N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 31 de julho de 2017

Ele te dará a sua força

Em momentos de esgotamento, de fastio, recorre confiadamente ao Senhor, dizendo-lhe como aquele nosso amigo: "Jesus, vê lá o que fazes...: antes de começar a luta, já estou cansado". Ele te dará a sua força. (Forja, 244)

– Qual é o fundamento da nossa fidelidade?
– Dir-te-ia, a traços largos, que se baseia no amor de Deus, que faz vencer todos os obstáculos: o egoísmo, a soberba, o cansaço, a impaciência...
Um homem que ama calca-se a si próprio; sabe que, até amando com toda a sua alma, ainda não sabe amar bastante. (Forja, 532)

Jesus, que suscitou as nossas ansiedades, vem ao nosso encontro e diz-nos: se alguém tem sede, venha a Mim e beba. E oferece-nos o seu Coração, para encontrarmos nele o nosso repouso e a nossa fortaleza. Se aceitarmos o seu chamamento, veremos como as suas palavras são verdadeiras, e aumentará a nossa fome e a nossa sede, até desejarmos que Deus estabeleça no nosso coração o lugar do seu repouso e não afaste de nós o seu calor e a sua luz. (Cristo que passa, 170)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1940

“Muito querida mãe e muitos queridos Cármen e Santiago. Jesus vos guarde! Recordo-me muito de vós e peço ao Senhor que vos dê alegria para continuarem a ajudar-nos no nosso trabalho. Espero que, dentro de poucos meses, o esforço que Deus e eu vos pediremos seja menos intenso. Entretanto, fazei-o por Ele”, escreve numa carta à sua família.

A santidade

E fixo-me agora noutra das notas características da Igreja: a santidade. Bento XVI, para nos ajudar a fruir desta realidade, indicava que, ao longo deste ano, «será decisivo voltar a percorrer a história da nossa fé, que contempla o mistério insondável da encruzilhada da santidade com o pecado» [4]. Refletir sobre a santidade da Igreja, manifestada na sua doutrina, nas suas instituições, em tantas filhas e filhos seus ao longo da história, levar-nos-á a uma profunda ação de graças ao Deus três vezes santo, fonte de toda a santidade, a saber que estamos contidos na manifestação de amor da Santíssima Trindade por nós: como recorremos diariamente a cada Pessoa divina? Sentimos a necessidade de as amar, distinguindo cada uma?

Ao expor a natureza da Igreja, o Concílio Vaticano II destaca três aspectos nos quais o seu mistério se exprime com maior propriedade: o Povo de Deus, o Corpo Místico de Cristo, o Templo do Espírito Santo; e o Catecismo da Igreja Católica desenvolve-os amplamente [5]. Reverbera em cada um a nota da santidade, que, tal como as restantes notas, distingue a Igreja de qualquer agrupamento humano.

A denominação Povo de Deus remete para o Antigo Testamento. Yahvé escolheu Israel como seu povo peculiar, como anúncio e antecipação do definitivo Povo de Deus, que Jesus Cristo iria estabelecer mediante o sacrifício da Cruz. Vós sois linhagem escolhida, sacerdócio real, nação santa, povo adquirido em propriedade, para que apregoeis as maravilhas d’Aquele que vos chamou das trevas à sua admirável luz [6]. Gens Sancta, povo santo, composto por criaturas com misérias. Esta aparente contradição marca um aspecto do mistério da Igreja. A Igreja, que é divina, é também humana, porque está formada por homens e os homens têm defeitos: omnes hómines terra et cinis (Sir 17, 31), todos somos pó e cinza [7].

Esta realidade deve levar-nos à contrição, à dor de amor, à reparação, mas nunca ao desalento ou ao pessimismo. Não esqueçamos que o próprio Jesus comparou a Igreja com um campo em que crescem juntos o trigo e o joio; com uma rede de arrasto que apanha peixes bons e maus e que só no final dos tempos se fará a separação definitiva entre uns e outros [8]. Ao mesmo tempo, consideremos que já agora, na terra, o bem é maior que o mal, a graça mais forte que o pecado, ainda que a sua ação seja por vezes menos visível. Mas acontece que a santidade pessoal de tantos fiéis - dantes e de agora - não é uma coisa aparatosa. É frequente que não a descubramos nas pessoas normais, correntes e santas, que trabalham e convivem no meio de nós. Para um olhar terreno o pecado e as faltas de fidelidade, ressaltam mais; chamam mais a atenção [9]. Nosso Senhor quer que os seus filhos e filhas no Opus Dei, e tantos outros cristãos, recordem a todos os homens e mulheres que receberam essa vocação para a santidade e hão de esforçar-se por corresponder à graça e ser pessoalmente santos [10].

[4]. Bento XVI, Carta apost. Porta fídei, 11-X-2011, n. 13.
[5]. Cfr. Catecismo da Igreja Católica, nn. 781-810.
[6]. 1 Pe 2, 9.
[7]. S. Josemaria, Homilia Lealdade à Igreja, 4-VI-1972.
[8]. Cfr. Mt 13, 24-30; 47-50.
[9]. S. Josemaria, Homilia Lealdade à Igreja, 4-VI-1972.
[10]. S. Josemaria, Homilia Lealdade à Igreja, 4-VI-1972.

(D. Javier Echevarría na carta do mês de agosto de 2013)
© Prælatura Sanctæ Crucis et Operis Dei

Exercícios Espirituais de Santo Ignacio de Loyola (1491-1556)

Santo Inácio de Loyola foi sobretudo um homem de Deus

Santo Inácio de Loiola foi antes de tudo um homem de Deus, que colocou no primeiro lugar da sua vida Deus, para sua maior glória e serviço; foi um homem de oração profunda, que tinha o seu centro e o seu ápice na Celebração eucarística quotidiana. Desta forma ele deixou aos seus seguidores uma herança espiritual preciosa que não deve ser perdida nem esquecida. Precisamente porque foi um homem de Deus, Santo Inácio foi servidor fiel da Igreja, na qual viu e venerou a esposa do Senhor e a mãe dos cristãos. E do desejo de servir a Igreja do modo mais útil e eficaz surgiu o voto de especial obediência ao Papa, por ele mesmo qualificado como "o nosso princípio e principal fundamento" (MI, Série III, I, pág. 162). Este carácter eclesial, tão específico da Companhia de Jesus, continue a estar presente nas vossas pessoas e na vossa actividade apostólica, queridos Jesuítas, para que possais ir fielmente ao encontro das actuais necessidades urgentes da Igreja. Entre elas parece-me importante assinalar o compromisso cultural nos campos da teologia e da filosofia, tradicionais âmbitos de presença apostólica da Companhia de Jesus, assim como o diálogo com a cultura moderna, que se por um lado se orgulha pelos maravilhosos progressos no campo científico, permanece fortemente marcada pelo cientismo positivista e materialista. Sem dúvida, o esforço de promover em cordial colaboração com as outras realidades eclesiais, uma cultura inspirada nos valores do Evangelho, exige uma intensa preparação espiritual e cultural. Precisamente por isto, Santo Inácio quis que os jovens jesuítas fossem formados durante longos anos na vida espiritual e nos estudos. É bom que esta tradição seja mantida e fortalecida, considerando também a crescente complexidade e vastidão da cultura moderna. Outra grande preocupação para ele foram a educação cristã e a formação cultural dos jovens: para isso procurou incrementar a instrução dos "colégios", os quais, depois da sua morte, se difundiram na Europa e no mundo. Continuai, queridos Jesuítas, este importante apostolado mantendo inalterado o espírito do vosso Fundador.

(Bento XVI no encontro com os participantes de uma Peregrinação organizada pela Companhia de Jesus em 22.06.2006)

Santo Inácio de Loyola - Fundador da Companhia de Jesus

«Tomai, Senhor, e recebei toda a minha liberdade, minha memória, minha inteligência e toda a minha vontade, tudo o que tenho e possuo. De vós recebi; a vós, Senhor o restituo. Tudo é vosso; disponde de tudo inteiramente, segundo a vossa vontade. Dai-me o vosso amor e graça, que esta me basta».

(S. Inácio de Loyola - “Exercícios Espirituais”)

«sem equívocos nem hesitações, o seu caminho específico para Deus, como Santo Inácio traçou na ‘Formula instituti’: a fidelidade amorosa ao vosso carisma será uma fonte segura de fecundidade renovada»

(São João Paulo II - “Insegnamenti”, vol. XVIII/1, 1995, pág. 26)

«(…) a proposta de Santo Inácio de Loyola, dos retiros espirituais em casa, sem ser preciso sair de casa para se retirar para um convento ou para um mosteiro. Basta ir uma hora e meia por semana à Igreja para receber meditação e reflexão e depois leva-se trabalho para casa, para se fazer os retiros espirituais em casa. Nós temos coisas belíssimas e preciosas da nossa tradição, somos chamados como o escriba do Evangelho ‘a tirar coisas novas dos tesouros antigos’».

(D. António Marto, ao tempo Bispo de Viseu, hoje Bispo de Leiria-Fátima em 15-XI-2003)

O Evangelho do dia 31 de julho de 2017

Propôs-lhes outra parábola, dizendo: «O Reino dos Céus é semelhante a um grão de mostarda que um homem tomou e semeou no seu campo. É a mais pequena de todas as sementes, mas, depois de ter crescido, é maior que todas as hortaliças e chega a tornar-se uma árvore, de modo que as aves do céu vêm aninhar nos seus ramos». Disse-lhes outra parábola: «O Reino dos Céus é semelhante ao fermento que uma mulher toma e mistura em três medidas de farinha até que tudo esteja fermentado». Todas estas coisas disse Jesus ao povo em parábolas; e não lhes falava sem parábolas, a fim de que se cumprisse o que estava anunciado pelo profeta, que diz: “Abrirei em parábolas a Minha boca, publicarei as coisas escondidas desde a criação do mundo”».

Mt 13, 31-35

domingo, 30 de julho de 2017

Maria Knotenlöserin, the grandmother, the children and the drowned man

Vontade, energia, exemplo

Vontade. – Energia. – Exemplo. – O que é preciso fazer, faz-se... Sem hesitar... Sem contemplações... Sem isso, nem Cisneros* teria sido Cisneros; nem Teresa de Ahumada, Santa Teresa...; nem Iñigo de Loyola, Santo Inácio... Deus e audácia! – "Regnare Christum volumus!" (Caminho, 11)

"Miles", soldado, chama o Apóstolo ao cristão. Pois nesta bendita e cristã luta de amor e de paz pela felicidade de todas as almas, há, dentro das fileiras de Deus, soldados cansados, famintos, magoados pelas feridas... mas alegres: trazem no coração a luz certa da vitória. (Sulco, 75)

Não sabes se será fraqueza física ou uma espécie de cansaço interior que se apoderou de ti, ou as duas coisas ao mesmo tempo... Lutas sem luta, sem o empenho de uma autêntica melhoria positiva, para pegar a alegria e o amor de Cristo às almas.

Quero lembrar-te as palavras claras do Espírito Santo: só será coroado quem tiver lutado "legitime" – deveras!–, apesar dos pesares. (Sulco, 163)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1954

“Este Pedro é um encanto; trabalha maravilhosamente e, como é muito esperto, sabe explorar muito bem, até comigo, a graça e as virtudes humanas que Deus lhe deu”, escreve numa carta aos pais de Pedro Casciaro, falando-lhes do filho. O Pe. Pedro Casciaro tinha iniciado o trabalho apostólico do Opus Dei no México em 1949.

Bom Domingo do Senhor!

Sigamos a sugestão que o Senhor nos fala no Evangelho de hoje (Mt 13, 44-52) e demos-Lhe tudo certos que Ele nos chamará para a Felicidade Eterna no Reino do Céu.

Obrigado Senhor pela Tua infinita bondade!

Maria Knotenlöserin, a avó, as crianças e o afogado

Como pegar num dilema moral que só tem alternativas más? Se nos inclinamos para um lado, morre a avó; se nos inclinamos para o outro, despenha-se um autocarro com crianças; e se não fizermos nada, alguém morre afogado. Qual a solução? Na cidade bávara de Augsburgo, na igreja jesuíta de Sankt Peter am Perlach, a solução está pintada num quadro.

Corria o ano de 1615. O casal Wolfgang e Sophie vivia numa complicação tremenda que ia acabar em divórcio. Na iminência da desgraça, o marido pede ajuda ao Pe. Jakob Rem S.J., que, não podendo fazer por si grande coisa, pede com eles ajuda a Nossa Senhora. A vida daquela família era um nunca mais acabar de nós-cegos, mas Maria foi-os desatando, um a um, e voltou a paz.

Maria Knotenlöserin, na igreja jesuíta
de Sankt Peter am Perlach
Para agradecer o milagre, o neto Hieronymus encomendou e ofereceu à igreja de Sankt Peter um quadro de Maria Desatadora dos Nós (Maria Knotenlöserin). Nuvens de anjos rodeiam Nossa Senhora, mas dois destacam-se em primeiro plano. Um anjo passa-lhe uma fita emaranhada e o outro recebe a fita direita.

A imagem está carregada de símbolos bíblicos. No rodapé, o anjo Rafael guia Tobias para um bom casamento. Maria aparece como Esposa do Espírito Santo, representado em forma de pomba no cimo do quadro, a iluminar toda a cena. A figura de Maria corresponde à descrição do Apocalipse: uma mulher vestida de sol, a lua a seus pés, sobre a sua cabeça uma coroa de doze estrelas, pisando com o pé o dragão infernal. Este gesto contrapõe Maria a Eva, a mãe universal, que se deixou enganar pela serpente. Maria é a nova Eva, prometida por Deus no livro do Génesis «...esmagará com o calcanhar a cabeça da serpente». Maria, concebida sem Pecado Original, é a vencedora do mal. Santo Ireneu de Lião, um grande sábio e santo do século II, expressou esta contraposição numa frase que se repete na liturgia católica e é citada pelo próprio Concílio Vaticano II: «o nó atado pela desobediência de Eva foi desatado pela obediência de Maria; e aquilo que a virgem Eva atou com a sua incredulidade, a virgem Maria desatou-o com a sua fé».

Os nós mais complicados são os que ferem o amor sensível e belo, como aquele amor que ronda a loucura, de um homem e uma mulher que se entregam mutuamente no casamento, com toda a intensidade, para toda a vida. Mais forte ainda que a vontade humana, o vínculo desse amor é divino: «não separe o homem o que Deus uniu!», foi o aviso de Jesus àqueles que se propõem rebentar as fitas quando não são capazes de desatar os nós.

O Pe. Bergoglio, que se tornaria mais tarde o Papa Francisco, teve oportunidade de ver este quadro na igreja de Sankt Peter no ano de 1986 e percebeu que tinha encontrado a solução para a dificuldade das nossas famílias, amarradas por tantos nós impossíveis de desfazer. Levou para a Argentina uma grande quantidade de reproduções e promoveu que se colocasse uma pintura igual numa igreja de Buenos Aires. A devoção a Maria Desatadora dos Nós juntou imediatamente dezenas de milhares de pessoas e multidões crescentes cada ano, impelidas pela necessidade e agradecidas a Maria por tantos nós que as suas mãos já desfizeram milagrosamente.

Em alemão, aglutinam-se frequentemente vários substantivos numa só palavra, como é o caso de «Knotenlöserin» e os argentinos copiaram a devoção alemã tão à letra que cunharam a palavra «Desatanudos», tudo pegado.

As multidões que acorriam ao santuário de «María Desatanudos» em Buenos Aires foram tão grandes, os efeitos da confiança em Maria tão inesperados, que Bergoglio comentou alguma vez que nunca se tinha sentido tanto nas mãos de Deus.

Em Fátima, citando Paulo VI, lembrou que «se queremos ser cristãos, devemos ser marianos; isto é, devemos reconhecer a relação essencial, vital e providencial que une Nossa Senhora a Jesus e nos abre o caminho que leva a Ele», mesmo que seja um caminho cheio de nós. Porque ainda está para aparecer um nó que lhe resista.

José Maria C.S. André
30-VII-2017
Spe Deus

Medo da maternidade

Há um medo da maternidade que se apodera de grande parte dos nossos contemporâneos. Esse medo sinaliza algo mais profundo: o outro [o filho] converte-se num adversário que se apossa de uma parte da minha vida, numa ameaça para o meu ser, para o meu livre desenvolvimento. Hoje não há uma filosofia do amor, mas apenas uma filosofia do egoísmo. [...] A possibilidade de enriquecer-me na entrega, de reencontrar-me a partir do outro e através do meu ser para o outro, é rejeitada como uma visão idealista. É exatamente aqui que o homem se engana.

Desaconselha-se o amor. Em última análise, desaconselha-se ser homem.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘Avvennire’ Setembro 2000)

A minha fragilidade e a minha reserva

São tão avassaladoras as notícias de perseguição de cristãos em tantas partes do mundo e de atos de violência diários que me sinto reduzido à arma que o Senhor me ofereceu, rezar, rezar muito dialogando diretamente com ele, “pressionando-O” pedindo a intercessão da Virgem Maria e dos Santos da minha devoção. Chega? Não, é evidente que não, mas é o que tenho ao meu alcance e se juntar às minhas preces as do Santo Padre e de tantos milhões de cristãos, aí sim, creio que fará diferença.

Por outro lado, constato que sou atípico, porque me incomoda a utilização da desgraça para exteriorizar a minha piedade. Perguntar-se-ão, mas este texto não é uma expressão disso mesmo? A intenção não é essa, mas sim apelar à oração e ao pudor de a não publicitar aos quatro ventos como se estivéssemos a fazer algo mais do que de facto o Senhor nos pede. Não, não somos nenhuns santinhos piedosos, devemos ser sim, cristãos que rezam fechados no quarto.

Compartilhar as nossas preocupações e devoções é positivo e útil, fazê-lo ad nauseam é uma forma de piedade vaidosa.

Que o Senhor nos ajude a atuarmos sempre em conformidade com os Seus ensinamentos.

JPR 

S. Pedro Crisólogo, bispo, Doutor da Igreja, †450

São Pedro Crisólogo nasceu em Ímola no ano 380 e mereceu o apelido de Crisólogo, isto é, "Palavra de Ouro", por ser autor de estupendos sermões, ricos de doutrina, que lhe deram também o título de doutor da Igreja, decretado no ano 1729 pelo Papa Bento XIII. Dele se conservam cerca de 200 sermões. Numa homilia define o avarento como "escravo do dinheiro, mas o dinheiro - acrescenta - é o escravo do misericordioso. " É fácil entender o significado desta prédica. Sua pregação colocava insistentemente em evidência o amor paternal de Deus: "Deus prefere ser amado a ser temido". Humildes e poderosos escutava-os ele com igual condescendência e caridade. A imperatriz Gala Placídia teve-o como conselheiro e amigo.

Eleito Bispo de Ravena no ano 424, Pedro Crisólogo mostrou-se bom pastor, prudente e sem ambiguidades doutrinais. Sua autoridade era reconhecida em largo raio da Igreja. São Pedro Crisólogo disse certa vez: "Os que passaram, viveram para nós; nós, para os vindouros; ninguém para si" (op.cit.p.407).

São Pedro Crisólogo morreu no dia 31 de Julho do ano 451, em Ímola. 

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

«Vende tudo o que possui»

São Basílio (c. 330-379), monge, bispo de Cesareia na Capadócia, doutor da Igreja
Regras Monásticas, Regras Maiores, § 8


Nosso Senhor Jesus Cristo insistiu vivamente no seguinte, muitas vezes: «Se alguém quiser vir comigo, renuncie a si mesmo, tome a sua cruz e siga-Me» (Mt 16,24). […] E noutro passo: «Se queres ser perfeito, vende o que tens, dá o dinheiro aos pobres»; ao que acrescenta : «depois, vem e segue-Me» (Mt 19,21).

Para aquele que sabe compreender, a parábola do negociante quer dizer a mesma coisa: «O Reino dos céus é semelhante a um negociante à procura de pedras preciosas; assim que encontrou uma de grande valor, corre a vender tudo o que tem, para poder comprá-la.» A pedra preciosa designa indubitavelmente o Reino dos céus, e o Senhor mostra-nos que nos é impossível obtê-lo se não abandonarmos tudo o que possuímos: riqueza, glória, nobreza de nascimento e tudo aquilo que tantos outros buscam avidamente.

O Senhor declarou ainda que é impossível ocuparmo-nos convenientemente do que fazemos quando o espírito é solicitado por diversas coisas: «Ninguém pode servir a dois senhores», disse (Mt 6,24). Por isso, «o tesouro que está no céu» é o único que podemos escolher para a ele ligarmos o coração: «Pois onde estiver o teu tesouro, aí estará também o teu coração» (Mt 6,20ss). […] Em suma, trata-se de transportarmos o nosso coração para a vida do céu, de maneira que possamos dizer: «A cidade a que pertencemos está nos céus» (Fil 3,20). Trata-se, sobretudo, de começarmos a tornar-nos semelhantes a Cristo, «que, sendo rico, Se fez pobre» por nós (2Cor 8,9).

sábado, 29 de julho de 2017

O show incendiário

Governantes, por favor desapareçam! Porta-vozes do governo, das autarquias, da protecção civil e das forças de segurança: por favor calem-se! Respeitem, por uma vez, as vítimas que não souberam salvar

Eu sou mais uma vítima dos incêndios! Só não sei se sou das que o governo ocultou, ou das que estão em segredo de justiça. Inclino-me mais para esta segunda hipótese pois, que eu saiba, ainda não apareceu o meu nome em nenhum jornal espanhol, nem em nenhuma lista oficial, nem sequer me foi proporcionado qualquer apoio psicológico, mesmo estando eu disposto a pagar a respectiva taxa moderadora.

Pois é. A verdade é que não ardeu nenhuma propriedade minha – que as não tenho – nem a minha casa foi pasto das chamas, nem eu próprio sofri qualquer queimadura, graças a Deus. Mas estou a arder de indignação pelo que, infelizmente, mais não é do que um triste espectáculo, um drama convertido numa tragicomédia. Pior ainda, uma falta de respeito pelas verdadeiras vítimas destas catástrofes, uma clamorosa falta de sentido de Estado das nossas mais altas individualidades, uma demonstração da notória incompetência dos nossos técnicos, que são peritos em enjeitar responsabilidades – como se sabe, a culpa é, oficialmente, dos raios e dos eucaliptos! – e em não saber pôr termo a uma tragédia que, todos os anos, se repete com dramática pontualidade. É de mais!

É de mais e … é gente a mais. E competência a menos. Não há sujeito, por insignificante que seja a sua função, que não apareça, que não intervenha, que não opine, que não chore ante as câmaras de televisão, que não bote faladura à frente dos microfones, que não se deixe fotografar junto das vítimas carbonizadas. Confesso que, nesses momentos, me apetece dizer a esses políticos, que procuram notoriedade à custa das desgraças alheias, o que uma vez Mário Soares disse aos agentes da autoridade: Desapareçam!

Não é menos triste, nem menos ridícula, a passagem de modelos dos nossos políticos na passerelle dos telejornais, exibindo o último modelo dos coletes reflectores. Porque fingem que são operacionais de sabe-se-lá-o-quê quando, pela certa, são apenas mirones que se passeiam pelo que tanto gostam de chamar ‘o teatro das operações’?! Sim, para eles, travestidos com esse disfarce carnavalesco, que finge uma competência que manifestamente não têm, tudo não passa de uma encenação, em que não faltam as lágrimas, as pungentes confissões de um sofrimento que, obviamente, não sentem. Porque a dor verdadeira vive-se, pelo contrário, no luto, no recato, no silêncio e, para os crentes, na oração. Ninguém pode ser culpado por não sentir como própria a dor alheia mas, pelo menos, respeitem quem está a sofrer e poupem-nos à triste figura de maus figurantes de uma péssima peça.

Outro excesso recorrente neste drama: para cada bombeiro em acção há, pelo menos, cinco porta-vozes. Se a percentagem fosse a inversa, um informador para cada cinco bombeiros, provavelmente não havia tantos incêndios, nem seria preciso tanto tempo para os apagar. Mas não, todos têm que aparecer, todos têm que dar o seu parecer, todos têm que falar: fala o governo, pela voz do primeiro-ministro ou da ministra da administração interna; falam as autarquias, pelas pessoas dos seus presidentes, seguramente em campanha eleitoral; fala a protecção civil; falam os bombeiros; fala a Guarda Nacional Republicana! Não só falam todos, em simultâneo, sobre o mesmo, como ainda se divertem a contradizer-se: o autarca diz que o incêndio está extinto, mas os bombeiros dizem que só parcialmente está em fase de rescaldo, enquanto a protecção civil garante o contrário. Para uns, o fogo é num município, mas para outros é no seguinte, onde já lavram as chamas. Às onze da manhã noticia-se que caiu um avião, mas ao meio-dia afirma-se que, afinal, não se despenhou nenhuma aeronave. Um incêndio extinto para uma entidade, está apenas em vias de resolução para outra, porque não há uniformidade na informação e todos querem ter voto na matéria. Todos falam e ninguém tem razão, porque falta autoridade e coordenação.

Em todo este drama, a Igreja católica deu, mais uma vez, uma nota de grande dignidade e de enorme discrição. Não apareceram bispos diante das câmaras da televisão ou à boca dos microfones, a querer ganhar protagonismo à custa dos incêndios. Não houve declarações incendiárias. Os párocos das freguesias afectadas tiveram a decência de não aparecer em público, de não chorarem na abertura dos telejornais, de não fazerem publicidade da sua dor, verdadeiramente sentida, porque muitas das vítimas eram ovelhas queridas dos seus rebanhos. No silêncio da sua dor e do seu silencioso serviço e efectivo apoio aos mais necessitados, crentes ou não-crentes, não exigiram taxas moderadoras mas ensinaram, mais com actos do que com palavras, que a verdadeira caridade cristã não consente qualquer exibicionismo: “não saiba a tua mão esquerda o que faz a tua direita …” (Mt 6, 3).

Senhores governantes: por favor, desapareçam! Senhores porta-vozes do governo, das autarquias, da protecção civil e das forças de segurança: por favor, calem-se! Respeitem, por uma vez, as vítimas que não souberam salvar, o luto dos que choram os seus mortos, o pesar dos que tudo perderam. Por favor, respeitem essa dor que, mesmo não sendo vossa, é muito nossa também.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador
(seleção de imagem 'Spe Deus')

O Reino de Deus chegou aos vossos corações

Porque não experimentas converter em serviço de Deus a tua vida inteira: o trabalho e o descanso, o pranto e o sorriso? Podes... e deves! (Forja, 679)

Não caias nessa doença do carácter que tem por sintomas a falta de firmeza para tudo, a leviandade no agir e no dizer, o atordoamento,...: a frivolidade, numa palavra.

Essa frivolidade, que – não o esqueças – torna os teus planos de cada dia tão vazios ("tão cheios de vazio"), se não reages a tempo – não amanhã; agora! – fará da tua vida um boneco morto e inútil. (Caminho, 17) 

Esta é a tua tarefa de cidadão cristão: contribuir para que o amor e a liberdade de Cristo presidam a todas as manifestações da vida moderna: a cultura e a economia, o trabalho e o descanso, a vida de família e a convivência social. (Sulco, 302)

Assim como Cristo passou fazendo o bem , por todos os caminhos da Palestina, assim vós ireis por todos os caminhos humanos – da família, da sociedade civil, das relações profissionais de cada dia – semeando paz. E será esta a melhor prova de que o Reino de Deus chegou aos vossos corações. Nós sabemos que fomos trasladados da morte para a vida, – escreve o apóstolo S. João – porque amamos os nossos Irmãos. (Cristo que passa, 166)

São Josemaría Escrivá

O Evangelho de Domingo dia 30 de Julho de 2017

«O Reino dos Céus é semelhante a um tesouro escondido num campo que, quando um homem o acha, esconde-o e, cheio de alegria pelo achado, vai e vende tudo o que tem e compra aquele campo. O Reino dos Céus é também semelhante a um negociante que busca pérolas preciosas e, tendo encontrado uma de grande preço, vai, vende tudo o que tem e a compra. «O Reino dos Céus é ainda semelhante a uma rede lançada ao mar, que apanha toda a espécie de peixes. Quando está cheia, os pescadores tiram-na para fora e, sentados na praia, escolhem os bons para cestos e deitam fora os maus. Será assim no fim do mundo: virão os anjos e separarão os maus do meio dos justos, e lançá-los-ão na fornalha de fogo. Ali haverá choro e ranger de dentes. Compreendestes tudo isto?». Eles responderam: «Sim». Ele disse-lhes: «Por isso todo o escriba instruído nas coisas do Reino dos Céus é semelhante a um pai de família que tira do seu tesouro coisas novas e velhas».

Mt 13, 44-52

São Josemaría Escrivá nesta data em 1974

Com alunos da Universidade de Piura, obra corporativa do Opus Dei. Alguns vestem o trajo universitário. “Todos aqueles que reunirem condições devem ter acesso aos estudos superiores, sejam quais forem a sua origem social, os seus meios económicos, a sua raça ou religião. Enquanto existirem barreiras desta natureza, a democratização do ensino será apenas uma frase oca. Em resumo: a Universidade deve estar aberta a todos e, por outro lado, deve formar os estudantes para que o seu futuro trabalho profissional venha a estar ao serviço de todos”, tinha escrito São Josemaría em 1967.

Aborto

Nem todas as matérias morais têm o mesmo peso que o aborto e a eutanásia.

Por exemplo, se um católico discordasse do Santo Padre quanto à pena de morte ou à guerra, não seria considerado indigno de apresentar-se para receber a Sagrada Comunhão. Embora a Igreja exorte as autoridades civis a buscar a paz, e não a guerra, e a exercer a prudência e misericórdia ao castigar os criminosos, ainda seria lícito recorrer à pena capital ou pegar em armas para repelir um agressor. Pode haver uma legítima diversidade de opinião entre os católicos a respeito da guerra e da pena de morte, mas não a respeito do aborto e da eutanásia.

Quando é manifesta a cooperação formal de uma pessoa com o grave pecado do aborto ou da eutanásia (por exemplo, no caso de um político católico, fazer campanha e votar sistematicamente a favor de leis que os legalizem), o pároco deve procurar essa pessoa, explicar-lhe os ensinamentos da Igreja a esse respeito e informá-la de que não deve apresentar-se para receber a Sagrada Comunhão enquanto não sair dessa situação objectiva de pecado, advertindo-a de que, caso contrário, a Eucaristia lhe será negada.

(Cardeal Joseph Ratzinger in carta aos bispos dos Estados Unidos, julho de 2004)

Santa Marta, amiga de Jesus

Marta, personagem bíblica do Novo Testamento, residia em Betânia (nas proximidades de Jerusalém) e era irmã de Maria e de Lázaro (Jo 11-12; Lc 10,38-42). Jesus era seu amigo e de seus irmãos e frequentava a sua casa (Jo 11,3; 12,3). Primogénita e dona de casa, Marta representa a vida activa, ao passo que a irmã Maria simboliza a contemplativa. Em várias lendas cristãs, Marta, juntamente com Maria e Lázaro, aparecem como missionários no sul da França.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

Santa Maria e São Lázaro, hospedeiros e amigos do Senhor

Contam os Evangelhos que Jesus era amigo de Lázaro e de suas irmãs Marta e Maria.  Os três viviam em Betânia, cidade próxima a Jerusalém e era costume receber o Mestre em sua casa.  Talvez o episódio mais marcante dessa amizade seja a ressurreição de Lázaro, de onde se extrai um dos momentos mais contundentes da vida de Jesus de Nazaré: sabedor da morte do amigo, Jesus se comove e chora, demonstrando a afeição e a dor que sentia.  Inteiramente homem, sofre pela perda; inteiramente Deus, ressuscita o amigo para manifestar, assim, a glória do Pai (Jo 11, 1-45).

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 29 de julho de 2017

Muitos judeus tinham ido ter com Marta e Maria, para as consolarem pela morte de seu irmão. Marta, pois, logo que ouviu que vinha Jesus, saiu-Lhe ao encontro; e Maria ficou sentada em casa. Marta disse então a Jesus: «Senhor, se estivesses cá, meu irmão não teria morrido. Mas também sei agora que tudo o que pedires a Deus, Deus To concederá». Jesus disse-lhe: «Teu irmão há de ressuscitar». Marta disse-Lhe: «Eu sei que há-de ressuscitar na ressurreição do último dia». Jesus disse-lhe: «Eu sou a ressurreição e a vida; aquele que crê em Mim, ainda que esteja morto, viverá; e todo aquele que vive e crê em Mim, não morrerá eternamente. Crês isto?». Ela respondeu: «Sim, Senhor, eu creio que Tu és o Cristo, o Filho de Deus, que vieste a este mundo».

Jo 11, 19-27

sexta-feira, 28 de julho de 2017

Não é difícil converter o trabalho em oração

Trabalhemos, e trabalhemos muito e bem, sem esquecer que a nossa melhor arma é a oração. Por isso, não me canso de repetir que havemos de ser almas contemplativas no meio do mundo que procuram converter o seu trabalho em oração. (Sulco, 497)

Convencei-vos de que não se torna difícil converter o trabalho num diálogo de oração. Basta oferecê-lo a Deus e meter mãos à obra, pois Ele já nos está a ouvir e a alentar. Assim, nós, no meio do trabalho quotidiano, conquistamos o modo de ser das almas contemplativas, porque nos invade a certeza de que Deus nos olha, sempre que nos pede uma nova e pequena vitória: um pequeno sacrifício, um sorriso à pessoa importuna, começar pela tarefa menos agradável e mais urgente, ter cuidado com os pormenores de ordem, ser perseverante no dever quando era tão fácil abandoná-lo, não deixar para amanhã o que temos de terminar hoje... E tudo isto para dar gosto ao Nosso Pai Deus! Entretanto, talvez sobre a tua mesa ou num lugar discreto que não chame a atenção, para te servir de despertador do espírito contemplativo, pões o crucifixo, que já se tornou para a tua alma e para a tua mente o manual onde aprendes as lições de serviço.

Se te decidires – sem fazer coisas esquisitas, sem abandonar o mundo, no meio das tuas ocupações habituais – a entrar por estes caminhos de contemplação, sentir-te-ás imediatamente amigo do Mestre e com o encargo divino de abrir os caminhos divinos da terra a toda a humanidade. Sim, com esse teu trabalho contribuirás para que se estenda o reinado de Cristo em todos os continentes e seguir-se-ão, uma atrás da outra, as horas de trabalho oferecidas pelas longínquas nações que nascem para a fé, pelos povos do leste barbaramente impedidos de professar com liberdade as suas crenças, pelos países de antiga tradição cristã onde parece que se obscureceu a luz do Evangelho e as almas se debatem nas sombras da ignorância... 

Que valor adquire então essa hora de trabalho, esse continuar com o mesmo empenho durante um pouco mais de tempo, alguns minutos mais, até rematar a tarefa. Convertes assim, de um modo prático e simples, a contemplação em apostolado, como necessidade imperiosa do coração, que pulsa em uníssono com o dulcíssimo e misericordioso Coração de Jesus, Nosso Senhor.(Amigos de Deus, 67)

São Josemaría Escrivá

São Josemaría Escrivá nesta data em 1974

Em Lima, Peru, em frente de uma imagem de S. José. Em Caminho tinha escrito: “São José, Pai de Cristo, é também teu Pai e teu Senhor. – Recorre a Ele”.

O Reino de Deus

“Assim é o Reino de Deus: quem o encontra não tem dúvidas, sente que é aquilo que buscava, que esperava e que responde às suas aspirações mais autênticas. E é realmente assim: quem conhece Jesus, quem o encontra pessoalmente, permanece fascinado, atraído por tanta bondade, tanta verdade, tanta beleza, e tudo numa grande humildade e simplicidade.

Pensemos em São Francisco de Assis: ele já era um cristão, mas um cristão ‘água de rosa’. Quando leu o Evangelho, num momento decisivo de sua juventude, encontrou Jesus e descobriu o Reino de Deus e então todos os seus sonhos de glória terrena desapareceram. O Evangelho te faz conhecer Jesus verdadeiro, o Jesus vivo; fala-te ao coração e transforma a tua vida. E então sim, deixa tudo. Você pode mudar efetivamente o tipo de vida, ou continuar a fazer aquilo que fazias antes, mas você é outra pessoa, você renasceu: encontrou aquilo que dá um sentido, sabor, luz a tudo, mesmo aos cansaços, aos sofrimentos, à morte. Tudo adquire um sentido quando encontras este tesouro, que Jesus chama ‘o Reino de Deus’, isto é Deus que reina na tua vida, na nossa vida.

O cristão não pode ter a sua fé escondida, porque ela transparece em cada palavra, em cada gesto, mesmo nos mais simples e quotidianos: transparece o amor que Deus nos deu mediante Jesus”.

Papa Francisco - Excertos alocução antes do Ângelus de 27.07.2014

O sim vencedor

«A fé é comunhão com Jesus, e deste modo libertação da repressão que se opõe à verdade, libertação do meu eu do seu fechamento em si mesmo para dele fazer uma resposta ao Pai, ao sim do amor, ao sim para o ser, àquele sim que é a nossa redenção e que vence o “mundo”».

(Joseph Ratzinger - “Olhar para Cristo”)

Beata Maria Teresa Kowalska, virgem e mártir, †1941

Beatificada por João Paulo II em 13 de Junho de 1999 conjuntamente com mais 107 mártires do nazismo

Nasceu em Varsóvia em 1902. Desconhece-se o nome e a profissão dos seus pais. Recebeu a sua primeira Comunhão no dia 21 de Junho de 1915, e o sacramento da Confirmação no dia 21 de Maio de 1920. O seu pai, simpatizante socialista, foi para a União Soviética na década de 1920 com grande parte da família.

Aos 21 anos, recebe a graça da vocação religiosa. Ingressou no Mosteiro das Clarissas Capuchinhas de Przasnysz no dia 23 de Janeiro de 1923. Tomou o hábito no dia 12 de Agosto de 1923 e recebeu o nome de Maria Teresa do Menino Jesus. Emitiu a sua primeira profissão no dia 15 de Agosto de 1924 e a profissão perpétua no dia 26 de Julho de 1928.

Era uma pessoa delicada e doente, mas disponível para todos e para tudo. No Mosteiro servia a Deus com devoção e piedade. Com o seu modo de ser conquistava o carinho de todos, diz uma das irmãs. Gozava de grande respeito e consideração por parte das superioras e das outras irmãs. Exerceu vários ofícios: porteira, sacristã, bibliotecária; Mestra de noviças e Conselheira. Maria Teresa vive a sua vida religiosa em silêncio, totalmente dedicada a Deus, com grande entusiasmo. Um dia este serviço a Deus foi posto a dura prova.

No dia 2 de Abril de 1941, os alemães irromperam no Mosteiro e prenderam todas as irmãs, levando-as para o Campo de concentração de Dzialdowo. Entre elas estava a Irmã Maria Teresa, doente com tuberculose. As 36 irmãs ficaram presas no mesmo local e suportaram umas condições de vida que ofendiam a dignidade humana: ambiente sujo, fome terrível, terror contínuo. As irmãs observavam com horror a tortura a que eram submetidas outras pessoas ao mesmo tempo, entre as quais se encontravam o Bispo de Plock, A. Nowowiejski e L. Wetmanski, e muitos outros sacerdotes. Depois de passar um mês naquelas condições de vida, a saúde das irmãs debilitou-se. A Irmã Maria Teresa foi uma das que mais se ressentiu, que pelo menos se mantinha de pé.

Sobreveio-lhe uma hemorragia pulmonar. Faltava não só o serviço médico mas também a água para matar a sede e para a higiene. Suportou o sofrimento com coragem e, até onde lhe foi possível, rezou junto com as restantes irmãs. Outras vezes rezava ela sozinha. Durante a prova, e consciente da proximidade da morte, dizia: “Eu, daqui, não sairei; entrego a minha vida para que as irmãs possam regressar ao Mosteiro”. Isso mesmo dizia à abadessa: “Madre, ainda falta muito?”. Morreu na noite de 25 de Julho de 1941. Desconhece-se o paradeiro dos seus restos mortais.

(Fonte: Evangelho Quotidiano)

O Evangelho do dia 28 de julho de 2017

«Ouvi, pois, vós, o que significa a parábola do semeador: A todo aquele que ouve a palavra do reino e não lhe presta atenção, vem o espírito maligno e arrebata o que foi semeado no seu coração; este é o que recebeu a semente ao longo do caminho. O que recebeu a semente no lugar pedregoso, é aquele que ouve a palavra, e logo a recebe com gosto; porém, não tem em si raiz, é inconstante; e, quando lhe sobrevém a tribulação e a perseguição por causa da palavra, logo sucumbe. O que recebeu a semente entre espinhos, é aquele que ouve a palavra; porém, os cuidados deste mundo e a sedução das riquezas sufocam a palavra e fica infrutífera. O que recebeu a semente em boa terra, é aquele que ouve a palavra e a compreende; esse dá fruto, e umas vezes dá cem, outras sessenta, e outras trinta por um».

Mt 13, 18-23

quinta-feira, 27 de julho de 2017

Amar a Cristo...

Amado Jesus, Deus Pai ofereceu os Dez Mandamentos ao Seu povo e Tu recordaste-nos o nosso dever de os cumprir e adicionaste-lhes esse extraordinário preceito de amar o próximo pela positiva, ou seja, amá-lo como a nós próprios.

A Tua e nossa Igreja sempre os adoptou como seus também, instruindo os seus fiéis na salvação do Batismo e no cumprimento do Decálogo.

Tanta coisa bela Senhor, que na Tua tradição e que já nos vem do Antigo Testamento nos ensinas para sermos bons cristãos e consequentemente melhores seres humanos.

Louvado sejais para todo o sempre!

JPR

O trabalho é a vocação original do homem

O trabalho é a vocação original do homem; é uma bênção de Deus; e enganam-se lamentavelmente aqueles que o consideram um castigo. O Senhor, o melhor dos pais, colocou o primeiro homem no Paraíso – "ut operaretur", para trabalhar. (Sulco, 482)

Desde o começo da sua criação que o homem teve de trabalhar. Não sou eu quem o inventa. Basta abrir as primeiras páginas da Sagrada Bíblia para aí se ler que Deus formou Adão com o barro da terra e criou para ele e para a sua descendência este mundo tão formoso, ut operaretur et custodiret illum, com o fim de o trabalhar e de o conservar, e isto antes mesmo de o pecado entrar na humanidade e, como consequência dessa ofensa, a morte, as penas e as misérias.

Temos, pois, de nos convencer de que o trabalho é uma realidade magnífica, que se nos impõe como lei inexorável a que todos estamos submetidos, de uma ou de outra forma, apesar de alguns pretenderem eximir-se a ela. Aprendei-o bem: esta obrigação não surgiu como uma sequela do pecado original, nem se reduz a uma descoberta dos tempos modernos. Trata-se de um meio necessário que Deus nos confia na terra, alongando os nossos dias e tornando-nos partícipes do seu poder criador, para que ganhemos o nosso sustento e, simultaneamente, recolhamos frutos para a vida eternao homem nasce para trabalhar, como as aves para voar.

Talvez me digais que já se passaram muitos séculos, que muito pouca gente pensa desta maneira, que a maioria provavelmente se afana por motivos bem diversos: uns, por dinheiro; outros, para manter a família; outros, na mira de conseguir uma certa posição social, para desenvolver as suas capacidades, para satisfazer as suas paixões desordenadas, para contribuir para o progresso social. E todos, em geral, encaram as suas ocupações como uma necessidade de que não podem evadir-se.

Perante esta visão plana, egoísta, rasteira, tu e eu temos de recordar a nós mesmos e de recordar aos outros que somos filhos de Deus, a quem o nosso Pai dirigiu um convite idêntico ao daqueles personagens da parábola evangélica: filho, vai trabalhar na minha vinha. Posso assegurar-vos que aprenderemos a terminar as nossas tarefas com a maior perfeição humana e sobrenatural de que somos capazes, se nos empenharmos em considerar assim diariamente as nossas obrigações pessoais como ordem divina. (Amigos de Deus, n. 57)

São Josemaría Escrivá