa Francisco não se contradisse quando, não obstante o que afirmou sobre as pessoas com tendência homossexual, realçou que as uniões entre pessoas do mesmo sexo não podem ser equiparadas ao matrimónio (AL, 52).

É verdade que Francisco tem um estilo muito próprio e muito diferente da precisão teológica de Bento XVI. O Papa actual é, sobretudo, um pastor e, por isso, a sua linguagem é mais “do século”, ou do mundo, sem ser mundana. O Papa Francisco privilegia uma abordagem mais informal, que não é menos ortodoxa, embora escandalize os fundamentalistas e os que, de tão apegados à letra da lei, não compreendem o seu espírito.

É de um grande simplismo afirmar que “Francisco não acredita em muros e é o mais radical político anti-Trump”. As fronteiras, que outra coisa não são do que muros mais ou menos intransponíveis, são necessárias para definir o âmbito da soberania dos Estados: o Vaticano também as tem, por sinal muradas. Sugerir que o Papa Francisco é contra o presidente eleito de uma das maiores democracias do mundo poderia levar a crer que não é democrata, ou que é ‘político’ e, como tal, pretende intervir na política interna de um Estado, ignorando a separação evangélica entre o que é de Deus e o que é de César.

Há quem diga que “Francisco prefere bons ateus a maus católicos”, dando a entender que os católicos são maus, por serem católicos, e que portanto, se deixassem de o ser, converter-se-iam em bons, ou seja em ateus… O Papa Francisco reconhece que há ateus que, por excepção, são bons, como também não ignora que há católicos que, por excepção, são maus; mas também sabe que são meras excepções. A regra é que os católicos sejam bons, não por mérito próprio, mas pela graça dessa sua condição; quem a não tem pode ter alguma bondade, mas não tanta quanto teria se a tivesse. Caso contrário, para que serviria ser cristão?!

De facto, os maus católicos são melhores do que os bons ateus, não porque humanamente sejam mais perfeitos, mas porque, pela sua fé, não só alcançam a graça que os perdoa e liberta dos seus pecados, como também a alegria do amor de Deus.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI