Igreja

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A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

quinta-feira, 13 de abril de 2017

VIA SACRA

xiv estação

jesus é sepultado

Nós Vos adoramos e bendizemos oh Jesus!

Que pela Vossa Santa Cruz remistes o mundo.
Aí estás Senhor, descansando finalmente, nesse sepulcro emprestado.

Nem local para dormir tiveste em vida e também não tens sitio Teu para repousar o cadáver.

Nada possuíste, até a própria vida deste por nós.

E, no entanto, Rei de Reis, cumulaste-me de riquezas imensas: a filiação divina, o direito de chamar a Teu Pai, meu Pai, à Tua Mãe, minha Mãe e, finalmente, um caminho seguro e certo para a salvação eterna da minha alma.

Tu, tão pobre, fizeste-me a mim, imensamente rico.

O caminho que me apontas é o que quero seguir.

Com hesitações, com avanços e recuos, talvez com desvios, seguramente com incidentes, mas no qual, com a Tua ajuda, hei-de perseverar e andar até ao fim.

Aí estarás Tu, Ressuscitado Gloriosamente pelo Teu próprio poder, à minha espera feliz e contente por eu ter sido capaz, ter ouvido o Teu convite e correspondido com entusiasmo e dedicação.

Fraco, pusilânime e inconstante como sou, não posso, não quero contar só com as minhas forças.

De pouco me servem as intenções, os bons propósitos e os desejos em que me arde a alma:

Sem a Tua ajuda permanente, Senhor, para que eu não me perca, me detenha ou afeiçoe a coisas que não são o essencial, tudo não passará disso: Desejos, intenções e propósitos.

Conto com essa ajuda para levar até ao fim a minha cruz, com alegria e determinação, abraçando-a amorosamente.

Minha Mãe Santíssima, ajuda-me a manter bem gravadas na minha mente estas cenas que acabo de viver da Paixão do teu Amabilíssimo Filho, para que, mantendo a minha alma limpa e o coração puro possa esperar o chamamento do meu Jesus para participar com Ele da Vida Eterna.

PN, AVM, GLP.

Senhor: Tem piedade de nós

Homilia Santa Missa do Crisma

«O Espírito do Senhor está sobre mim, porque me ungiu para anunciar a Boa-Nova aos pobres; enviou-me a proclamar a libertação aos cativos e, aos cegos, a recuperação da vista; a mandar em liberdade os oprimidos» (Lc 4, 18). O Senhor, Ungido pelo Espírito, leva a Boa-Nova aos pobres. Tudo aquilo que Jesus anuncia é Boa-Nova; alegra com a alegria evangélica; e o mesmo se diga de nós, sacerdotes, de quem foi ungido em seus pecados com o óleo do perdão, e ungido no seu carisma com o óleo da missão, para ungir os outros. E, tal como Jesus, o sacerdote torna jubiloso o anúncio com toda a sua pessoa. Quando pronuncia a homilia – breve, se possível –, fá-lo com a alegria que toca o coração do seu povo, valendo-se da Palavra com que o Senhor o tocou na sua oração. Como qualquer discípulo missionário, o sacerdote torna jubiloso o anúncio com todo o seu ser. Aliás, como todos experimentamos, são precisamente os detalhes mais insignificantes que melhor contêm e comunicam a alegria: o detalhe de quem dá um pequeno passo a mais, fazendo com que a misericórdia transborde nas terras de ninguém; o detalhe de quem se decide a concretizar, fixando dia e hora para o encontro; o detalhe de quem deixa, com suave disponibilidade, que ocupem o seu tempo…

A Boa-Nova pode parecer simplesmente um modo diferente de dizer «Evangelho», como «feliz anúncio» ou «boa notícia». Todavia contém algo que compendia em si tudo o mais: a alegria do Evangelho. Compendia tudo, porque é jubilosa em si mesma. A Boa-Nova é a pérola preciosa do Evangelho. Não é um objeto; mas uma missão. Bem o sabe quem experimenta «a suave e reconfortante alegria de evangelizar» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 10).

A Boa-Nova nasce da Unção. A primeira, a «grande unção sacerdotal» de Jesus, é a que fez o Espírito Santo no seio de Maria. Naqueles dias, a boa-nova da Anunciação fez a Virgem Mãe cantar o Magnificat, encheu de um sacro silêncio o coração de José, seu esposo, e fez saltar de gozo João no seio de sua mãe Isabel.

Hoje, Jesus regressa a Nazaré e a alegria do Espírito renova a Unção na pequena sinagoga local: o Espírito pousa e espalha-Se sobre Ele, ungindo-O com o óleo da alegria (cf. Sal 45/44, 8).

A Boa-Nova. Uma única palavra – Evangelho – que, no ato de ser anunciada, se torna verdade jubilosa e misericordiosa. Que ninguém procure separar estas três graças do Evangelho: a sua Verdade – não negociável – , a sua Misericórdia – incondicional com todos os pecadores – e a sua Alegria – íntima e inclusiva.

Nunca a verdade da Boa-Nova poderá ser apenas uma verdade abstrata, uma daquelas que não se encarnam plenamente na vida das pessoas, porque se sentem mais confortáveis na palavra escrita dos livros.

Nunca a misericórdia da Boa-Nova poderá ser uma falsa compaixão, que deixa o pecador na sua miséria, não lhe dando a mão para se levantar nem o acompanhando para dar um passo mais no seu compromisso.

Nunca a Boa-Nova poderá ser triste ou neutra, porque é expressão duma alegria inteiramente pessoal: «a alegria dum Pai que não quer que se perca nenhum dos seus pequeninos» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 237): a alegria de Jesus, ao ver que os pobres são evangelizados e que os pequeninos saem a evangelizar (cf. ibid., 5).

As alegrias do Evangelho – uso agora o plural, porque são muitas e variadas, segundo o modo como o Espírito as quer comunicar em cada época, a cada pessoa, em cada cultura particular – são alegrias especiais. Chegam-nos em odres novos, aqueles de que fala o Senhor para expressar a novidade da sua mensagem.

Partilho convosco, queridos sacerdotes, queridos irmãos, três ícones de odres novos em que a Boa-Nova se conserva bem, não se torna vinagrenta e se derrama em abundância.

Um ícone da Boa-Nova é o das talhas de pedra das bodas de Caná (cf. Jo 2, 6). Num detalhe, as talhas espelham bem aquele Odre perfeito que é – em Si mesma, toda inteira – Nossa Senhora, a Virgem Maria. Diz o Evangelho que «as encheram até acima» (Jo 2, 7). Imagino que algum dos serventes terá olhado para Maria para ver se já bastava assim, e terá havido um gesto com o qual Ela terá dito para acrescentar mais um balde. Maria é o odre novo da plenitude contagiosa. É «a serva humilde do Pai, que transborda de alegria no louvor» (Exort. ap. Evangelii gaudium, 286), é a Nossa Senhora da prontidão, Aquela que acabara de conceber em seu seio imaculado o Verbo da vida e já parte para ir visitar e servir a sua prima Isabel. A sua plenitude contagiosa permite-nos superar a tentação do medo: não ter coragem de se deixar encher até acima, aquela pusilanimidade de não ir contagiar de alegria os outros. Não haja nada disto, porque «a alegria do Evangelho enche o coração e a vida inteira daqueles que se encontram com Jesus» (ibid., 1).

O segundo ícone da Boa-Nova é aquele cântaro – com a sua concha de pau – que trazia à cabeça a Samaritana, sob o sol ardente do meio-dia (cf. Jo 4, 5-30). Expressa bem uma questão essencial: ser concreto. O Senhor, que é a Fonte de Água viva, não tinha um meio para tirar água e beber alguns goles. E a Samaritana tirou água do seu cântaro com a concha e saciou a sede do Senhor. E saciou-a ainda mais com a confissão dos seus pecados concretos. Agitando o odre daquela alma samaritana, transbordante de misericórdia, o Espírito Santo derramou-Se sobre todos os habitantes daquela pequena cidade, que convidaram o Senhor a demorar-Se no meio deles.

Um odre novo com esta concretização inclusiva, no-lo presenteou o Senhor na alma «samaritana» que foi Madre Teresa de Calcutá. Ele chamou-a e disse-lhe: «Tenho sede». «Vem, pequenina minha! Leva-Me aos tugúrios dos pobres. Vem! Sê a minha luz. Não posso ir sozinho. Não Me conhecem, por isso não Me querem. Leva-Me a eles». E ela, começando por um pobre concreto, com o seu sorriso e o seu modo de tocar as feridas com as mãos, levou a Boa-Nova a todos. O terceiro ícone da Boa-Nova é o Odre imenso do Coração trespassado do Senhor: integridade suave, humilde e pobre, que atrai todos a Si. D’Ele devemos aprender que, anunciar uma grande alegria àqueles que são muito pobres, só se pode fazer de forma respeitosa e humilde, até à humilhação. A evangelização não pode ser presunçosa. Não pode ser rígida a integridade da verdade. O Espírito anuncia e ensina «a verdade completa» (Jo 16, 13), e não tem medo de a dar a beber aos goles. O Espírito diz-nos, em cada momento, aquilo que devemos dizer aos nossos adversários (cf. Mt 10, 19) e ilumina-nos sobre o pequeno passo em frente que podemos dar naquele momento. Esta integridade suave dá alegria aos pobres, reanima os pecadores, faz respirar aqueles que estão oprimidos pelo demónio.

Queridos sacerdotes, contemplando e bebendo destes três odres novos, que a Boa-Nova tenha em nós a plenitude contagiosa que Nossa Senhora transmite com todo o seu ser, a concretização inclusiva do anúncio da Samaritana e a integridade suave com que o Espírito jorra e Se derrama incessantemente a partir do Coração trespassado de Jesus, Nosso Senhor.

São Josemaría Escrivá nesta data em 1973

Pronuncia a homilia “Sacerdote para a eternidade”, em que diz: “Peço a todos os cristãos que rezeis muito por nós, sacerdotes, para que saibamos realizar santamente o Santo Sacrifício. Rogo-vos que mostreis um amor tão delicado à Santa Missa, que nos leve a nós, sacerdotes, a celebrá-la com dignidade – com elegância – humana e sobrenatural: com asseio nos paramentos e nos objectos destinados ao culto, com devoção, sem pressas”.

TRÍDUO PASCAL

Começam hoje os dias que me tocam particularmente.
Tocam não só profundamente a minha espiritualidade, mas todo o meu ser homem, sobretudo homem que pensa, age e se emociona.
Muitas vezes não consigo conter as lágrimas, (isto é coisa de agora, que considero graça de Deus), mas não são lágrimas de tristeza, mas de um amor profundo, de uma serenidade bonançosa, de uma esperança inabalável.
Penso n’Ele, tento viver para Ele, quero respirar o que Ele respira, ou melhor, quero respirá-Lo, a Ele, como se respira a vida.

E divido-me, divido-me sempre!
Muitas vezes me sinto ao Seu lado, querendo ser Simão de Cirene, querendo ser Verónica, querendo ser Maria e João, querendo viver em mim a Sua Paixão, e depois, brutalmente, confronto-me com a realidade da minha vida que tantas vezes me coloca no meio daqueles que Lhe dão beijos de traição, que O negam antes do “galo cantar”, que gritam com a multidão: crucifica-O, crucifica-O!

Mas Ele, no meio do sofrimento, no meio da humilhação, por entre a dor cravada no Seu Coração por aqueles que deliberadamente se condenam, olha-me nos olhos, toma-me pela mão, encosta-me ao seu peito cansado e diz-me cheio de ternura: É por ti, Joaquim, é por ti!
E eu, dividido entre mim, baixo os olhos e respondo-Lhe: Mas, Jesus, eu sou tão pecador!
Ele aperta-me ainda mais junto a Si, afaga-me a cabeça e diz-me com a Sua voz repassada de amor: Não entendes, Joaquim? Tudo isto é para te dizer que estejas de que lado estejas, Eu amo-te sempre, com amor eterno. Faças o que fizeres, se olhares para Mim, se Me procurares de coração arrependido, a minha Paixão enche-se de sentido, porque toda Ela é vivida para te perdoar as tuas faltas.

O amor, a confiança, a esperança transformam-se numa só virtude, num só sentimento, numa só vivência e os olhos rasos de lágrimas choram a alegria do Deus que me ama, que me perdoa, que me salva, que me dá a vida renascida.

Tranquilamente, Ele afasta-se de mim para continuar a sua caminhada de Paixão, mas antes diz-me ao ouvido, cheio de compaixão: É por ti e por todos! Por cada um dos que me amam e dos que me rejeitam. Vai agora, e proclama com a tua voz, com a tua vida, com todo o teu ser que morro por todos, para que todos se salvem! E lembra-te, e lembra-lhes, que a minha Paixão termina na Ressurreição!

Glória a Ti, Senhor, agora e para sempre, pelos séculos sem fim!

Marinha Grande, 2 de Abril de 2015

Joaquim Mexia Alves

O Evangelho do dia 13 de abril de 2017

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a Sua hora de passar deste mundo ao Pai, tendo amado os Seus que estavam no mundo, amou-os até ao extremo. Durante a ceia, tendo já o demónio posto no coração de Judas Iscariotes, filho de Simão, a determinação de O entregar, Jesus, sabendo que o Pai tinha posto nas Suas mãos todas as coisas, que saíra de Deus e voltava para Deus, levantou-Se da mesa, depôs as vestes e, pegando numa toalha, cingiu-Se com ela. Depois deitou água numa bacia e começou a lavar os pés dos discípulos, e a enxugá-los com a toalha com que estava cingido. Chegou, pois, a Simão Pedro. Pedro disse-Lhe: «Senhor, Tu lavares-Me os pés?». Jesus respondeu-lhe: «O que Eu faço, tu não o compreendes agora, mas compreendê-lo-ás depois». Pedro disse-Lhe: «Jamais me lavarás os pés!». Jesus respondeu-lhe: «Se Eu não te lavar não terás parte comigo». Simão Pedro disse-Lhe: «Senhor, não somente os pés, mas também as mãos e a cabeça». Jesus disse-lhe: «Aquele que tomou banho não tem necessidade de se lavar, pois todo ele está limpo. Vós estais limpos, mas não todos». Ele sabia quem era o que O ia entregar, por isso disse: «Nem todos estais limpos». Depois que lhes lavou os pés e que retomou as Suas vestes, tendo tornado a pôr-Se à mesa disse-lhes: «Compreendeis o que vos fiz? Chamais-Me Mestre e Senhor, e dizeis bem porque o sou. Se Eu, pois, sendo vosso Senhor e Mestre, vos lavei os pés também vós deveis lavar os pés uns aos outros. Dei-vos o exemplo para que, como Eu vos fiz, assim façais vós também.

Jo 13, 1-15