Igreja

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A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

quarta-feira, 24 de maio de 2017

Audiência (resumo) - A esperança cristã

Locutor: Debrucemo-nos hoje sobre a «terapia da esperança», aplicada por Jesus a dois discípulos desanimados que seguiam de Jerusalém para Emaús. O segredo da terapia está nisto: mostrar à pessoa que, apesar das aparências em contrário, continua a ser amada por Deus; Ele nunca deixará de lhe querer bem. Vendo-os tristes, Jesus começa por perguntar o motivo da sua tristeza, que Ele bem conhece, mas quer ajudá-los a sondar em profundidade a amargura que se apoderou deles. Caminham tristes, porque viram morrer as esperanças que tinham posto em Jesus de Nazaré de ser Ele o libertador de Israel. O sinal mais eloquente duma derrota, que não tinham previsto, era aquela cruz erguida no Calvário. Eles não a tinham previsto, mas Deus sim; e anunciara-o nas Escrituras Sagradas, que Jesus lhes explica: «Para entrar na sua glória, o Messias tinha antes de sofrer todas aquelas coisas». A verdadeira esperança passa através de derrotas. Nos Livros Sagrados, não se encontram histórias de heroísmo fácil, nem campanhas fulminantes de conquista. Deus não gosta de ser amado como um General que leva o seu povo à vitória, aniquilando os adversários. A presença do Senhor lembra uma chama frágil que arde num dia de frio e vento; e, para aparecer ainda mais frágil esta sua presença neste mundo, foi esconder-Se num lugar que todos desdenham: num pedaço de pão, que se oferece como alimento em cada Eucaristia. «Quando Se pôs à mesa, tomou o pão, pronunciou a bênção e, depois de o partir, entregou-lho». Mas foi nisso que os discípulos de Emaús O reconheceram. E, no gesto fulcral da Eucaristia, está significado também como deve ser a Igreja: o destino de cada um de nós. Jesus toma-nos, pronuncia a bênção, «põe em pedaços» a nossa vida – porque não há amor sem sacrifício – e oferece-a aos outros, a todos.

Santo Padre:
Saluto i pellegrini di lingua portoghese, invocando per tutti le consolazioni e le luci dello Spirito di Dio affinché, vinti i pessimismi e le delusioni della vita, possano attraversare, insieme ai loro cari, la soglia della speranza che abbiamo nel Cristo risorto. Conto sulle vostre preghiere. Grazie!

Locutor: Saúdo os peregrinos de língua portuguesa, invocando para todos as consolações e luzes do Espírito de Deus, a fim de que, vencidos pessimismos e desilusões da vida, possam cruzar, juntamente com os seres queridos, o limiar da esperança que temos em Cristo ressuscitado. Conto com as vossas orações. Obrigado!

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

Durante a sua estada no Brasil, em 1974, comenta: “O Senhor quer que estejamos no mundo e que o amemos sem ser mundanos. O Senhor deseja que permaneçamos neste mundo – que agora está tão alvoroçado, onde se ouvem clamores de luxúria, de desobediência, de rebeldias que não levam a parte nenhuma – , para ensinarmos às pessoas a viver com alegria. Os homens estão tristes. Fazem muito ruído, cantam, dançam, gritam, mas choram. No fundo dos corações só há lágrimas: não são felizes, são desgraçados. E o Senhor, a vós e a mim, quer-nos felizes”.

Dúvidas de fé

Os católicos podem ter dúvidas, ou são hipócritas e hereges quando as têm? O que parece estranho nos cristãos é que façam uma distinção entre verdade religiosa e verdade científica. Ocupam-se de Darwin e vão à igreja. É possível tal separação? Só pode haver uma verdade. Ou o mundo foi realmente criado em seis dias ou se desenvolveu em milhões de anos.

Num mundo tão confuso como o nosso, a dúvida voltará sempre, inevitavelmente, a invadir cada pessoa. A dúvida não tem de estar automaticamente ligada a uma negação da fé. Posso confrontar-me seriamente com as questões que me inquietam, e ao mesmo tempo confiar em Deus, no núcleo essencial da fé. Por um lado, posso tentar resolver as contradições aparentes, mas, por outro, apesar de não poder encontrar soluções para tudo, posso confiar em que se venha a resolver o que não é possível solucionar agora.

Também na história da teologia volta sempre a haver questões que, de momento, não podem ser resolvidas, mas que não se devem pôr de parte com interpretações forçadas.

Também faz parte da fé a paciência do tempo. O tema a que acabou de referir-se - Darwin, a Criação, a teoria da evolução - é tema de um diálogo que ainda não está concluído e que, no momento, provavelmente não poderá ser concluído com os meios de que dispomos. O problema dos seis dias não se põe com particular agudeza entre a posição da ciência moderna sobre a origem do mundo e a fé. Porque também na Bíblia é claramente um esquema teológico, que não pretende narrar de forma literal a história da
Criação.

No próprio Antigo Testamento existem outras representações da Criação". No livro de Jó e nos livros sapienciais, encontramos relatos da Criação que deixam claro que os crentes não pensavam que o processo da Criação estivesse, por assim dizer, representado fotograficamente nesses textos, mesmo na ocasião em que foram escritos.

Só está representado na medida em que nos permite apreender o essencial: que o mundo provém do poder de Deus e é criado por Ele. Como se desenvolveram depois os processos concretos é uma questão completamente diferente, em que até a própria Bíblia deixa uma grande abertura. Por outro lado, penso que a teoria da evolução ainda não ultrapassou, em grande parte, o campo das hipóteses, e que, muitas vezes, está misturada com filosofias quase míticas, sobre as quais ainda tem de haver diálogos críticos.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘O sal da terra’ págs 26 e 27)

O Evangelho do dia 24 de maio de 2017

Tenho ainda muitas coisas a dizer-vos, mas não as podeis compreender agora. Quando vier, porém, o Espírito da Verdade, Ele vos guiará no caminho da verdade total, porque não falará de Si mesmo, mas dirá tudo o que tiver ouvido e anunciar-vos-á as coisas que estão para vir. Ele Me glorificará, porque receberá do que é Meu e vo-lo anunciará. Tudo quanto o Pai tem é Meu. Por isso Eu vos disse que Ele receberá do que é Meu e vo-lo anunciará.

Jo 16, 12-15