Igreja

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A Igreja é de Cristo e é essa que o cristão deve ambicionar servir e não usar

sábado, 17 de junho de 2017

Santo António não era ‘santinho’ nenhum…

Santo António de Lisboa, de Pádua e do mundo inteiro, foi um grande santo e um grande sábio, que de ‘santinho’ não tinha nada, pois foi um dos homens mais cultos do seu tempo.

Uma coisa são os santos populares, outra muito diferente é o que os populares acham dos santos… Expressões quase homónimas podem ter, na verdade, significados muito diferentes: por exemplo, não convém confundir as obras-primas do mestre, com as primas do mestre-de-obras!

Os santos populares – como o nosso Santo António – são grandes vultos da história universal, cuja memória a Igreja liturgicamente celebra; mas a sua versão popular por vezes não vai muito além do bailarico, das sardinhas, das fogueiras, da sangria, das quadras brejeiras e dos manjericos. Embora sejam louváveis os festejos populares, os santos são para tomar a sério e bom seria que assim fossem também as respectivas comemorações que, por vezes, são mais superficiais e profanas do que sinceras e profundas manifestações de verdadeira piedade.

Quando, na véspera do dia de Santo António, perguntei a uma jovem aluna de um colégio de que sou capelão se recorria à sua intercessão, respondeu-me que, seguramente por sugestão dos pais, lhe pedia que arranjasse um lugar de estacionamento para o carro! Como os casamentos andam pelas ruas da amargura, o desgraçado do Santo António serve agora, pelos vistos, de arrumador … Não é que não se deva recorrer aos santos para necessidades tão prosaicas, mas é pena que se perca, até entre os cristãos, a memória destes ilustres bem-aventurados, hoje substituídos por uma qualquer celebridade, como o famoso jogador de futebol a quem já se fez, na sua terra natal, uma estátua, um busto e até se deu o nome ao aeroporto local!

Uma pecha que continua a prejudicar a popularidade dos santos é a suposição de que, no fundo, eram uns sonhadores, que nunca chegaram a saber bem o que o mundo ou a vida são … Daí a ideia de que um ‘santinho’ é, afinal, um ingénuo, quase um alienado, fazendo jus à sentença marxista, que dizia ser a religião o ópio do povo.

A verdade, graças a Deus, é bem diferente, como se pode ler na Vida de Santo António de Lisboa, de Aloisío Tomás Gonçalves, agora reeditada pela editora Paulus, com excelente prefácio de Henrique Raposo. O nosso tão popular e querido Santo António de Lisboa, de Pádua e do mundo inteiro, foi um grande santo, mas foi também um grande sábio que, na verdade, de ‘santinho’ não tinha nada. Frei José de Sousa Monteiro, franciscano e sócio efectivo da Academia das Ciências, afirmou, em finais do séc. XIX, que S. António dominava todas as ciências e artes: “nada enjeita o seu engenho agudo. Expõe de Galeno, no Passionário, a teoria sobre as quatro espécies de febre, e de Vegécio, as qualidades de um general na guerra”.

Se o único português a quem foi outorgado o título de Doutor da Igreja era douto nas ciências profanas, mais sábio era ainda no saber teológico: o Papa “Gregório IX ouviu-o interpretar os livros santos e chamou-lhe, maravilhado, Arca do Testamento”. Foi também esta a opinião dos seus contemporâneos, pois citava de cor a Bíblia e os Santos Padres, com uma erudição que, por vezes, pecava por excessiva.

Outro receio comum é o de que a muita devoção possa levar ao fanatismo. A santidade exige um supremo amor a Deus e ao próximo, mas a verdadeira caridade nada tem de excesso: o fanatismo não é o grau excelso da virtude, mas o seu contrário. Por isso, Aristóteles ensinava que o acto virtuoso é o que se situa num ‘justo meio’, e Tomás de Aquino calibrava a virtude pelo critério da ‘recta razão’: onde não há razão, não há mérito, nem muito menos santidade cristã.

Uma devoção que desrespeite a liberdade das consciências dos ateus, agnósticos ou crentes de outras religiões, é incompatível com o Evangelho e contradiz a doutrina e a prática do próprio Jesus Cristo. Os santos são o exemplo perfeito do que deve ser um verdadeiro cristão; não os que, tergiversando os ensinamentos do Mestre, “manso e humilde de coração” (Mt 11, 29), negam, pela violência dos métodos evangelizadores ou das práticas repressoras, a bondade da pacífica mensagem cristã.

Lê-se na antiga Legenda Benignitas, que António de Lisboa não se cansava de lutar contra a heresia, “de tal maneira que, por toda a parte, é chamado vulgarmente incansável martelo de hereges”. Mas erraria quem associasse a este título uma conduta fundamentalista ou intolerante em relação aos que não pensavam de acordo com a sua fé. Na luta contra a heresia albigense, a atitude de Santo António sempre foi de tolerância e de respeito pela liberdade das consciências: “Assim como não se lança o fogo à casa onde repousa um morto – escreveu o Santo alfacinha – assim não deveis destruir essa casa em que Deus tende a desaparecer sob os golpes [da heresia], especialmente quando podeis ter esperança de que Ele a ressuscitará para a glória. Mas, mesmo que tivésseis a certeza da obstinação, deveis sempre inclinar-vos para a tolerância, porque Deus é o primeiro a dar-nos o exemplo. Tolerai, repito, a fim de que isso possa servir de exemplo”.

Outra recorrente acusação feita aos santos é o do seu suposto modo de ser antissocial: parecem tão obcecados pelas suas crenças que não são capazes de ouvir os outros, nem de dialogar. Talvez o sejam os fanáticos, mas não os santos que, pelo contrário, são amáveis, sobretudo com os que, por não serem crentes, mais carecem da sua caridade. Assim foi o próprio Cristo e, como ele, segundo conta João Rigauld, António de Lisboa: “Certo dia, em uma cidade de Itália, foi o santo convidado por alguns hereges a jantar. Aceitou o convite, na esperança de os converter dos seus erros e de os confirmar na fé, a exemplo do Salvador que, por semelhante motivo, comia com os publicanos e os pecadores”.

Em boa hora o presidente da Câmara Municipal de Lisboa, no encerramento do Simpósio Internacional Antoniano Exulta Lusitania Felix, anunciou que Santo António, o lisboeta mais mundialmente famoso, vai ter um Centro de Estudos e de Investigação em Lisboa. Se a sua vida e obra for melhor conhecida, decerto que a nossa juventude, estimulada por um tal exemplo, será mais douta, mais tolerante, mais caridosa e, sobretudo, muito mais feliz.

Pe. Gonçalo Portocarrero de Almada in Observador AQUI

O Evangelho de Domingo dia 18 de junho de 2017

Vendo aquelas multidões, compadeceu-Se delas, porque estavam fatigadas e abatidas, como ovelhas sem pastor. Então disse a Seus discípulos: «A messe é verdadeiramente grande, mas os operários são poucos. Rogai pois ao Senhor da messe, que mande operários para a Sua messe» Tendo convocado os Seus doze discípulos, Jesus deu-lhes poder de expulsar os espíritos imundos e de curar toda a doença e toda a enfermidade. Os nomes dos doze apóstolos são: O primeiro Simão, chamado Pedro, depois André, seu irmão; Tiago, filho de Zebedeu, e João, seu irmão; Filipe e Bartolomeu; Tomé e Mateus, o publicano; Tiago, filho de Alfeu e Tadeu; Simão, o Cananeu, e Judas Iscariotes, que foi quem O entregou. A estes doze enviou Jesus, depois de lhes ter dado as instruções seguintes: «Não vades à terra dos gentios, nem entreis nas cidades dos samaritanos: Ide, e anunciai que está próximo o Reino dos Céus. «Curai os enfermos, ressuscitai os mortos, limpai os leprosos, lançai fora os demónios. Dai de graça o que de graça recebestes.

Mt 9, 36-38.10, 1-8

São Josemaría Escrivá nesta data em 1975

Anota: “Não saiu gorada a minha esperança, embora bons motivos tenha dado a Jesus, nesta temporada, para nos abandonar. Mais uma prova da divindade da Obra: como é dele, não a abandona: se fosse minha, há muito tempo a tinha desamparado”.

“Encarniçamento terapêutico”

«A cessação de tratamentos médicos onerosos, perigosos, extraordinários ou desproporcionados aos resultados esperados, pode ser legítima. É a rejeição do ”encarniçamento terapêutico”. Não que assim se pretenda dar a morte; simplesmente se aceita o facto de a não poder impedir. As decisões devem ser tomadas pelo paciente se para isso tiver competência e capacidade; de contrário, por quem para tal tenha direitos legais, respeitando sempre a vontade razoável e os interesses legítimos do paciente».

(Catecismo da Igreja Católica § 2278)

Divisões entre os cristãos

Deus escreve certo por linhas tortas. Mas as linhas permanecem tortas, e isso significa que as divisões estão relacionadas com o pecado humano. O pecado não se torna positivo só porque, se for compreendido como algo que deve ser superado pela conversão e apagado pelo perdão, pode levar a um processo de crescimento. Já Paulo teve de explicar aos Romanos a ambiguidade que nascera do seu ensinamento sobre a graça, segundo a qual, se o pecado conduzia à graça, podia ser aceite tranquilamente (Rom 6, 19). A capacidade divina de tirar coisas boas até dos nossos pecados certamente não significa que o pecado seja bom. E o facto de que Deus pode tirar frutos positivos da divisão não a torna boa em si mesma.

(Cardeal Joseph Ratzinger in entrevista ao ‘Frankfurter Allgemeine Zeitung‘, de 22.09.2000)

Modelo de acolhimento

«Ao mesmo tempo, dando o seu consentimento à Palavra divina que n'Ela Se fez carne, Maria aparece como modelo de acolhimento da graça por parte da criatura humana. Unida a Cristo, juntamente com José, na vida escondida de Nazaré, presente junto do Filho em momentos cruciais da sua vida pública, a Virgem é mestra de seguimento incondicional e de assíduo serviço. Assim n'Ela, ‘templo do Espírito Santo‘, brilha todo o esplendor da nova criatura».

(São João Paulo II - Exortação Apostólica Pós-Sinodal ‘Vita Consecrata’)

«A oração de Maria é-nos revelada na aurora da plenitude dos tempos. Antes da encarnação do Filho de Deus e da efusão do Espírito Santo, a sua oração coopera de um modo único com o desígnio benevolente do Pai, aquando da Anunciação para a concepção de Cristo e aquando do Pentecostes para a formação da Igreja, corpo de Cristo. Na fé da sua humilde serva, o Dom de Deus encontra o acolhimento que Ele esperava desde o princípio dos tempos. Aquela que o Todo-Poderoso fez ‘cheia de graça’ responde pelo oferecimento de todo o seu ser: ‘Eis a serva do Senhor, faça-se em mim segundo a tua palavra’. ‘Faça-se’ é a oração cristã: ser todo para Ele, já que Ele é todo para nós».

(Catecismo da Igreja Católica § 2617)

O Evangelho do dia 17 de junho de 2017

«Igualmente ouvistes que foi dito aos antigos: “Não perjurarás, mas guardarás para com o Senhor os teus juramentos”. Eu, porém, digo-vos que não jureis de modo algum, nem pelo céu, porque é o trono de Deus; nem pela terra, porque é o escabelo de Seus pés; nem por Jerusalém, porque é a cidade do grande rei. Nem jurarás pela tua cabeça, pois não podes fazer branco ou preto um só dos teus cabelos. Seja o vosso falar: Sim, sim; não, não. Tudo o que passa disto, procede do Maligno.

Mt 5, 33-37