N. Sra. de Fátima

N. Sra. de Fátima
Fátima 2017 centenário das aparições de Nossa Senhora, façamos como Ela nos pediu e rezemos o Rosário diariamente. Ave Maria cheia de graça… ©Ecclesia

segunda-feira, 17 de julho de 2017

Papa emérito avisa: o “barco” está a meter água

“O Senhor não abandona a sua Igreja mesmo quando o navio está tão inundado que quase se afunda”, escreveu o Papa emérito numa mensagem que foi lida em Colónia, este sábado

Bento xvi, Papa emérito da Igreja Católica, não tem por hábito aparecer. Na verdade, este fim de semana nem teve que o fazer. Sábado, na missa do funeral do cardeal Joachim Meisner, celebrada na Catedral de Colónia, foi lida uma mensagem de Bento xvi e os corredores da Cúria Romana mexeram.

Não viajando para a Alemanha devido à idade já avançada, o seu secretário, o arcebispo Georg Gänswein, proclamou a mensagem no referido funeral.

Bento xvi, de 90 anos, não costuma surgir ou fazer-se ouvir publicamente, excetuando em ocasiões especiais, como aniversários de ordenação de sacerdotes seus próximos ou cerimónias distintas e, preferencialmente, recatadas.

É assim desde que renunciou ao papado, dando lugar à eleição de Jorge Bergoglio, que tomou o nome de Francisco como Santo Padre. E a frase que fez disparar as campainhas em Roma terá já certamente chegado ao Papa argentino.

Elogiando o percurso de vida de Meisner, o cardeal defunto, Bento xvi afirmou: “Aquilo que mais me impressionou foi que, no período final da sua vida, aprendeu a deixar-se estar e a viver cada vez mais na crença de que o Senhor não abandona a sua Igreja, mesmo quando o navio está tão inundado que quase se afunda.”

Escândalos, inundações e gotas de água Recentemente, a Igreja foi assolada por novos escândalos sexuais quando George Pell, terceira figura mais importante no Vaticano, com a pasta da Economia, foi acusado de abusos sexuais na Austrália.

Uma semana depois, a polícia italiana irromperia num apartamento da Congregação da Doutrina da Fé – em tempos dirigida por Bento xvi, enquanto ainda cardeal Ratzinger –, dando de caras com uma orgia homossexual.

O apartamento, onde também foram encontradas drogas, pertence ao secretário pessoal do cardeal Francesco Coccopalmerio, que é um dos principais conselheiros do Papa Francisco. Se a inundação do navio era alegórica, entende--se. Uma gota de água bem pesada para fazer transbordar o habitualmente discreto copo do Papa emérito.
“A catedral deve ter ficado muda. O Papa emérito podia estar a falar de si próprio”, evidencia um vaticanista escutado pelo i. Na véspera do falecimento de Joachim Meisner, Bento xvi conversara com o compatriota ao telefone.

“O que me tocou particularmente nas nossas últimas conversas foi a sua alegria natural, a sua paz interior e a tranquilidade que havia encontrado”, começou o Papa emérito. “Sabemos que foi difícil para ele, um pastor apaixonado, abandonar o seu cargo, precisamente numa altura em que a Igreja tanto precisa de pastores que se oponham à ditadura do Zeitgeist (espírito da época) e estejam totalmente comprometidos a pensar e agir de acordo com a fé”, descreveu também. E o paralelismo regressa ao mesmo sentido.

“Quando, na sua última manhã, o cardeal Meisner não apareceu para a missa, foi encontrado morto no seu quarto. O breviário havia escorregado das suas mãos. Morreu enquanto rezava, com o rosto em Deus, em diálogo com Deus. A arte de partir, que lhe ali foi dada, demonstrava novamente como ele viveu: com o rosto em Deus e em diálogo com ele.” Depois, a catedral rezou pelo cardeal. Gänswein, que lia a mensagem de Bento xvi, chorava.

Cordial com Francisco

A relação entre Joseph Ratzinger – o Papa emérito Bento xvi – e o Papa Francisco tem sido marcada por respeito público e solidariedade. Os Papas de Roma já foram vistos a rezar juntos e Bento xvi retira sempre o solidéu – pequeno chapéu que é branco no caso dos Papas e vermelho para os cardeais – quando na presença do homem que lhe sucedeu à frente do Vaticano, há quatro anos.

O cardeal Joachim Meisner fora nomeado padre sinodal para a assembleia-geral do Sínodo dos Bispos em 2012, pelo ainda Papa Bento, e renunciara ao seu cargo na arquidiocese de Colónia em 2014, já com o Papa Francisco.

Sebastião Bugalho in 'i' online AQUI

A educação e a responsabilidade civil

"Um homem ou uma sociedade que não reaja diante das tribulações ou das injustiças e se não esforce por as aliviar, não é um homem ou uma sociedade à medida do amor do Coração de Cristo." (Cristos que passa, 167)

Pôr em prática o mandamento novo do amor

Compreende-se muito bem a impaciência, a angústia, os inquietos anseios daqueles que, com uma alma naturalmente cristã , não se resignam perante a injustiça individual e social que o coração humano é capaz de criar. Tantos séculos de convivência dos homens entre si, e ainda tanto ódio, tanta destruição, tanto fanatismo acumulado em olhos que não querem ver e em corações que não querem amar!

Os bens da Terra, repartidos entre muito poucos; os bens da cultura, encerrados em cenáculos...E, lá fora, fome de pão e de sabedoria; vidas humanas – que são santas, porque vêm de Deus – tratadas como simples coisas, como números de uma estatística! Compreendo e compartilho dessa impaciência, levantando os olhos para Cristo, que continua a convidar-nos a pormos em prática o mandamento novo do amor. (Cristo que passa, 111)

Uma sociedade à medida do amor do Coração de Cristo

Um homem ou uma sociedade que não reaja diante das tribulações ou das injustiças e se não esforce por as aliviar, não é um homem ou uma sociedade à medida do amor do Coração de Cristo. Os cristãos – conservando sempre a mais ampla liberdade quando se trata de estudar e de pôr em prática as diversas soluções, segundo um pluralismo bem natural – terão de convergir no mesmo anseio de servir a humanidade. Se não, o seu cristianismo não será a Palavra e a Vida de Jesus: será um disfarce, um embuste feito a Deus e aos homens. (Cristo que passa, 167)

Uma raça, uma língua, uma côr

Nosso Senhor veio trazer a paz, a boa nova, a vida a todos os homens. Não só aos ricos, nem só aos pobres; não só aos sábios, nem só à gente simples; a todos; aos irmãos, pois somos irmãos, já que somos filhos de um mesmo Pai, Deus. Não há, portanto, mais do que uma raça: a raça dos filhos de Deus. Não há mais que uma cor: a cor dos filhos de Deus. E não há senão uma língua: a que nos fala ao coração e à inteligência, sem ruído de palavras, mas dando-nos a conhecer Deus e fazendo que nos amemos uns aos outros. (Cristo que passa, 106)

A nossa vida é um serviço

"Toda a nossa vida é isso, filhas e filhos meus, é um serviço de metas exclusivamente sobrenaturais, porque o Opus De não é nem será nunca - nem o poderá ser - um instrumento temporal; mas é ao mesmo tempo um serviço humano, porque não fazeis mais do que tratar de conseguir a perfeição cristã no mundo, limpamente, com a vossa libérrima e responsável actuação em todos os campos da actividade cidadã. Um serviço de abnegação que não envilece, antes educa, que faz grande o coração - torna-o romano, no sentido mais alto desta palavra - e leva a procurar a honra e o bem das gentes de cada país: para que haja cada dia menos pobres, menos ignorantes, menos almas sem fé, menos desesperados, menos guerras, menos insegurança, mais caridade e mais paz". (In "O Opus Dei na Igreja", p.178)

Onde há pobreza, tristeza e dor

"O Opus Dei há-de estar presente onde haja pobreza, onde falte trabalho, onde haja tristeza, onde haja dor, para que a dor seja levada com alegria, para que a pobreza desapareça, para que não falte trabalho - porque formamos a gente de maneira que o possa ter -, para que metamos Cristo na vida de cada um, na medida em que queira, porque somos muito amigos da liberdade" (In "Um olhar até ao futuro a partir do coração de Vallecas”, p. 135, Palavras em 1-X-1967)

São Josemaría Escrivá

UM ANÚNCIO DA DEGRADAÇÃO

Vi na televisão, recentemente, um anúncio de uma conhecida bebida, que é o exemplo “perfeito” de como este mundo caminha a passos largos para a total degradação.

O anúncio consta de um homem que está a trabalhar numa piscina, quase em troco nu, e que via limpando o suor da sua cara. Obviamente o actor é um suposto modelo de homem, passe o termo, irresistível!
Vê-se então uma rapariga nova, (que depois se depreende ser a filha da família que vive na casa), que olha atentamente, podemos dizer, excitadamente, para o “trabalhador” em causa.
Noutra janela, um rapaz, (que depois se depreende ser o filho da família que vive na casa), com uma postura nitidamente efeminada, faz a mesma coisa que a rapariga, ou seja, olha atenta e excitadamente para o “limpador” da piscina.
Na cena seguinte, ambos, a rapariga e o rapaz, correm para o frigorífico, para ir buscar uma garrafa da tal bebida, e fazem uma corrida, com alguns percalços, para ver qual é o primeiro a servir o “trabalhador”, na mira óbvia de lhe agradar para os fins que se percebem.
Espantamo-nos então porque ao chegarem perto do homem, verificam que ele já está a beber a tal bebida, que lhe foi trazida por aquela que se presume ser a mãe dos jovens, e que também está “embevecida” com a figura do referido homem.
Não preciso explicar a ninguém o que tudo isto significa de degradação moral, mas ainda posso acrescentar que, como é óbvio numa mensagem destas, produzida para este mundo cada vez mais amoral, a figura do pai não existe!

E assim nos entra pela casa adentro a agenda política e social de um mundo em degradação.
Chamam-lhe “politicamente correcto”, o que em boa verdade se chama e é apenas a “obra do diabo”!

Até mesmo, com tristeza o digo, algumas vozes da Igreja defendem que a Palavra de Deus, os ensinamentos de Cristo, devem ser reinterpretados à “luz” do mundo, ou seja, deste mundo amoral.
(Antes que alguém se aproveite deste escrito, aviso desde já que não me refiro de modo nenhum ao Papa Francisco.)

Caminhamos apressadamente para o “fim do império romano”, ou seja, uma degradação que não terá retorno, a não ser quando de alguma forma “implodir” a sociedade de hoje, para renascer uma nova sociedade.

E quem se levantar para dizer algo, para protestar, para tentar mostrar a imoralidade da mensagem, etc., é “apontado a dedo”, é gozado, é perseguido pelas inúmeras organizações criadas por gente política com uma agenda bem precisa de degradação da sociedade.

E, no entanto, a Palavra de Deus “nunca” foi tão actual:

«Envio-vos como ovelhas para o meio dos lobos; sede, pois, prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tende cuidado com os homens: hão-de entregar-vos aos tribunais e açoitar-vos nas suas sinagogas; sereis levados perante governadores e reis, por minha causa, para dar testemunho diante deles e dos pagãos.

Mas, quando vos entregarem, não vos preocupeis nem como haveis de falar nem com o que haveis de dizer; nessa altura, vos será inspirado o que tiverdes de dizer. Não sereis vós a falar, mas o Espírito do vosso Pai é que falará por vós. O irmão entregará o seu irmão à morte, e o pai, o seu filho; os filhos hão-de erguer-se contra os pais e hão-de causar-lhes a morte. E vós sereis odiados por todos, por causa do meu nome. Mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo.» Mt 10, 16-22

«Então, irão entregar-vos à tortura e à morte e, por causa do meu nome, todos os povos irão odiar-vos. Nessa altura, muitos sucumbirão e hão-de trair-se e odiar-se uns aos outros. Surgirão muitos falsos profetas, que hão-de enganar a muitos. E porque se multiplicará a iniquidade, vai resfriar o amor de muitos; mas aquele que se mantiver firme até ao fim será salvo.» Mt 24, 9-13


Não nos calemos, não deixemos sobretudo de dar testemunho cristão, repitamos uns aos outros “não tenhas medo”, porque a nossa força, a nossa confiança, a nossa esperança, vem de Deus, do Deus que nos criou no Seu amor.

«Foi-me dado todo o poder no Céu e na Terra. Ide, pois, fazei discípulos de todos os povos, baptizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, ensinando-os a cumprir tudo quanto vos tenho mandado. E sabei que Eu estarei sempre convosco até ao fim dos tempos.» Mt 28, 19-20

Marinha Grande, 17 de Julho de 2017

Joaquim Mexia Alves

São Josemaría Escrivá nesta data em 1944

Diagnosticam-lhe uma forte diabetes, de que virá a sofrer até 1954. Pelos sintomas externos, devia estar latente desde tempos atrás: chegava a casa muito cansado, com fortes dores de cabeça e com ataques de febre, que atribuía ao seu trabalho esgotante. Uma vez descoberta a diabetes, não muda o ritmo nem a dedicação ao trabalho apostólico, salvo quando fica de cama.

Direitos humanos, dignidade

Um primeiro elemento é o caráter incondicional com que a dignidade humana e os direitos humanos devem apresentar-se, como valores que precedem toda a jurisdição estatal. Estes direitos fundamentais não são criados pelo legislador nem são concedidos aos cidadãos, "mas existem por direito próprio e sempre devem ser respeitados pelo legislador, a quem são entregues como valores de ordem superior" [Anteprojeto para a Constituição Europeia 2004]. Esta validade da dignidade humana prévia a qualquer actuação ou decisão política remete-nos ao Criador: só Ele pode estabelecer valores que se fundam na essência do homem e que são intangíveis. Que existam valores não manipuláveis por ninguém é a garantia verdadeira e própria da nossa liberdade e da grandeza humana; a fé cristã vê nisto o mistério do Criador e da condição de imagem de Deus que Ele conferiu ao homem.

Ora bem, hoje em dia quase ninguém negará diretamente a preeminência da dignidade humana e dos direitos humanos fundamentais em face de toda a decisão política; são ainda demasiado recentes os horrores do nazismo e da sua teoria racista. Mas no âmbito concreto do assim chamado progresso da Medicina, há ameaças muito reais para estes valores: quer pensemos na clonagem, ou na conservação de fetos humanos para a pesquisa e na doação de órgãos, ou ainda em todo o âmbito da manipulação genética, a lenta erosão da dignidade humana que nos ameaça aqui não pode ser desconhecida por ninguém. Acrescentam-se a isso, de maneira crescente, o tráfico de pessoas humanas, as novas formas de escravidão, o comércio de órgãos humanos para transplantes. Sempre se aduzem finalidades boas para justificar o injustificável.

(Cardeal Joseph Ratzinger in ‘Fundamentos espirituales de Europa’)

O dia em que tudo muda

Quando este artigo chegar aos leitores, na manhã de Domingo (17-07-2016), eu estarei a assistir ao casamento de dois noivos, muito amigos. Desde que me deram a notícia, comecei a rezar. E, depois, com aquela dose de impertinência que se concede às pessoas muito íntimas, perguntei-lhes se estavam a rezar muito. «Sim! Muito!» Recusei-me a ficar descansado: só quatro ou cinco vezes por dia?, ou mais?

Redobrei, por minha conta, a oração pelo novo casal.

Quem os veja talvez não compreenda a preocupação. Sorriso feliz, sereno, responsável; algum sinal discreto de ternura; e garantem que rezam muito. Que se pode pedir mais?

Neste Domingo de manhã, na Missa, ele vai jogar a vida inteira, para sempre, num projecto comum. E ela vai entregar-se completamente, para sempre, nessa aventura.

Tanto quanto sei, só há uma vida nesta terra. Eles são novos e, se Deus lhes der saúde, têm dezenas de anos pela frente, os únicos anos de que dispõem. Tudo isso, com todas as possibilidades ainda em aberto, vai ficar decidido, de uma vez para sempre, numa aposta sem retorno, na manhã de Domingo.
– Meus queridos, vocês rezam mesmo? Sim (muito forte!), querido Tio!

Eu sei, mas percebo que tenho de rezar mais. Quando Deus passa pela vida, precisamos de Lhe responder. Mais tarde ou mais cedo, há um momento em que nos convida a decidir o futuro. Podemos aceitar o desafio, ou adiar, ou preferir uma alternativa, mas a voz de Deus soa clara, para cada um. Não responder, também é resposta, porque o convite existe e não se consegue anular. A voz de Deus é tão clara como o sussurro da consciência: pedimos à consciência que não nos lembre qualquer coisa, mas a voz íntima não se cala. É preciso muito barulho interior para abafar a consciência e, também – quando é o caso –, para calar a vocação. Mal nos descuidamos, as palavras nítidas ressurgem em primeiro plano.

Alguns, rejeitam os mergulhos radicais de Deus. A um «vai, vende tudo o que tens e dá-o aos pobres...», a outro «vem e segue-Me...», a outro «vai para tua casa, para os teus, e conta-lhes tudo o que o Senhor te fez, e como teve misericórdia de ti...». As vocações são tão diferentes como as impressões digitais de cada alma. Deus não Se repete. Mas chama, «radicalmente», e toca cada vida com um desafio divino.

Na sua primeira Encíclica, «Lumen Fidei», o Papa Francisco descreve a vocação ao casamento, ao compromisso para sempre, como resposta ao amor de Deus. Essa «união estável no casamento nasce do amor, é sinal e presença do amor de Deus». Deus olha de forma pessoalíssima aquelas duas almas. Num vislumbre, situa-as entre um caminho sem retorno e todas as estradas largas que brilham nas outras direcções. Naturalmente, aquelas duas almas sentem uma sacudidela fortíssima, na oração, como se a oração ficasse interrompida, à espera de uma resposta.

Alguns, já não continuam. Adiam, perdem-se na conjectura, não dão o passo. Outros, percebem o passo imenso que Deus lhes pede e lançam-se nos seus braços.

Fora deste contexto, o casamento tem pouco sentido. Nenhuns braços, senão os de Deus, têm força para segurar uma vida inteira que se entrega num ímpeto de generosidade.

Depois, vem a felicidade que ultrapassa o deleite humano. Uma alegria que não se conhece nesta terra, porque é antecipação do Céu. Unem-se os cônjuges numa só carne e – diz o Papa nessa Encíclica – desce sobre eles a bênção do Amor: «geram uma nova vida, manifestação da bondade do Criador, da sua sabedoria e do seu desígnio de amor».

– Rezam mesmo? – insisto com ternura. Eu sei que sim, mas não quero que eles se sintam satisfeitos, como se fosse suficiente.

Olhos nos olhos, contemplo um brilho sereno, feliz, responsável, que me faz tanto bem à alma. Um brilho responsável de quem reza (mas não é suficiente, meninos!). As mãos dadas reflectem já a bênção que vão receber no Domingo de manhã. A confiança que têm um no outro chama-se «amor incondicional» e é um dom altíssimo do Criador. Aquele «sim», vai ecoar sem prazo como um carrilhão na glória. E a bêncão de Deus, cheia de fecundidade...

E minha insistência, cheia de afecto e de intimidade, que eles compreendem e agradecem: meus queridos, rezam?
– Sim, muito! Quer dizer, ...agora vamos rezar ainda mais.

José Maria C.S. André
Spe Deus
17-VII-2016

CIÊNCIAS, MAIS OU MENOS OCULTAS, HÁ MUITAS …

Os estudos científicos valem o que valem os que os fazem

É infalível como o destino: sempre que se abre, na sociedade portuguesa, uma questão fracturante, não só surgem uns incógnitos sábios a testemunharem convictamente a normalidade dessa nova anormalidade, como também aparecem, vindos do nada, miríades de estudos científicos de prestigiadas instituições internacionais, a atestarem que a pretendida reforma é do melhor que há. Cá e lá.

Disse academias estrangeiras e disse bem. Com efeito, não tem nenhum impacto mediático um eventual Grémio dos Psicanalistas de Moscavide, ou uma hipotética Associação de Veteranos da Psicoterapia do Bolhão. Como diz a Bíblia, ninguém é profeta em sua casa, ou na sua terra. Mas fica a matar um parecer de uma imaginária Psychiatric Scientific Academy americana, um veredicto de uma organização ambientalista sediada nos fiordes da Noruega, ou um estudo exaustivo de um famosíssimo especialista birmanês. Famosíssimo cá, claro, porque na terra dele e arredores talvez ninguém o conheça.

A grande vantagem das referências mais ou menos eruditas é que dão logo um ar «científico» à coisa. Como o portuguesinho é muito dado a um certo complexo de inferioridade em relação ao que «já» se faz «lá fora» – tanto dá que seja nos Estados Unidos da América ou na Manchúria – basta insinuar o preconceito do nosso atávico atraso civilizacional, para que o país fique naquele nervoso miudinho de um miudinho nervoso. Quando o frenesim chega a ser colectivo, a questão passa a inadiável e, como tal, ultrapassa tudo na agenda política nacional. E, então, «lembramo-nos» de como é imperiosa uma reforma de que ninguém falava, há tão só um par de meses…

Num artigo do Público, de 27 de Junho de 2013, Ana Matos Pires defende que «os afectos não têm género e a parentalidade não está nos gâmetas», pelo que deve desconhecer, entre outros, o amor de mãe. Em abono da sua revolucionária tese, invoca nada mais nem nada menos do que dez instituições! Por sinal, todas norte-americanas e, seguramente, muito ilustres por essas bandas mas, se calhar, tão credíveis quanto o são, por cá, os «professores» Karamba, Bambo, Issa, Laminé, Mamadu, Marufe e Sidico, o qual, segundo o próprio, é «o melhor cientista que actua em Portugal e na Europa em ciências ocultas». Muito ocultas, de facto.

Os estudos científicos valem muito, como é óbvio. Mas valem o que valem as pessoas que os fazem. Todos os totalitarismos têm também os seus cientistas de serviço, dispostos a jurarem a inevitabilidade científica das teorias do poder. A tese da superioridade da raça ariana e da inferioridade dos judeus teve foros de verdade científica, na Alemanha nazi. Também o socialismo soviético tinha pretensões científicas, por contraste com o socialismo utópico, dos pré-marxistas. Entre nós, a rapaziada anticlerical da 1ª República, antes de expulsar os jesuítas, mediu-lhes os crânios, para assim atestar, cientificamente, a sua índole criminosa …

Algures, seria necessário levantar um memorial às vítimas dos estudos da ciência, ou da pseudo-ciência, porque talvez não sejam menos do que os mártires da fé, da pátria e da liberdade.

Tendo nascido na Holanda e estudado em Lisboa, Atenas, Madrid e Roma, não sou, nem nunca fui, apologista do «orgulhosamente sós», de triste memória. Mas também não embarco na parolice dos políticos que, como macaquinhos de imitação, pretendem importar, copiando, tudo o que se faz «lá fora». A míngua de argumentos racionais não se resolve com «estudos» estrangeiros, tão ilustres quanto desconhecidos são os seus autores. Por isso, ao estudante cuja namorada se esquivava com a desculpa dos «estudos», uma divertida tuna universitária portuense aconselhava: desconfia!

Gonçalo Portocarrero de Almada in 'Público' 15.07.2013

O Evangelho do dia 17 de julho de 2017

«Não julgueis que vim trazer a paz à terra; não vim trazer a paz, mas a espada. Porque vim separar “o filho do seu pai e a filha da sua mãe e a nora da sua sogra. E os inimigos do homem serão os seus próprios familiares”. Quem ama o pai ou a mãe mais do que a Mim, não é digno de Mim; e quem ama o filho ou a filha mais do que a Mim, não é digno de Mim. Quem não toma a sua cruz e Me segue, não é digno de Mim. Quem se prende à sua vida perdê-la-á, e quem perder a sua vida por Meu amor, acha-la-á. «Quem vos recebe, a Mim recebe, e quem Me recebe, recebe Aquele que Me enviou. Quem recebe um profeta na qualidade de profeta, receberá a recompensa do profeta; quem recebe um justo na qualidade de justo, receberá a recompensa de justo. E todo aquele que der de beber um simples copo de água fresca a um destes pequeninos, por ele ser Meu discípulo, na verdade vos digo que não perderá a sua recompensa». Tendo Jesus acabado de dar estas instruções aos Seus doze discípulos, partiu dali para ir ensinar e pregar nas cidades deles.

Mt 10,34-42.11,1